Criatividade de Belchior durou pouco. Ele viveu do passado

Nesta segunda-feira (30), faz um ano da morte de Belchior.

Dois boxes que reúnem nove CDs revelam que a criatividade do compositor durou muito pouco.

As duas caixas percorrem a discografia de Belchior entre 1974 e 1988 (apenas um título – Cenas do Próximo Capítulo – ficou de fora).

Com três discos, a primeira, lançada pela Universal pouco antes da morte do artista, soma-se agora à segunda, com seis CDs, que a Warner acaba de colocar no mercado.

O pequeno box da Universal, da série Tons, traz dois discos absolutamente dispensáveis (Melodrama, de 1987, e Elogio da Loucura, de 1988), mas é nele que está o momento mais importante da trajetória de Belchior, o imprescindível Alucinação, seu segundo disco, aquele que o projetou nacionalmente.

O box da Warner, chamado Tudo Outra Vez, vem com o disco de estreia, gravado em 1974 pela Chantecler, e os cinco discos que fez na Warner entre 1977 e 1982. Os dois últimos (Objeto Direto, de 1980, e Paraíso, de 1982), muito pouco representativos.

Na minha opinião, o ponto alto dos seus anos na Warner é o disco de 1979, aquele que começa com Medo de Avião.

Se você quer ter o melhor do autor de Como Nossos Pais, as duas caixas são indispensáveis.

Mas, tristemente, elas revelam como a criatividade do compositor durou tão pouco.

O conjunto, mesmo na melhor fase, já é irregular.

E o repertório que os fãs guardaram na memória afetiva veio todo dali, daquele curto período.

Depois, Belchior foi viver do passado.

Mantinha, com um público fiel, uma carreira regular de apresentações ao vivo, mas não havia nada de novo a acrescentar ao set list dos seus shows.

As grandes canções (e algumas são realmente grandes!) cabiam nos 90 minutos em que estava no palco.

Nelma Figueiredo, Cássio Cunha Lima e um mal-estar na PM

Nesta segunda-feira (30), faz um mês que morreu a jornalista Nelma Figueiredo.

Ainda é muito difícil conviver com a sua ausência física.

Lembro dela contando uma pequena história de redação.

O ano era 2008.

Estávamos na pequena TV O Norte, dos Diários Associados, afiliada Band em João Pessoa.

As limitações eram grandes, mas gostávamos muito do que fazíamos.

Naquela manhã, o governador Cássio Cunha Lima deu posse ao novo comandante da Polícia Militar numa solenidade na praça do Espaço Cultural.

Durante a posse, aconteceu algo que não estava programado, mas as equipes de reportagem não viram, ou simplesmente não entenderam.

Inclusive a nossa.

Explico: o coronel que deixava o comando fez um discurso marcado por ressentimentos, totalmente impróprio àquela solenidade, e provocou um tremendo mal-estar.

O resultado: no lugar de deixar o comando da PM para assumir a chefia da Casa Militar, ele foi direto para a reserva.

No início da tarde, fui avisado por nosso homem de política do que ocorrera e constatei que não tínhamos nada em nossa cobertura.

Eu era o editor chefe.

Nelma, a editora do jornal da noite.

Quando ela chegou para iniciar o trabalho de edição, pegamos as fitas e fomos ver o que havia.

O texto da repórter que cobriu a solenidade não fazia qualquer menção ao ocorrido. Um fato que acabou sendo mais importante do que a posse.

Começamos a verificar as imagens: uma cara feia aqui, um sobe som acolá, uns olhares esquisitos trocados entre os convidados, pequenos registros que talvez permitissem um milagre.

Foi aí que Nelma me perguntou: você confia na sua editora?

E eu respondi: mais ainda na repórter que há em você!

Então, deixe comigo! – ouvi dela.

Umas duas horas depois, fui chamado para ver o que tínhamos.

Tínhamos tudo!

Caramba!

Tínhamos tudo!

Nelma juntou cada imagem, cada fragmento, como se estivesse montando um verdadeiro quebra-cabeça.

Com seu faro aguçadíssimo de repórter, construiu o texto, gravou e – pronto! – estávamos salvos!

À noite, na hora do telejornal, ela entrevistou o novo comandante ao vivo, no estúdio, enquanto, na redação, testemunhei a reação dos oficiais que o acompanhavam diante da matéria que exibimos.

