Venus and mars are all right tonight!

Vênus está aparecendo no poente, depois que escurece.

À exceção do Sol e da Lua, é o corpo celeste mais brilhante que vemos aqui da Terra.

Com algum esforço, pode ser observado até durante o dia, sem ajuda de nenhum aparelho ótico.

Numa região sem nenhuma luz artificial, chega a provocar sombras.

Marte está avermelhando as nossas noites.

Agora, mais perto da Terra, como não acontecia há uns bons 15 anos.

Olhe para o céu e procure.

Quando encontrar uma estrela vermelha de brilho intenso, não é uma estrela. É Marte!

Se quiser trilha sonora, ouça a canção de Paul McCartney.

Venus and Mars are all right tonight.

ORGASMO TOTAL! ORGASMO TOTAL!

Hoje (31) é o Dia do Orgasmo.

Nos anos 1970, tinha um disco chamado Super Eróticas. Só maiores de idade podiam comprar, e a capa vinha envolta em um plástico escuro. Saíram vários volumes. No primeiro, a faixa principal era Je T’ taime (Moi Non Plus).

Ousadia maior, mas pouco conhecida, foi a do casal John Lennon e Yoko Ono. No Wedding Album, tem uma longa faixa com a gravação dos dois fazendo sexo. Ela grita: John! E ele responde: Yoko! E assim por diante.

Em Homem, Caetano Veloso fala do que inveja nas mulheres:

Só tenho inveja da longevidade

E dos orgasmos múltiplos

Em Elegia, Caetano canta sobre versos de John Donne vertidos por Augusto de Campos e musicados por Péricles Cavalcanti:

Deixe que minha mão errante adentre

Atrás, na frente,

Em cima, embaixo, entre

Já em Medo de Amar No 2, o erotismo é com Simone, entre os gemidos da cantora:

E eu sinto o corpo mole

Eu quase que faleço

Quando você me bole e bole

E mexe e mexe

E me bate na cara

E me dobra os joelhos

E me vira a cabeça

Tem O Meu Amor, de Chico Buarque. Nas vozes de Marieta Severo e da estreante Elba Ramalho:

De me fazer rodeios

De me beijar os seios

Me beijar o ventre e me deixar em brasa

Desfruta do meu corpo como se o meu corpo

Fosse a sua casa

Roberto e Erasmo fizeram muitas canções eróticas ao longo dos anos 1970. Hoje, algumas parecem ingênuas. Como essa:

Cada parte de nós

Tem a forma ideal

Quando juntas estão

Coincidência total

Do côncavo e convexo

Assim é nosso amor, no sexo

De Rita Lee e Roberto de Carvalho, Mania de Você é outra que, com o tempo, ficou bobinha:

Nada melhor do que não fazer nada

Só pra deitar e rolar com você

E essa aí?

Orgasmo total! Até chegarmos ao orgasmo total!

Bem, essa é muito pouco conhecida!

Fecho com ela. Arrigo Barnabé.

Lourdinha Luna viu a História passando ao seu lado

Na infância e na adolescência, fui muito à praia do Cabo Branco.

Costumava ficar na frente da casa de Zé Américo.

De longe, avistava o ministro. Sozinho. Ou conversando com as visitas no alpendre. Algumas vezes, com Lourdinha Luna por perto.

Era a História viva que estava ali. E como testemunha privilegiada, Lourdinha Luna, que nos deixou na noite desta segunda-feira (30).

Lourdinha foi secretária de Zé Américo durante quase duas décadas. Ele morreu com ela ao seu lado, em março de 1980.

Lourdinha acompanhou o outono e o inverno da vida do autor de A Bagaceira.

Depois que ele se foi, viveu mais 38 anos.

Contou histórias que precisavam ser contadas, pois que eram essenciais para a nossa própria história. Mas usou filtros.

Filtros da sua consciência, dos seus limites éticos.

Lourdinha Luna morreu guiada por esses filtros. Foi fiel a eles. Fez como deveria ser feito.

