Fellini não contava histórias. O que ele fazia era poesia

Nesta quarta-feira (31), faz 25 anos que Federico Fellini morreu.

Um jovem leitor me diz que quer ver A Doce Vida e pergunta como é a história do filme.

Respondo que não há história no sentido tradicional da palavra, com começo, meio e fim.

Não? E o que há? – ele quer saber.

Respondo: Há quadros, episódios mais ou menos soltos. Todos relacionados há um personagem, o personagem de Marcello Mastroianni.

Os filmes de Fellini são assim. A assinatura felliniana é assim. Quando ainda há muito do Neorrealismo no seu cinema e depois, quando suas “narrativas” passam a ser muito delirantes e fantasiosas.

Federico Fellini, um dos mestres absolutos do cinema, não contava histórias. O que ele fazia nos seus filmes era poesia. Ele é um dos poucos realizadores que merecem essa classificação. Não é força de expressão. Fellini era um poeta fazendo filmes.

Meus cinco filmes preferidos de Fellini?

São esses.

Vamos ver?

A DOCE VIDA

OITO E MEIO

AMARCORD

NOITES DE CABÍRIA

OS BOAS-VIDAS

A esquerda não deve comemorar a “morte” da Folha de S.Paulo

Nos últimos tempos, vi, centenas de vezes, gente de esquerda usando as redes sociais para bater na Folha de S.Paulo. Dizer coisas insanas que atentam contra a liberdade de imprensa, contra a democracia.

O mais triste era constatar que, entre essas pessoas, havia jornalistas e professores de jornalismo.

Nesta segunda-feira (29), vi, no Jornal Nacional, o presidente eleito Jair Bolsonaro dizer que a Folha se acabou por ela própria.

E vi William Bonner, editor e apresentador do JN, dizer que a Folha é um jornal sério.

Nesta terça-feira (30), vi gente de esquerda dizer que não lamenta o que está ocorrendo com a Folha.

Quando o assunto é liberdade de imprensa, os extremos são muito parecidos.

São muito parecidos na incapacidade de compreender o papel que a grande mídia, com todos os seus defeitos, desempenha nas democracias.

No dia da eleição, ouvi de um eleitor de Bolsonaro que o Jornal Nacional do sábado foi um verdadeiro guia eleitoral de Haddad.

Ao mesmo tempo, ouvi de um eleitor de Haddad que o Jornal Nacional fez campanha para Bolsonaro.

Tentei explicar a ambos que os perfis dos candidatos (cada um com 11 minutos) foram diferentes porque Haddad estava em campanha nas ruas, enquanto Bolsonaro estava em campanha dentro de casa. Foi inútil. Cada um permaneceu com a sua visão.

Para a direita, a Folha já se acabou.

Para a esquerda, já vai tarde.

A esquerda, no lugar de comemorar a “morte” da Folha de S.Paulo, deveria pensar no papel que o jornal pode desempenhar durante o futuro governo.

Paul Simon é um homem velho relendo canções em grande CD

Paul Simon está com 77 anos.

Ele acaba de lançar um CD chamado In the Blue Light.

O título foi retirado de uma canção do início dos anos 1980 (How the Heart Approaches What It Yearns).

O disco reúne releituras de 10 das suas canções.

Paul Simon? Há muitos.

Há o jovem que fazia dupla com Art Garfunkel na juventude. Ficaram famosos como Simon & Garfunkel, mas, na adolescência, no tempo da escola, eram Tom e Jerry. Simon compunha, Garfunkel só cantava. Miravam-se na canção branca, muito folk, dos Everly Brothers.

Há o autor em trajetória solo, longe do parceiro. Três discos primorosos nos anos 1970 (+ um o vivo). Canções mais refinadas e até mais belas do que as da década anterior. Um pé na música do mundo (o Peru do Urubamba, o Brasil de Sivuca e Airto Moreira). O gospel dos negros somado ao folk dos brancos.

Há o homem maduro a descobrir e difundir a música da África do Sul. Aos que o criticaram por romper o bloqueio cultural imposto ao regime racista de minoria branca, ofereceu Graceland, um canto à harmonia entre os povos através da canção popular.

Há o artista que, após o êxito de Graceland, veio ao Brasil fazer The Rhythm of the Saints e, da Bahia, das ladeiras do Pelourinho, projetou os tambores do Olodum para o mundo.

