Cinema 14:05

Hitchcock era de 13 de agosto, mas foi um homem de sorte!

Já ouvi muita gente dizer que dá azar nascer no dia 13 de agosto.

Sempre que ouço essa conversa, lembro de dois nomes que desmentem a tese:

Fidel Castro era de 13 de agosto de 1926.

Alfred Hitchcock, de 13 de agosto de 1899.

Foram homens de sorte.

Mas vamos ao cineasta.

No dia do seu nascimento (há 119 anos!), escolho o Hitchcock da minha predileção e junto algumas palavras sobre Um Corpo que Cai.

Ou, no original, Vertigo.

Um Corpo que Cai é obra de um artista maduro.

Alfred Hitchcock estava perto dos 60 anos quando o realizou e já tinha feito quase todos os seus grandes filmes. Na Inglaterra e na América.

Mas era detestado por uma parcela considerável da crítica americana, que só enxergava seus méritos comerciais, e ainda não havia sido recuperado pelos críticos franceses da geração de François Truffaut.

Vertigo não tem nada de revolucionário. Não veio para reescrever gramática nenhuma, nem para transformar nada. Mas, a despeito de não ter provocado rupturas, exerceu uma gigantesca influência sobre muito do que se viu no cinema depois dele. Para o bem e para o mal.

Vertigo tem a assinatura de um realizador com total domínio do seu ofício.

Hitchcock conhecia há muito todos os segredos do cinema e fez um filme para ser contemplado. Em sua narrativa que se desenvolve lentamente, enquanto James Stewart segue Kim Novak pelas ruas de São Francisco. No tom onírico que justifica o que na trama atenta contra a verossimilhança.

Hitchcock pode ter feito dois ou três filmes tão bons quanto Vertigo em sua longa trajetória. Não mais.

Quando Vertigo bateu Cidadão Kane, de Orson Welles, numa dessas escolhas dos melhores filmes de todos os tempos, fiz a seguinte comparação:

Kane rompe.

Vertigo consolida.

Welles sacode.

Hitchcock entorpece.