Hoje é o Dia Mundial do Rock. Mas somente no Brasil!

Nesta sexta-feira (13), é comemorado o Dia Mundial do Rock.

A despeito do “mundial”, é uma data celebrada somente no Brasil.

Toma como referência o Live Aid, evento realizado no dia 13 de julho de 1985, reunindo grandes nomes do rock num concerto ao vivo.

Claro que há outras datas muito mais importantes na história do rock. O cinco de julho, por exemplo, porque é o dia em que Elvis Presley inventou o rock.

Foi assim: no dia cinco de julho de 1954, no estúdio da Sun Records, em Memphis, Elvis (aos 19 anos), o guitarrista Scotty Moore e o contrabaixista Bill Black gravaram “That’s All Right, Mama”. Na gravação, promoveram espontaneamente a fusão do R & B dos negros com o country & western dos brancos.

Essa fusão marca a invenção do gênero. Ela é o próprio rock’n’ roll.

Há muitos caminhos quando se quer falar sobre o rock. Aqui, escolhi os grupos que nos ajudam a compreender o fenômeno. Vamos a eles.

Grupos? Bandas? No passado, o público brasileiro chamava de conjuntos. Eram pequenas formações (três, quatro ou cinco elementos) comandadas por guitarras elétricas. Mais contrabaixo e bateria. No máximo, um teclado. Ou um saxofone.

Bill Haley and His Comets, Buddy Holly and The Crickets, Gene Vincent and His Blue Caps. Nos anos 1950, no advento do rock’n’ roll, os nomes indicavam que os músicos eram meros acompanhantes das estrelas.

Na década seguinte, vieram os grandes grupos, nos quais importava mais o conjunto do que os seus integrantes, embora, mais tarde, estes também tenham se projetado individualmente. Dentro ou fora das bandas a que pertenciam.

A fluidez melódica: Beatles. A presença do blues: Rolling Stones. O psicodelismo que desaguou no progressivo: Pink Floyd. O rock pesado: Led Zeppelin. A criação da ópera-rock: The Who. O conceito de power trio: Cream.

Seis grupos essenciais, seis fundamentos para quem quer se debruçar sobre a história e o papel desempenhado pelas bandas de rock. Está tudo nelas, dos rudimentos às maiores ousadias. E são todas inglesas.

Na América, os Byrds fundiram Beatles e Bob Dylan. O folk deste com as guitarras daqueles. Os Doors tinham no comando um cara que queria ser poeta: Jim Morrison. Sua personalidade, de tão forte, se sobrepôs ao sentido de grupo.

A década de 1960 resume tudo. Mas seguimos com Queen, Clash, Police, U2, Nirvana. Bandas que foram mudando o rock. A música, a atitude, o show, o negócio. Elas resistiram ao tempo, chegaram ao século XXI.

Para comemorar o Dia Mundial do Rock, listei álbuns que me são muito caros.

Todos gravados ao vivo.

BEFORE THE FLOOD – Bob Dylan e The Band

Dylan com The Band. Dylan sozinho ao violão. The Band sem Dylan. Em dois discos, um show vigorosíssimo, resultado da longa parceria do artista com o grupo canadense.

THE CONCERT FOR BANGLADESH – George Harrison e convidados

O beatle George recebe seus amigos (Dylan, Clapton, Russell, Preston, Ringo, Shankar) num concerto que angariou fundos para a população faminta de Bangladesh.

4 WAY STREET – Crosby, Stills, Nash & Young

David Crosby, Stephen Stills, Graham Nash e Neil Young estão juntos nesse álbum duplo com performances elétricas e acústicas. O que neles restou do sonho de Woodstock.

ELVIS AS RECORDED AT MADISON SQUARE GARDEN – Elvis Presley

Quando cantou em Nova York, em 1972, Elvis foi chamado de príncipe de outro planeta. O disco traz o registro integral de um dos seus shows no Garden.

JOPLIN IN CONCERT – Janis Joplin

Álbum duplo lançado dois anos após a morte de Janis Joplin. Reúne trechos de vários shows da grande cantora de carreira meteórica e vida muito curta.

HENDRIX IN THE WEST – Jimi Hendrix

Preciosos registros de Hendrix no palco. Um dos melhores dos muitos discos póstumos daquele que permanece na história do rock como o maior de todos os guitarristas.

MAD DOGS & ENGLISHMAN – Joe Cocker

Depois do sucesso em Woodstock, Joe Cocker fez uma excursão louca pelos Estados Unidos. Esse álbum duplo mostra como era, na íntegra, o show de Cocker e sua banda.

LIVE RHYMIN‘ – Paul Simon

Longe de Garfunkel, Paul Simon submete suas melodiosas canções e sua voz delicada e doce a novos formatos: do gospel dos negros americanos aos sons da América do Sul.

GET YER YA-YA’S OUT! – The Rolling Stones

Os Rolling Stones em concerto no Madison Square Garden, na excursão de 1969. Estão em plena forma numa apresentação vista e ouvida parcialmente no filme Gimme Shelter.

BRING ON THE NIGHT – Sting

Depois de integrar o power trio The Police, Sting partiu para a carreira solo. Nesse álbum ao vivo, trabalha com grandes músicos e mistura o seu rock com um sotaque jazzístico.

WINGS OVER AMERICA – Paul McCartney e Wings

Em meados dos anos 1970, McCartney e seu grupo, o Wings, percorreram a América com esse show registrado integralmente num álbum triplo. Em alguns números, Paul volta aos Beatles.

MADE IN JAPAN – Deep Purple

Vigoroso concerto com a mais importante de todas as formações do Deep Purple. Uma das bandas mais pesadas do rock, o Deep Purple fez aqui o seu melhor registro ao vivo.

YESSONGS – Yes

Um dos grandes grupos do rock progressivo, o Yes mostra o seu melhor nesse álbum triplo. Grandes números, virtuosismo vocal e instrumental, repertório antológico.