As descobertas de Graceland e de The Rhythm of the Saints mudaram seu trabalho. Muitas vezes, sobrepuseram o ritmo à melodia. O Paul Simon aos 50 anos, em 1991, era muito diferente do jovem que encantou as pessoas com canções como The Sound of Silence e Bridge Over Troubled the Water.

In the Blue Light, o disco que Paul Simon acaba de lançar, é imprescindível para quem acompanha de perto o seu trabalho. Traz um homem velho recriando canções. Elas vêm de discos gravados entre 1973 (There Goes Rhymin’ Simon) e 2011 (So Beautiful or So What).

Os timbres são outros, os instrumentos, os arranjos, o jeito de cantar. A exposição do que talvez estivesse escondido nas gravações originais. Um certo desejo de tornar essas canções ainda mais perenes. De acentuar o que lhes confere permanência, resistência à passagem do tempo.

É justo pressupor que são canções da predileção do autor. E é fácil constatar que são canções pouco conhecidas. Não são grandes sucessos. É como se ele nos sugerisse: “Prestem atenção nessas aqui. Elas são tão bonitas também”.

E como são!

In the Blue Light traz músicos excepcionais e formações menos comuns nos discos de Simon. Há de Wynton Marsalis aos brasileiros do Duo Assad, de Jack DeJohnette e Steve Gadd ao sexteto yMusic .

E há canções perfeitas como René and Georgette Magritte with Their Dog After the War, que reputo como uma das mais inspiradas de todo o cancioneiro de Paul Simon.

Hoje não tem mais Phil Ramone, mas, aos 84 anos, Roy Halee divide a produção com Simon. A parceria dos dois, que vem de longe, é um selo de altíssima qualidade.

Bolsonaro ganhou! E agora?

Não tenho nenhuma lembrança da aventura chamada Jânio Quadros.

Nos poucos meses em que ele governou, eu era um garoto de dois anos.

O Jânio presidente era o que vi, durante alguns anos, na parede do meu avô materno. Ele e a vassoura com a qual prometia varrer a bandalheira.

Tenho todas as lembranças da aventura chamada Fernando Collor.

Eu já era um adulto de 30 anos quando ele se elegeu.

A tristeza do dia seguinte à sua eleição dava conta da consciência que tínhamos  – os que nele não votaram – do que nos esperava.

Eleição, na minha cabeça, é uma espécie de marcador de tempo. Quatro anos. Mais quatro. Mais quatro. Collor. Fernando Henrique. Lula. E, assim, nosso tempo vai passando. Nossas vidas vão passando.

Pensei nisso, nesse marcador de tempo, naquele início de noite, em abril de 1985, quando vi, pela televisão, Dr. Ulysses discursando diante do túmulo de Tancredo. O que teríamos pela frente? Quem seriam os próximos depois de Sarney?

Gosto de antever cenários. A crônica política confunde desejo com realidade e compromete a capacidade da antevisão. As grandes lideranças políticas também cegam diante dos seus sonhos individuais de poder.

Esse cenário de agora, de Bolsonaro presidente, era tão claro. Há tanto tempo. Mas, os que podiam fazer alguma coisa, nada fizeram.

A eleição de Bolsonaro lembra muito a de Collor. Pela incapacidade que o campo democrático demonstrou de construir um projeto viável. Pelo fanatismo de uma parcela expressiva dos que votaram no vencedor. Pelo discurso que levou os dois à presidência. O de Bolsonaro, ainda mais à direita do que o de Collor.

As pesquisas do sábado à noite (Ibope e Datafolha) estavam certas.

Jair Bolsonaro é o presidente eleito. Teve mais votos do que a Dilma de 2014. Fernando Haddad, o segundo colocado, teve menos votos do que o Aécio de 2014.

O jogo democrático é assim. A oposição vai ter que se reinventar. Há uma necessária autocrítica a ser feita. Muitos de nós poderemos viver tempos sombrios.

Que Bolsonaro teremos na presidência? O da live que vimos assim que a vitória foi anunciada? Ou o do discurso lido em seguida, diante de um pool de emissoras de televisão? Um era diferente do outro.

A soma dos dois sugere muitas interrogações. Os personagens encarnados pelo agora presidente eleito sugerem muitas incertezas.

