CHICO BUARQUE FAZ SHOW EM JOÃO PESSOA EM SETEMBRO

Está confirmado:

Chico Buarque faz show em João Pessoa em setembro.

A cidade foi incluída no roteiro da turnê Caravanas, que passou pelo Recife no início de maio.

O show de Chico em João Pessoa será no dia 18 de setembro (uma terça-feira) no teatro A Pedra do Reino, do Centro de Convenções.

Chico Buarque não canta em João Pessoa desde os anos 1960.

A produção local não informou ainda o preço dos ingressos, nem quando começam as vendas.

Clint Eastwood é um reaça em áreas profundas da América

Clint Eastwood ficou famoso na década de 1960, atuando naqueles westerns horríveis de Sergio Leone.

Eram detestados na época. Foram cultuados mais tarde.

Também trabalhou com Don Siegel, mestre do filme B.

Foi quem colou nele a imagem de Dirty Harry, personagem politicamente incorreto do ágil thriller Perseguidor Implacável.

Quando dirigiu pela primeira vez, já tinha 41 anos.

Ninguém imaginava, com Perversa Paixão, que se transformaria num dos grandes diretores do mundo.

Fez quatro westerns muito bons. No primeiro, O Estranho Sem Nome, ainda parece demais com Leone.

No último, Os Imperdoáveis (Oscar de melhor filme e melhor diretor), redimensiona o tema da violência e ressuscita o western tomando como referência o próprio gênero.

Há quem diga que o western e o jazz são a melhor arte produzida pelos americanos. Eastwood ama os dois.

Sobre a música criada pelos negros da América, fez Bird, admirável cinebiografia do gênio Charlie Parker.

Um Mundo Perfeito é vigoroso road movie.

As Pontes de Madison é sensível melodrama.

Sobre Meninos e Lobos e Menina de Ouro são pequenas obras-primas.

A Conquista da Honra, Gran Torino e Sniper Americano se debruçam sobre deep areas dos Estados Unidos.

Invictus dá aula de política.

J. Edgar fala dos subterrâneos da política.

Clint Eastwood tem assinatura inconfundível. Faz cinema impecável e sem excessos. Muitas vezes, prefere o mínimo. Como a música que ele mesmo escreve para seus filmes.

Nesta quinta-feira (31), faz 88 anos.

Tinha revolução, sim!, nos Beatles de 68

Em 1968, os Beatles lançaram dois singles e um álbum-duplo com 30 canções novas.

Produziram muito para uma banda em fim de carreira.

Em março, o primeiro single do ano:

Lady Madonna, de Paul McCartney, no lado A.

The Inner Light, de George Harrison, no lado B.

Um rock de Paul e mais uma incursão de George pela música indiana.

Em agosto, o segundo single do ano, o primeiro na Apple, o novo selo do grupo:

Hey Jude, de Paul McCartney, no lado A.

Revolution, de John Lennon, no lado B.

Com Hey Jude, os Beatles colocaram no topo das paradas (e nas programações radiofônicas) uma canção que durava sete longos minutos.

Com Revolution, dialogaram com um dos temas cruciais daquele ano: a saída é pela violência ou pela não violência?

Mas foram ambíguos. A música teve duas versões. Numa, Lennon diz que sim aos que querem a destruição. Na outra, diz que não.

Por fim, em novembro, o álbum-duplo intitulado The Beatles. Depois conhecido como The White Album.

A capa é o oposto do Sgt. Pepper de um ano atrás. O excesso de rostos e cores é trocado pelo mínimo. O nome da banda e o número do exemplar sobre o branco.

Era John e a banda, Paul e a banda, George e a banda, Ringo e a banda. Quem disse foi John Lennon.

Projetos individuais reunidos numa grande colagem.

O reggae que o mundo ainda não conhecia direito aparece com pouco molho no hit Ob-la-di Ob-la-da, de Paul McCartney.

Na outra ponta, com a ajuda de Yoko Ono, John Lennon faz musique concrete em Revolution 9.