Lançado há 50 anos, manifesto tropicalista tem Brasil de 68 e além

Em pé, ao fundo, estão Os Mutantes (Arnaldo Baptista com o contrabaixo, Rita Lee e Sérgio Dias com a guitarra) e Tom Zé.

Abaixo deles, sentado (entre Arnaldo e Rita) e com um retrato de Nara Leão, está Caetano Veloso.

Abaixo de Caetano, também sentados, estão o maestro Rogério Duprat (com um penico nas mãos), Gal Costa e Torquato Neto.

E, sentado no chão, está Gilberto Gil, com um retrato de José Carlos Capinam.

Esta é a capa do LP Tropicália ou Panis et Circenses, o manifesto do Tropicalismo.

Este é o elenco do disco.

A foto foi inspirada na capa do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, , dos Beatles.

O LP dos tropicalistas está fazendo 50 anos neste mês de julho de 2018.

Tropicália é um álbum conceitual. O ideal é ouvi-lo inteiro, da primeira à última faixa. Seu repertório traz o pensamento do Tropicalismo, suas ambições, seus desejos, seu projeto de retomada da linha evolutiva da música popular brasileira.

É também um retrato do seu tempo através da música. Flagra os impasses do Brasil de 1968 com muito mais propriedade e ousadia do que faziam os que estavam na esquerda resguardada pós Bossa Nova.

O poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia.

Brada Gil em Geleia Geral, cantando sobre os versos de Torquato.

Tropicália tem Baby, com Gal. Panis et Circenses, com Os Mutantes. Parque Industrial, com Tom Zé. Enquanto Seu Lobo Não Vem, com Caetano. Lindoneia, com Nara.

Tem os arranjos primorosos de Duprat. Os Beatles tinham George Martin? Os tropicalistas tinham Rogério Duprat.

Tropicália tem meio século. Bom ouvir como um álbum de 50 anos. Melhor ainda como um trabalho que atravessou o tempo, exercendo grande influência sobre muito do que veio depois.

Esgotados ingressos para Chico Buarque. Produção avalia segundo show

Não há mais ingressos para o show que Chico Buarque fará em João Pessoa no dia 18 de setembro.

Toda a lotação do teatro A Pedra do Reino foi vendida em apenas cinco dias, informou a produção.

Muito satisfeita com o público pessoense, a produção nacional do artista avalia agora a realização de um segundo show de Chico Buarque na cidade.

Este show seria realizado na quarta-feira, 19 de setembro, também no teatro A Pedra do Reino.

A VEJA NÃO ACABOU! FAKE NÃO PODE VIRAR NEWS!

Não gosto da Veja. Faz muito tempo. Décadas.

Sua importância? Sempre reconheci.

Seus métodos editoriais? São sórdidos.

Um marco do mau jornalismo que a revista faz? A capa com Cazuza.

A Veja entrou na pauta aqui da coluna por causa de posts que li nos últimos dias, sobretudo no Facebook.

Os textos davam conta do fim da revista. A VEJA ACABOU! – asseguravam, fazendo a linha do JÁ VAI TARDE!

Textos abjetos, devo dizer. Tão abjetos quanto aqueles que nos desagradam na Veja.

Textos mentirosos. A revista não acabou, a despeito da crise da Abril. Já ontem (29), vi na banca a edição com a capa sobre o crescimento de Bolsonaro.

O mais grave é que alguns desses textos sobre o fim da Veja foram postados no Facebook por jornalistas.

Jornalistas mentirosos? Sim! Lamentavelmente, sim!

Torcer pelo fim da Veja, eles até podem, embora, como jornalista, a gente lamente o fim de um veículo e o desemprego de centenas de profissionais. Mas usar uma rede social para difundir algo que não ocorreu, eles não devem.

FAKE NÃO PODE VIRAR NEWS!

Li algo parecido hoje (30) cedo numa matéria do G1 sobre um novo serviço de checagem de conteúdos suspeitos.

Pois é!

FAKE NÃO PODE VIRAR NEWS!