Em janeiro, Bolsonaro chega ao poder com um cheque em branco nas mãos.

O tempo dirá o que será do Brasil.

Jair Bolsonaro afronta as regras do jogo democrático

Em 1964, quando Jango foi deposto pelos militares, eu tinha cinco anos.

Em 1985, quando os civis voltaram ao poder, eu tinha 26.

Tinha 30 em 1989, quando votei para presidente pela primeira vez.

Agora em 2018, quando Jair Bolsonaro muito provavelmente vencerá a eleição, estou com 59.

De 1994 a 2014, tivemos seis disputas entre o PT e o PSDB.

O PSDB venceu somente as duas primeiras.

O PT, as demais.

Um sociólogo de esquerda, um herói da classe operária e uma mulher que atuou na guerrilha urbana chegaram ao poder.

Com seus erros e acertos, os dois partidos desempenharam papel importante na construção da democracia brasileira.

Com seus erros e acertos, o PT e o PSDB disputaram jogando o jogo democrático.

Em 2018, erram os que veem Bolsonaro e Haddad como lados opostos da mesma moeda.

Não são.

Eles são muito diferentes, disse Miriam Leitão num telejornal da Globo, logo depois do primeiro turno.

Suas fotografias são muito diferentes, vimos nitidamente no Jornal Nacional deste sábado (27).

Haddad representa um partido que atua no campo democrático, a despeito de todas as críticas (e são muitas) que possam ser feitas ao PT e aos seus dirigentes.

Bolsonaro se fez candidato defendendo ideias que apontam para rupturas da democracia.

Seu discurso de 11 minutos, numa live dirigida à multidão reunida domingo passado na Avenida Paulista, foi, ao longo dessa campanha, o mais fiel e assustador retrato do candidato.

Sua muito provável eleição, neste domingo (28), parece por em risco muitas conquistas da frágil democracia brasileira. Conquistas sociais, também notáveis avanços no campo do comportamento, da convivência com as diferenças.

Que Brasil sairá das urnas neste domingo?

Em que medida eleitores de Bolsonaro se sentirão chancelados a praticar as ideias que aquele a quem chamam de “mito” defende desde que se tornou homem público?

Comecei esse texto mencionando datas, falando sobre a passagem do tempo em nossas vidas.

Termino retornando ao início.

Em 1964, quando os militares depuseram Jango e jogaram o Brasil numa noite que durou 21 anos, eu tinha apenas cinco anos.

Cresci numa ditadura e sei como é uma ditadura.

Não quero morrer em outra.

Voto no Estadual de Jaguaribe. Estudei lá no tempo da ditadura

Para Yolanda Limeira, minha professora de História

Voto no velho Colégio Estadual de Jaguaribe, onde fiz meu ginásio na primeira metade dos anos 1970.

Entre os meus colegas, estavam Walter Galvão e os irmãos Pedro Osmar e Paulo Ró.

Éramos os “comunas” do colégio, disse certa vez Galvão num dos seus artigos.

A cada dois anos, entro no colégio para votar e lembro de muita coisa.

Éramos rapazes modestos, pobres mesmo, e estudávamos numa escola pública do bairro.

Tenho muitas lembranças daqueles anos. Algumas, péssimas.

Quando cruzo a grade do portão, em direção ao corredor onde ficam as salas de aula, tantas imagens voltam à minha cabeça.

Penso em subir no palco e olhar para o espaço (um auditório sem cadeiras) onde fazíamos os ensaios da banda marcial.

Penso em ótimos professores e professoras que tive. Mas também no clima de repressão que o regime militar impunha a todos.

Vou contar uma pequena história daqueles dias:

João Pessoa, início dos anos 1970.

Um colégio da rede estadual.

Os alunos, todos adolescentes, tinham dificuldades com o aprendizado da matemática e se queixavam da ausência de diálogo com a professora. Havia, certamente, erros e acertos dos dois lados, mas havia um conflito que necessitava de solução.

Sete alunos procuraram o diretor, um ex-padre que não se furtava ao diálogo. Ele recebeu cordialmente os garotos, ouviu as queixas, pareceu compreendê-las e disse que conversaria com a professora.

A conversa não deu resultado. Pelo contrário, ampliou o conflito.

A professora citou os nomes dos sete alunos durante a aula e anunciou que, a partir daquele momento, seria implacável com eles.

