Canção do Amor Demais faz 60 anos

Rua Nascimento Silva 107

Você ensinando pra Elizeth

As canções de Canção do Amor Demais

Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, está fazendo 60 anos.

Lançado pelo pequeno selo Festa, é um dos discos fundamentais da música popular do Brasil.

Sem ele, minha discoteca estaria incompleta.

Há muitas belezas nesse LP que a Divina lançou em 1958.

Há a grande voz e a percepção de que algo novo estava surgindo.

Vinda de um cenário de tradição, Elizeth intuíu que a novidade estava ali naquela coleção de canções.

Dois anos antes, em 1956, por causa do musical Orfeu da Conceição, Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes começaram a trabalhar juntos.

Vinícius já passara dos 40.

Jobim ainda não tinha 30.

Canção do Amor Demais é um disco inteiramente dedicado à nova parceria.

Digamos que é um pequeno songbook da fase inicial, muito camerística, da dupla Tom e Vinícius.

João Gilberto foi convidado a acompanhar Elizeth em duas faixas. Nelas (Chega de Saudade e Outra Vez), registrou pela primeira vez um jeito original de tocar o violão.

Era a batida da Bossa Nova, invenção dele, que logo depois, ainda em 1958, apareceria no 78rpm da Odeon em que João faria o seu histórico e definitivo registro de Chega de Saudade.

Em nove das 13 faixas, o disco de Elizeth tem o usual na parceria deles: Tom fazendo a música. Vinícius, a letra.

Mas tem Tom fazendo letra e música (As Praias Desertas, Outra Vez). Vinícius também (Serenata do Adeus, Medo de Amar).

Há ainda os arranjos primorosos de Jobim.

E uma série de joias do nosso cancioneiro (Eu Não Existo Sem Você, Estrada Branca, Modinha).

Canção do Amor Demais reúne belezas grandes e pequenas.

Ao juntá-las, nos oferece algo imprescindível.