Música 6:04

“TRANSFORMAM O PAÍS INTEIRO NUM PUTEIRO!”

Se estivesse vivo, Cazuza faria 60 anos nesta quarta-feira (04).

Cazuza era um menino do Rio chamado Agenor.

O pai produzia discos. A mãe cantava.

Nasceu perto da MPB, mas se transformou num dos grandes nomes do rock dos anos 1980.

O Barão Vermelho tinha uma pegada meio Rolling Stones.

Só que havia algo em Cazuza que fazia a gente pensar em Lupicínio Rodrigues ou em Nelson Cavaquinho.

“Caetano gosta de pesquisar o passado da música popular brasileira. Eu também”, me disse numa agradável conversa no verão de 1989.

Cazuza como cantor da banda, ao lado da guitarra do parceiro Frejat.

Cazuza fora da banda, iniciando carreira solo.

Cazuza contaminado pelo HIV.

“Eu vi a cara da morte. E ela estava viva”.

A poesia contaminada pela doença.

Contaminada e tragicamente enriquecida.

“Ideologia? Eu quero uma pra viver!”

Ou: “Brasil, mostra a tua cara!”

Ou ainda: “transformam o país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro!”

Que coisa mais atual!

Cazuza morreu em 1990.

Tinha 32 anos.

Hoje, faria 60.

A música dele sobreviveu.

As palavras atravessaram o tempo.

Cazuza vive!

Viva Cazuza!