São extremos.

Entre eles, tudo é possível – revela o irresistível repertório do álbum.

Helter Skelter, de Paul, antecipa o metal.

Julia, de John, é apenas uma terna canção de amor filial.

Em While My Guitar Gently Weeps, George leva Eric Clapton, um deus da guitarra, para tocar com os Beatles.

Em Blackbird, Paul canta pelos direitos civis.

Em Yer Blues, John cita Dylan.

Há um “parabéns pra você”.

Há um “boa noite, durma bem”.

Há um convite ao sexo: “por que não fazemos aqui mesmo na estrada?”.

Há crítica social com os porquinhos vindos de Orwell.

Há tanta coisa mais!

Os Beatles são os melhores, mesmo que não sejam mais um grupo.

Estão nos estertores de uma trajetória tão curta quanto luminosa.

O Álbum Branco traz os Beatles de 1968. Há 50 anos.

O maestro e produtor George Martin achou excessivo.

Dois discos! Música demais! Poderia ser um disco só!

Ao que Paul McCartney respondeu:

Ora! É o Álbum Branco dos Beatles!

A ditadura militar vem de regiões profundas do ser do Brasil

Creio que a frase – mais ou menos assim – é de Caetano Veloso.

Era pronunciada no início dos anos 1990 durante os shows da turnê Circuladô.

A ditadura militar vem de regiões profundas do ser do Brasil.

Uma definição ontológica para a ditadura, me disse Jomard Muniz de Britto depois de ouvi-la.

A ditadura militar vem de regiões profundas do ser do Brasil.

Não sei se, cientificamente, ela se sustenta, mas gosto muito da frase.

O compartimento da minha memória onde ela está arquivada foi reaberto nos últimos dias.

A ditadura militar vem de regiões profundas do ser do Brasil.

Foi o que vimos nas rodovias bloqueadas, nas conversas com gente de esquerda e de direita e, sobretudo, nas redes sociais.

Uns defendem explicitamente a volta dos militares.

Outros temem, embora não queiram. Mas temem tanto que creem.

Alguns são psicopatas. Basta ver os vídeos e as mensagens de áudio. Não passariam num teste de sanidade mental.

Muitos estabelecem prazos e revelam estratégias. São expostos ao ridículo quando chega a hora da ação, e nada acontece. Felizmente.

No fundo, todos esses parecem confirmar a frase que não sai da minha memória.

A ditadura militar vem de regiões profundas do ser do Brasil.

Fiquemos com a democracia possível.

Frágil, precária. Mas a que temos.

Um governo impopular vive seus estertores.

Haverá eleições daqui a quatro meses.

Os eleitos nos representarão. Bem ou mal, nos representarão. Somos nós que vamos escolhê-los.

Os militares têm um papel constitucional a cumprir.

A ditadura militar vem de regiões profundas do ser do Brasil?

Pode ser que sim.

Que fique bem guardada. Como um desejo que não se tornará realidade outra vez.

Detesto Star Wars. Ou: Dia do Orgulho Nerd é coisa de um mundo imbecilizado!

Hoje (25) é o Dia do Orgulho Nerd!

Acham normal?

Eu não acho!

É apenas um dos muitos retratos possíveis do mundo doente e imbecilizado em que estamos vivendo!

A origem é uma piada: a data em que foi lançado, em 1977, o primeiro Star Wars.

Detesto Star Wars!

Sou contemporâneo de George Lucas antes de Star Wars.

Primeiro, THX 1138, belo e estranhíssimo filme de ficção científica.

Depois, American Graffiti. Sim! A serena poesia daquela noite de verão na Califórnia!

Aí veio Star Wars.

O primeiro episódio, que depois virou quarto. E que nós, no Brasil, chamávamos mesmo de Guerra nas Estrelas. Uma Nova Esperança, só muito mais tarde!

Por aqui, passou em março de 1978.

Vi na primeira sessão do primeiro dia, num Cine Municipal lotado.