BIU RAMOS DO TEXTO IMPECÁVEL

O jornalista e escritor Severino (Biu) Ramos morreu neste sábado (28), em João Pessoa.

Tinha 79 anos e estava internado no Hospital Memorial São Francisco.

Conheci Biu no final da década de 1970. Entrei para a API quando ele era presidente da entidade.

Naquele momento, eu tinha grandes restrições a Biu por causa da postura dele em relação aos professores não paraibanos que vieram atuar na UFPb.

Somente alguns anos mais tarde mensurei a sua dimensão humana e profissional.

Não éramos íntimos. Ele era amigo de amigos meus. E foi por causa destes que estive perto de Biu, ouvindo suas histórias, aprendendo a admirá-lo.

Dizer que a imprensa paraibana fica mais pobre com a sua morte é um clichê. Mas é absolutamente verdadeiro.

Biu Ramos era um dos grandes. Um dos maiores que tivemos por aqui em nossas redações. Outros clichês de quem está procurando palavras que se aproximem do tamanho dele.

Texto jornalístico misturado com texto literário. Texto de altíssima qualidade. Era isso o que tínhamos em Biu. Fosse nas páginas dos jornais, fosse nos livros que publicou. Reportagem e literatura fundidas na reconstituição corajosa de crimes que abalaram a Paraíba. Biografias escritas com uma invejável fluência.

No começo, ainda muito jovem, foi um grande repórter no Correio da Paraíba de Teotônio Neto. Lá na frente, se transformou num excepcional colunista político. Era naturalmente polêmico, sabia provocar, sem nunca abrir mão do texto impecável que tinha.

No início dos anos 2000, convivemos nos corredores e salas da Rede Paraíba de Comunicação. Eu, chefe de redação da TV Cabo Branco. Ele, colunista do Jornal da Paraíba. Eu passava dos 40. Ele, dos 60. Foram ali nossas melhores conversas. Às vezes, com a presença de Erialdo Pereira, que comandava a equipe da TV e o levara para o jornal.

Um livro autografado por Zé Lins. Outro por Jorge Amado. Um disco de música erudita. Um comentário sobre a cena política. Ou sobre o novo filme de Vladimir Carvalho, seu amigo querido. Essas conversas eram preciosas. Estavam entre as melhores que a gente podia ter nas redações.

Sou de uma geração que aprendeu muito com elas.

E que teve o imenso privilégio de ser contemporâneo de jornalistas como Biu Ramos.

Mídia engana população sobre o eclipse total da Lua

A mídia costuma errar grosseiramente quando o assunto é astronomia.

Erra quase sempre por falta de conhecimento.

Raramente, há nas redações alguém que entenda minimamente do assunto.

Os que frequentaram assiduamente um observatório, os que cresceram perto de astronomia vão do riso ao mau humor quando leem, veem e ouvem matérias sobre os fenômenos celestes.

Essa minha conversa tem a ver com o eclipse total da Lua desta sexta-feira (27).

As informações divulgadas na mídia estão corretas? Muitas das que eu li até que estão. O problema, desta vez, é que o produto vendido é maior do que aquele que vai ser entregue ao “cliente” entre o final da tarde e o início da noite de hoje.

O mais longo eclipse total da Lua do século!

Lua de sangue!

E daí?

O que de fato veremos?

E em que condições?

Em primeiro lugar, eclipse total da Lua é um fenômeno que se repete tantas vezes no mesmo lugar que se torna banal.

Eclipse total do Sol é outra coisa. O último visto integralmente aqui na Paraíba foi em 1940!

Mas vamos ao lunar de hoje.

Quando o fenômeno começar, a Lua ainda não poderá ser vista no Brasil.

Quando despontar no horizonte, o observador brasileiro terá perdido parte significativa do eclipse.

Em cidades privilegiadas, onde a Lua “nasce” mais cedo hoje, como o Recife (às 17:15) e João Pessoa (às 17:16), o tempo de observação será maior.