A professora de OSPB – provável aliada da colega – fez um contundente discurso sobre coação. Coação moral. Coação física.

Na véspera da prova trimestral de matemática, a professora foi clara:

“Não estamos mais em 68! Se vocês insistirem, serão denunciados ao Grupamento de Engenharia!”

O conflito fora ideologizado!

O garoto de 14 anos que tivera a ideia de conversar com o diretor voltou assustado para casa.

Horas depois, ouviu dos pais a solução: a partir do dia seguinte, não voltaria mais ao colégio. Perderia o ano, mas não correria o risco de ser entregue à repressão. 

Caetano é o mais à esquerda nessa hora de tanta turbulência

Há uns 30 anos, Gilberto Gil disse que ele e Chico Buarque eram de centro. Roberto Carlos e Maria Bethânia, de direita. E Caetano Veloso, o mais à esquerda de todos.

As pessoas não gostaram porque entenderam mal, mas Gil falava de estética. Não era de política.

Lembro disso agora vendo o engajamento de Caetano nesse momento de tamanha turbulência e tantos riscos que o Brasil atravessa.

Não é mais estética. É política mesmo. Ele é o mais à esquerda porque é o mais incisivo, o mais corajoso, o mais destemido. E essa coragem, esse destemor, Caetano vai buscar na sua liberdade. Uma liberdade notável que permitiu a esse grande artista brasileiro estar sempre à esquerda sem que seu pensamento estivesse preso à macrovisão da esquerda.

Nesta quinta-feira (25), em João Pessoa, vi pela terceira vez Ofertório, o show de Caetano com os filhos Moreno, Zeca e Tom.

Foi muito forte ver Caetano de perto a três dias de uma eleição presidencial que pode nos jogar na escuridão.

O “ame-o e deixe-o livre para amar”, da letra da canção de Gil que aparece logo no início do show, é o oposto do “ame-o ou deixe-o” dos tempos de Médici. Muita gente nem percebia, mas como era significativo na época dos Doces Bárbaros, meados dos anos 1970. Volta a ficar agora, em oposição ao discurso insano do candidato Bolsonaro, dirigido aos que estavam domingo na Avenida Paulista. Discurso de exclusão, de ameaça aos diferentes, de gravíssimos e insidiosos ataques à democracia.

O “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome” arranca o aplauso da plateia e faz Caetano chorar no palco, de tão atual que é, de tão permanente que continua sendo.

E tem o “quem cultiva a semente do amor/segue em frente e não se apavora/se na vida encontrar dissabor/vai saber esperar a sua hora”, esse samba bonito do grupo Revelação, que surge no final do show. Agora, dizendo muito mais do que dizia quando vi o show pela primeira vez, em janeiro.

Há um árduo trabalho a ser desenvolvido a partir de segunda-feira. Trabalho de muitos.

No artigo que escreveu para o New York Times, Caetano já disse que fará a parte dele. Vê-lo no palco, em instantes de imensa beleza ao lado dos filhos, é especialmente forte nesses dias que antecedem a eleição presidencial. Provoca júbilo por todo o amor reunido no encontro de família. E também nos toca muito profundamente quando faz pensar que, lá fora, há grandes ameaças às belezas do Brasil.

O que Ricardo Coutinho quer dizer é que o voto é contra Bolsonaro

Vou comentar um vídeo do governador Ricardo Coutinho que vi no Facebook.

Mas, antes, transcrevo algo que escrevi aqui em maio do ano passado, após a vitória de Macron na França:

Testemunhei recentemente uma conversa curiosa entre um petista e um não petista.

Falavam de cenários para 2018.

O petista perguntou ao não petista:

Se for Lula e Bolsonaro, você vota em quem?

E o não petista respondeu:

Em Lula, ora!

Aí foi a vez do não petista perguntar ao petista:

E se for um candidato de centro e Bolsonaro, você vota em quem?

E o petista respondeu:

Claro que voto nulo!

Neste domingo, enquanto acompanhava a eleição na França, lembrei da conversa.

A expressiva vitória de Emmanuel Macron sobre Marine Le Pen é um não categórico à direita mais atrasada que avança pelo mundo.

Seis meses atrás, os americanos, elegendo Donald Trump, não deram a resposta que os franceses deram neste domingo.