Antônio Barreto Neto, nosso melhor crítico de cinema, escreveu no dia seguinte:

Ele (o filme) não ambiciona mais do que ressuscitar no espectador a ingênua sensação de torcer pelo triunfo do herói e pela derrota do vilão, como nas antigas matinês de domingo nos cineminhas de bairro da infância.

Disse mais:

Guerra nas Estrelas é uma súmula do velho cinema escapista de Hollywood. Um cinema assexuado e antisséptico, exuberante e descompromissado, feito com o propósito deliberado de satisfazer a uma necessidade vital do homem: a necessidade do mito. 

Nem Barreto me convenceu.

Nem Roger Ebert, que adorava Star Wars.

Essa coisa de gostar ou não gostar, às vezes não carece de explicação.

Vou fechar com uma lembrança:

George Lucas disse, certa vez, que queria fazer filmes como Star Wars para ganhar muito dinheiro e poder realizar filmes como THX 1138 e American Graffiti.

Bem, ele ficou bilionário com sua franquia, que, ao menos comercialmente, é um indiscutível marco do cinema.

Mas não cumpriu a promessa:

Nunca mais fez nada como THX 1138 e American Graffiti.

BOB DYLAN EM CINCO CANÇÕES

Bob Dylan faz 77 anos nesta quinta-feira (24).

Na música popular dos Estados Unidos, é o compositor mais importante da sua geração. Influenciou até os Beatles.

Do folk ao rock, da canção de protesto às dores individuais, do show business ao Nobel, Dylan está inserido no universo pop há pelo menos 55 anos (Blowin’ in the Wind é de 1963), mas ainda parece uma figura estranha a esse mundo.

Vê-lo/ouvi-lo continua necessário.

Segue Dylan em cinco canções essenciais.

BLOWIN’ IN THE WIND

LIKE A ROLLING STONE

JUST LIKE A WOMAN

FOREVER YOUNG

HURRICANE

 

Listas devem ter filmes antigos

Quando eu era adolescente, o grande crítico Antônio Barreto Neto me disse que é preciso conhecer os clássicos.

Que são eles que nos fazem entender o todo.

E que um filme só conquista esse status depois de uns 30 ou 40 anos.

Na época em que conheci Barreto, fui ao cinema ver Casablanca. Era o relançamento dos 30 anos.

Ainda não era um clássico. Muito menos uma unanimidade.

Listas com filmes novos têm muitos problemas. Em primeiro lugar, falta distanciamento. Ainda não há bons parâmetros de avaliação.

Também podem revelar que os autores não têm repertório. Só viram o cinema do tempo deles.

Ontem, fiz uma lista de dez filmes imprescindíveis.

Um leitor fez essa observação:

“Só há filmes antigos!”.

O mais recente – O Poderoso Chefão – tem 46 anos.

Pois é! Já pode ser chamado de clássico!

Outro leitor perguntou se não gosto de filmes novos. E se eu não faria uma lista com eles.

Respondo com uma brincadeira.

Peter Bogdanovich disse certa vez que todos os bons filmes já haviam sido feitos.

Provou que estava errado quando ele próprio realizou mais alguns!

Esses filmes são imprescindíveis!

Quais são seus dez filmes imprescindíveis?

Sempre que me fazem essa pergunta, verifico que a lista muda.

A de hoje, atendendo a um leitor, seria esta:

EM BUSCA DO OURO, Charles Chaplin

CIDADÃO KANE, Orson Welles

VIDAS AMARGAS, Elia Kazan

RASTROS DE ÓDIO, John Ford

UM CORPO QUE CAI, Alfred Hitchcock

A DOCE VIDA, Federico Fellini

AMOR, SUBLIME AMOR, Robert Wise e Jerome Robbins

ROCCO E SEUS IRMÃOS, Luchino Visconti

2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO, Stanley Kubrick

O PODEROSO CHEFÃO, Francis Ford Coppola

The Post, agora em BD e DVD, faz pensar no papel da imprensa

Para quem gosta de edições físicas, é uma boa notícia:

The Post, de Steven Spielberg, já está nas lojas do Brasil em Blu-ray e DVD.