Mas há um grande risco: a visibilidade prejudicada pela quantidade de nuvens que costumamos ter no horizonte das nossas praias.

Numa cidade como São Paulo, onde a Lua surge mais tarde no horizonte, as condições de observação serão certamente precárias.

O mais longo?

Com essa ou com aquela coloração?

Do ponto de vista da pessoa comum, que vê o fenômeno sem nenhum interesse científico, não faz muita diferença.

O eclipse total da Lua é um belo espetáculo?

Sim, só que bem menor do que diz a mídia.

O de 2015, por exemplo, foi de melhor observação do que o de hoje. Ocorreu quando a Lua já estava alta no céu, e o observador brasileiro pôde acompanhar do início ao fim.

No mais, para os que vão ver o eclipse, é torcer por um céu limpo no final da tarde desta sexta-feira.

Mick Jagger faz 75 anos. O tempo não espera por ninguém

No começo, 55 anos atrás, eram quatro músicos (duas guitarras, um baixo e uma bateria) acompanhando um rapaz magrinho que tinha um gestual incomum, mas ainda muito contido.

Faziam covers da música negra americana, logo substituídos por repertório autoral, e o cantor, que estava caligrafando sua assinatura, trocou qualquer traço de contenção por uma liberdade única, uma grande ousadia e um absoluto domínio do palco.

Estou falando, naturalmente, dos Rolling Stones e de Mick Jagger, que nesta quinta-feira (26) faz 75 anos.

Na década de 1960, os Beatles e os Rolling Stones eram pólos opostos de uma mesma cena.

Mas, ao contrário dos Beatles, os Rolling Stones puderam envelhecer juntos e ativos.

Brian Jones morreu. Mick Taylor passou pouco tempo. Bill Wyman deixou a banda. Ficaram Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ronnie Wood.

No estúdio, não fazem mais os grandes discos autorais do passado. No palco, são imbatíveis. Tão velhos quanto vigorosos. Sabem tudo do negócio multimilionário que comandam.

O show dos Rolling Stones é um ritual profano e politicamente incorreto que ainda exala muito do velho trinômio “sexo, drogas e rock and roll”.

E Mick Jagger é um extraordinário artista do seu tempo. Um branco fazendo (muito bem) música de preto.

Sua melhor música – rock, blues, soul, country, pop vulgar – está no passado.

Sua performance atravessou as décadas. Está no presente.

O jovem Sinatra flutuava no palco. Elvis requebrava com as câmeras a enquadrá-lo da cintura para cima. Jagger rebola, mexendo livremente os braços, correndo de um lado para o outro. Masculino e feminino. Singularíssimo.

A passagem do tempo?

Jagger abordou assim:

Éramos jovens, belos e tolos. Agora, somos só tolos.

Poderia ter completado:

Tolos, velhos e ricos!

O tempo não espera por ninguém, mas tem estado ao lado de Mick Jagger.

Temer é assombração do passado, diz Caetano Veloso

Ciro Gomes é o candidato de Caetano Veloso à presidência da república.

Nesta terça-feira (24), Caetano usou as redes sociais para postar um texto em que confronta as qualidades que vê em Ciro com os defeitos que enxerga em Michel Temer.

Segue o texto:

Ciro é explosivo, Temer é dissimulado.
Ciro busca união, Temer busca conchavos.
Ciro pensa no país, Temer pensa em si.
Ciro é nosso contemporâneo, Temer é assombração do passado.
Ciro tem vitalidade, Temer é um morto-vivo.
Ciro fala com coragem, Temer cala com astúcia.

Por tudo isso o blocão não encarou acertos com Ciro: o blocão, com Rodrigo ouvindo os conselhos do pai César (de quem gosto), não topou imaginar viver tão longe do ambiente a que o centrão está acostumado: o mundo de Temer. O blocão identifica-se com o centrão e rejeita mudança no mundo político. O que queremos? Um Brasil comandado por Alckmin amparado no centrão temerista? Ou curtir a cafajestada de Bolsonaro sob economia igualmente temerista?