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Em apoio a Bolsonaro, Let It Be vira Ele Sim. Afronta aos Beatles

Começo com um vídeo.

Paul McCartney cantando Let It Be ao vivo em Nova York.

Let It Be é uma das mais belas canções dos Beatles. Deu título também ao último LP do grupo, lançado em maio de 1970, e ao documentário que retrata os estertores do quarteto. Leva a assinatura Lennon/McCartney, mas foi composta somente por Paul McCartney.

Let It Be nasceu de um sonho. Num momento de aflição, Paul sonhou com sua mãe, Mary, que morreu de câncer quando ele tinha 14 anos. Ela disse a ele que não se preocupasse, que tudo daria certo. “Eu me senti abençoado por haver tido esse sonho”, conta o músico.

Sobre a canção, Hunter Davis, biógrafo oficial dos Beatles, escreveu:

“Lançada num single em março de 1970, antes de o próprio álbum sair, é de longe a música mais comercial do LP. Embora seja quase um pastiche de hino religioso, com alusões e conotações bíblicas como hora da escuridão e uma luz que brilha sobre mim e, claro, a imagem de sua mãe associada à de Nossa Senhora, é sincera e comovente. Hoje, quando Paul a toca, as luzes são diminuídas e o público em geral acende velas e isqueiros ou levanta celulares ligados. Quase se tem a impressão de estar num encontro religioso nessa hora”.

Na época em que os direitos sobre as canções dos Beatles estiveram nas mãos de Michael Jackson, Paul McCartney temia que sua canção fosse dessacralizada, transformando-se, por exemplo, em trilha de um comercial qualquer.

Não imaginava ele que, tantos anos depois, seria muito pior. Let It Be ganhou uma letra em Português, foi chamada de Ele Sim e é divulgada nas redes sociais em apoio ao candidato Jair Bolsonaro.

Guto Sállen assina a versão, cujo refrão diz: “Melhor Jair se acostumando, ele sim”.

Que tristeza. Let It Be, a bela balada de Paul McCartney, virou Ele Sim.