The Post é um Spielberg muito bom, mesmo que não se compare àquela meia dúzia de obras-primas que realizou.

Oportuno e necessário como contraponto às notícias falsas que abundam nas redes sociais.

Curioso. Fui ao cinema ver The Post no mesmo dia em que, num vídeo, o compositor Chico César defendeu a falência das emissoras de televisão e dos jornais brasileiros.

Discordar da linha ideológica de um veículo é uma coisa. Desejar o seu fechamento é outra muito diferente. Pior ainda é ignorar a importância da imprensa que nós temos, do jeito que ela é, com todos os seus defeitos, no nosso tão frágil processo civilizatório.

Há alguns anos, em O Terminal, Spielberg construiu dentro de um aeroporto uma metáfora sobre os medos da América pós 11 de setembro. Fez parecido quando atualizou a ficção de H.G. Wells em A Guerra dos Mundos.

Agora, em The Post, contando uma história do início dos anos 1970 (a publicação de documentos secretos do governo americano), conversa sobre o presente ao exaltar conquistas da grande imprensa que estão ameaçadas tanto pelo terremoto digital quanto pela chegada ao poder de gente como Trump.

A liberdade de imprensa que o mundo conhece não é possível nos regimes autoritários. Só nas democracias (sólidas ou não) do ocidente.

O filme de Spielberg faz uma defesa explícita desse modelo.

Os jornais que ele toma como parâmetros (o Washington Post e o New York Times) são representantes da elite americana tanto quanto são, da elite brasileira, O Globo, o Estadão ou a Folha.

O tema do feminismo, que tantos enxergam, é tratado a partir da herdeira de um grande jornal e não de uma militante de esquerda. Katharine Graham e o editor Ben Bradlee são os personagens centrais da trama.

Robert McNamara é outro personagem importante do filme. O documentário Sob a Névoa da Guerra, de 2003, apresenta McNamara aos que ainda não o conhecem.

Para muitos da minha geração, há algo de melancólico em The Post: um certo romantismo no fazer jornalístico que, por ser anacrônico, devolve o filme à época em que a história se passa.

Dirty Work é o pior disco dos Rolling Stones. Sticky Fingers, o melhor

Enquanto os Rolling Stones estão em turnê pela Inglaterra, o The Guardian publica um ranking dos 23 álbuns do grupo, da estreia em 1964 até o disco de covers de blues lançado em 2016.

A matéria assinada por Alexis Petridis deixou de fora os discos ao vivo.

O pior disco dos Rolling Stones é Dirty Work, de 1986.

A lista, dos piores para os melhores, segue assim:

Bridges to Babylon, 1997

Voodoo Lounge, 1994

A Bigger Bang, 2005

Steel Wheels, 1989

Undercover, 1983

Os seis últimos trabalhos autorais realizados pelo grupo (de 1983 a 2005) são os piores da sua trajetória.

Ou: enquanto brilham no palco, os Stones estão esgotados no estúdio.

A lista prossegue:

Black and Blue, 1976

Their Satanic Majesties Request, 1967

It’s Only Rock’n’roll, 1974

Between the Buttons, 1967

Tattoo You, 1981

Emotional Rescue, 1980

Rolling Stones 2, 1965

Agora, os dez melhores:

10) Blue and Lonesome, 2016

9) Out of Our Heads, 1965

8) Goats Head Soup, 1973

7) The Rolling Stones, 1964

6) Some Girls, 1978

5) Aftermath, 1966

4) Let It Bleed, 1969

3) Beggars Banquet, 1968

2) Exile on Main Street, 1972

1) Sticky Fingers, 1971

Blue and Lonesome, de 2016, entrou na lista dos dez melhores. Mas não é autoral. É disco de covers.

Os quatro primeiros colocados sempre são esses. A escolha confirma que os Rolling Stones fizeram seus melhores discos entre 1968 e 1972.

Já faz tempo!