Lançado há 50 anos, manifesto tropicalista tem Brasil de 68 e além

Em pé, ao fundo, estão Os Mutantes (Arnaldo Baptista com o contrabaixo, Rita Lee e Sérgio Dias com a guitarra) e Tom Zé.

Abaixo deles, sentado (entre Arnaldo e Rita) e com um retrato de Nara Leão, está Caetano Veloso.

Abaixo de Caetano, também sentados, estão o maestro Rogério Duprat (com um penico nas mãos), Gal Costa e Torquato Neto.

E, sentado no chão, está Gilberto Gil, com um retrato de José Carlos Capinam.

Esta é a capa do LP Tropicália ou Panis et Circenses, o manifesto do Tropicalismo.

Este é o elenco do disco.

A foto foi inspirada na capa do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, , dos Beatles.

O LP dos tropicalistas está fazendo 50 anos neste mês de julho de 2018.

Tropicália é um álbum conceitual. O ideal é ouvi-lo inteiro, da primeira à última faixa. Seu repertório traz o pensamento do Tropicalismo, suas ambições, seus desejos, seu projeto de retomada da linha evolutiva da música popular brasileira.

É também um retrato do seu tempo através da música. Flagra os impasses do Brasil de 1968 com muito mais propriedade e ousadia do que faziam os que estavam na esquerda resguardada pós Bossa Nova.

O poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia.

Brada Gil em Geleia Geral, cantando sobre os versos de Torquato.

Tropicália tem Baby, com Gal. Panis et Circenses, com Os Mutantes. Parque Industrial, com Tom Zé. Enquanto Seu Lobo Não Vem, com Caetano. Lindoneia, com Nara.

Tem os arranjos primorosos de Duprat. Os Beatles tinham George Martin? Os tropicalistas tinham Rogério Duprat.

Tropicália tem meio século. Bom ouvir como um álbum de 50 anos. Melhor ainda como um trabalho que atravessou o tempo, exercendo grande influência sobre muito do que veio depois.