Ainda que Macron não seja o melhor, mas o menos ruim, venceu a França da República, da Democracia.

Em 2018, que lição o Brasil poderá tirar da derrota da direita na eleição da França?

A conversa que testemunhei entre um petista e um não petista aponta para a tremenda dificuldade que ainda temos de assimilar lições como a da França.

*****

O vídeo de Ricardo Coutinho é sobre esta questão.

O que o governador quer dizer na fala dele é que, neste momento, o voto deve ser contra Jair Bolsonaro.

O voto deve ser contra o que Jair Bolsonaro representa.

O voto deve ser contra os riscos que há na eleição de Jair Bolsonaro.

Não é um voto no PT.

Não é, nem mesmo, um voto em Fernando Haddad, que é um democrata.

É um não ao avanço das forças de extrema direita que estão a um passo da vitória.

Ricardo Coutinho dá uma declaração corajosa, que normalmente desagrada à militância de esquerda. Mas que é muito necessária.

Ele diz que votaria em Geraldo Alckmin, fosse este que estivesse disputando o segundo turno com Jair Bolsonaro. Ou em Álvaro Dias. Ou – até – em João Amoedo, de cujo programa discorda frontalmente.

O governador cita, então, o exemplo da França. Dos 60 por cento de eleitores que se uniram em torno de Macron, um candidato de centro, e derrotaram Le Pen, uma candidata de extrema direita.

A França e suas lições para o mundo.

Viva a República! Viva a Democracia!

Caetano Veloso e filhos hoje em João Pessoa. Confira set list

Caetano, Moreno, Zeca e Tom Veloso trazem o show Ofertório nesta quinta-feira (25) a João Pessoa.

A apresentação será às 21:30 no teatro A Pedra do Reino, do Centro de Convenções.

Segue o repertório:

Alegria, Alegria

O Seu Amor

Boas Vindas

Todo Homem

Genipapo Absoluto

Um Passo à Frente

Clarão

De Tentar Voltar

A Tua Presença Morena

Trem das Cores

Um Só Lugar

Alexandrino

Oração ao Tempo

Alguém Cantando

Ofertório

Reconvexo

Você me Deu

O Leãozinho

Gente

Ninguém Viu

Ela e Eu

Não me Arrependo

Um Canto de Afoxé Para o Bloco de Ilê

Força Estranha

How Beautiful Could a Being Be

Bis

Canto do Povo de um Lugar

Um Tom

Deusa do Amor

Tá Escrito

O amor aos Beatles não combina com o voto em Bolsonaro

All you need is love
All you need is love
All you need is love, love, love
Love is all you need

Feliz Natal! A guerra acabou! – diziam os cartazes que John Lennon e Yoko Ono mandaram afixar em grandes cidades do mundo.

Um pouco antes, John já cantara: Dê uma chance à paz!

John Lennon foi assassinado aos 40 anos num país onde é muito fácil comprar armas de fogo.

Paul McCartney é vegetariano. Cidadão engajado nas lutas em defesa dos animais.

Pacifista que deu as mãos ao Greenpeace e aos temas ambientais que afligem milhões de pessoas.

O ébano e o marfim – diz a canção – são harmônicos em sua vida tal como nas teclas do seu piano.

Dê-me amor, dê-me paz na Terra – cantava George Harrison, o beatle místico.

Os dedos em “V”, peace and love – é como Ringo Starr é visto até hoje em suas aparições públicas.

Os quatro Beatles são grandes figuras do seu tempo.

Sua música vem de longe – dos anos 1960 – e sobrevive no século XXI.

As melodias que compuseram.

As letras que escreveram.

As ideias que difundiram.

A liberdade de criação que levaram para o universo da canção popular.

A abordagem dos grandes temas de uma geração.

No mundo do pop/rock, há poucos como eles.

Ou melhor: não há ninguém.

A música dos Beatles pertence ao planeta.

A música dos Beatles pertence aos homens humanos.

A música dos Beatles é cheia de generosidade, de amor, de compreensão, de harmonia, de paz, de beleza, de poesia.

A música dos Beatles rejeita a violência, o racismo, os preconceitos, a intolerância.

A música dos Beatles confirma a crença num mundo melhor.

Custo a acreditar – por ser contradição profunda – que fãs ardorosos dos Beatles estejam declarando voto em Bolsonaro.

Mas estão.