Cinema 7:46

The Post, agora em BD e DVD, faz pensar no papel da imprensa

Para quem gosta de edições físicas, é uma boa notícia:

The Post, de Steven Spielberg, já está nas lojas do Brasil em Blu-ray e DVD.

The Post é um Spielberg muito bom, mesmo que não se compare àquela meia dúzia de obras-primas que realizou.

Oportuno e necessário como contraponto às notícias falsas que abundam nas redes sociais.

Curioso. Fui ao cinema ver The Post no mesmo dia em que, num vídeo, o compositor Chico César defendeu a falência das emissoras de televisão e dos jornais brasileiros.

Discordar da linha ideológica de um veículo é uma coisa. Desejar o seu fechamento é outra muito diferente. Pior ainda é ignorar a importância da imprensa que nós temos, do jeito que ela é, com todos os seus defeitos, no nosso tão frágil processo civilizatório.

Há alguns anos, em O Terminal, Spielberg construiu dentro de um aeroporto uma metáfora sobre os medos da América pós 11 de setembro. Fez parecido quando atualizou a ficção de H.G. Wells em A Guerra dos Mundos.

Agora, em The Post, contando uma história do início dos anos 1970 (a publicação de documentos secretos do governo americano), conversa sobre o presente ao exaltar conquistas da grande imprensa que estão ameaçadas tanto pelo terremoto digital quanto pela chegada ao poder de gente como Trump.

A liberdade de imprensa que o mundo conhece não é possível nos regimes autoritários. Só nas democracias (sólidas ou não) do ocidente.

O filme de Spielberg faz uma defesa explícita desse modelo.

Os jornais que ele toma como parâmetros (o Washington Post e o New York Times) são representantes da elite americana tanto quanto são, da elite brasileira, O Globo, o Estadão ou a Folha.

O tema do feminismo, que tantos enxergam, é tratado a partir da herdeira de um grande jornal e não de uma militante de esquerda. Katharine Graham e o editor Ben Bradlee são os personagens centrais da trama.

Robert McNamara é outro personagem importante do filme. O documentário Sob a Névoa da Guerra, de 2003, apresenta McNamara aos que ainda não o conhecem.

Para muitos da minha geração, há algo de melancólico em The Post: um certo romantismo no fazer jornalístico que, por ser anacrônico, devolve o filme à época em que a história se passa.