Quer ouvir JAZZ? Veja esta lista

Trago hoje uma lista com discos essenciais do jazz, a mais importante manifestação da música popular do século XX. Misturo o que é consenso com o meu gosto pessoal. Antes, algumas definições.

Moacir Santos preferia o jazz ao rock porque suas células musicais são mais desenvolvidas. Numa conversa sobre Miles Davis e Thelonious Monk, Gilberto Gil me disse que o jazz é o homem no abismo da improvisação. Recorro, por fim, a Eric Hobsbawn, grande historiador: “não é um gênero autocontido ou imutável, não é uma linha divisória, mas uma vasta zona fronteiriça que o separa da música popular comum”.

Neste tipo de lista, não cabem coletâneas. Se coubessem, começaria com The Best of The Hot 5 & Hot 7 Recordings. Traz Louis Armstrong no início, nos apresentando aos fundamentos da improvisação e do canto jazzístico. Mas vou começar com um disco dele, numa escolha muito pessoal: Louis and the Good Book. É Satchmo maduro voltando a uma das suas fontes: os cânticos religiosos dos negros americanos.

De Armstrong para dois band-leaders: Duke Ellington e Count Basie. Do primeiro, compositor extraordinário, sugiro At Newport 1956. Do segundo, com seu piano econômico, April in Paris. Mas há muitos outros discos que nos ajudam a desvendar os timbres das suas orquestras.

Agora, as cantoras. Billie Holiday, a melhor de todas. Ella Fitzgerald, a mais clássica. Sarah Vaughan surge depois, já marcada por transformações pelas quais o jazz passaria a partir da década de 1940. Voltamos às coletâneas. Se elas estivessem valendo aqui, ficaríamos com The Master Takes and Singles, síntese generosa do que Billie gravou na Columbia em sua melhor fase. Mas vamos a um disco de carreira: Lady Sings the Blues. Ou Songs for Distingué Lovers. De Ella, fiquemos com The Cole Porter Song Book, a cantora em seu apogeu debruçada sobre Porter e suas canções. De Sarah, Sarah Vaughan with Clifford Brown. É superb, como dizem os americanos.

De Charlie Parker e Dizzy Gillespie, que revolucionaram o jazz com o bebop, ouçamos Bird and Diz. Ou o concerto histórico Jazz at Massey Hall. De Art Blakey, Moanin. De Cannonball Adderley, Somethin’ Else. De Charles Mingus, Pithecanthropus Erectus. De Dave Brubeck, Time Out. De Errol Garner, Concert by the Sea. De Gerry Mulligan, What Is There to Say?. 

De Gil Evans, Out of the Cool. De Herbie Hancock, Maiden Voyage. De John Coltrane,  A Love Supreme. De Keith Jarrett, The Köln Concert. De Oliver Nelson, The Blues and the Abstract Truth. De Oscar Peterson, Night Train. De Stan Getz e João Gilberto, Getz/Gilberto. De Thelonious Monk, Brilliant Corners.

Comecei com Louis Armstrong, o primeiro grande nome do jazz e talvez o seu maior símbolo. Termino com Miles Davis, o último dos seus gênios, autor de várias revoluções dentro do universo jazzístico.

Dele, três momentos distintos: Birth of the Cool, Kind of Blue e Bitches Brew. Os ortodoxos não aceitam Bitches Brew, que marca a fusão do jazz com o rock. Quem ouviu o rock antes do jazz geralmente não tem nenhuma dificuldade com a fusion capitaneada por Miles. Gosto de ouvi-lo por inteiro, com erros e acertos. Os discos ao vivo gravados com o quinteto dos anos 1960 são excepcionais. Falam com profundidade daquilo que Gil disse. Do homem no abismo da improvisação.