Ficaram impressionados com a qualidade do que fora ao ar, com a fidelidade e precisão com que contamos a história.

Bem, esta era Nelma Figueiredo!

Profissão: Repórter!

Ou (agora botando no pretérito uma brincadeira interna da TV Cabo Branco):

Nelma Figueiredo era mesmo o auge!

SEXTA DE MÚSICA: PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DOS PARAIBANOS

Jackson do Pandeiro, Sivuca, Geraldo Vandré, Elba Ramalho, Cátia de França, Antônio Barros, Zé Ramalho.

E os pernambucanos que vieram fazer música na Paraíba: Severino Araújo e Moacir Santos.

A Sexta de Música, minha coluna semanal na CBN, foi dedicada a eles.

Segue o áudio.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DO BARDO JUDEU ROMÂNTICO DE MINNESOTA*

Robert Allen Zimmerman é, nos Estados Unidos, o maior compositor popular de sua geração. E o mais influente. Até os Beatles foram influenciados por ele. Quando John Lennon trocou as letras ingênuas da Beatlemania por versos que falavam das suas dores, o fez por causa de Dylan. As marcas principais do que Bob Dylan criou estão nos primeiros anos da sua trajetória. O artista que ouvimos no início da carreira une a tradição folk à canção de protesto. E logo em seguida rompe com essas duas opções. Abandona o acústico e adota o elétrico e abre mão do discurso engajado para falar de si próprio. Se quisermos sintetizar assim a sua produção, já teremos um retrato fidelíssimo do que ele é.

Sete discos nos oferecem o melhor Dylan. De The Freewheelin’ (1963) a John Wesley Harding (1968). Entre os dois, temos Highway 61 Revisited e Blonde on Blonde. As questões cruciais do artista e sua obra estão neles. Mas é claro que há muito o que ouvir nos anos seguintes. De New Morning a Desire, de The Basement Tapes a Blood on the Tracks. E o ao vivo Before the Flood, em que divide o palco com o grupo The Band, que o acompanhou muitas vezes em estúdios e turnês.

Bob Dylan correu muitos riscos. Os primeiros, quando rompeu com a tradição folk e o engajamento político na América da primeira metade da década de 1960. Mas houve outros. De um, ao menos, ninguém esquece: o judeu convertido ao cristianismo na segunda metade dos anos 1970. Na década seguinte, voltou às origens e nunca mais cantou para Jesus. Assim é Bob Dylan. De cara limpa ou com o rosto todo pintado. Acústico ou elétrico. Engajado ou recolhido aos seus tormentos. Judeu ou cristão. Não importa. O que temos nele é um grande trovador do seu tempo. Com a beleza da voz nasal, da guitarra imprecisa e das imagens poéticas. Faltam respostas, mas o vento ainda está soprando ao seu lado.

* Quem chama Dylan de o bardo judeu romântico de Minnesota é Caetano Veloso, na letra de A Bossa Nova É Foda.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE BLOWIN’ IN THE WIND

Blowin’ in the Wind é um clássico da canção de protesto. Em 1963, quando Bob Dylan a gravou no álbum The Freewheelin, ela tinha uma força extraordinária. Atravessou o tempo e hoje evoca uma época. Seria ingenuidade continuar acreditando no poder transformador dos seus versos, mas eles não perderam a beleza nem a força poética. Até se tornaram mais bonitos porque agora remetem ao momento histórico em que foram escritos. É uma canção simples com acordes naturais que qualquer aprendiz conhece. A gravação, de curtíssima duração, tem apenas a voz nasal do autor, seu violão rústico e sua gaita de boca.

Stevie Wonder era um adolescente quando gravou Blowin’ in the Wind, em meados da década de 1960. A voz ainda estava em formação. Não era mais infantil, como quando começou a carreira, mas não tinha atingido os timbres do cantor adulto que o mundo inteiro conheceu mais tarde. Sua versão da canção de Dylan tira dela o sotaque folk e lhe acrescenta alguns adornos. Ela fica menos crua, menos dura. Tem a sonoridade da Motown, vira soul music. O original parece um rascunho que foi aperfeiçoado. Wonder pegou Dylan e o submeteu a uma espécie de caderno de caligrafia. Deu mais forma à canção.

Em 1992, Bob Dylan comemorava três décadas de carreira. 30 anos tinham se passado desde que lançara o primeiro álbum na Columbia. Um show em Nova York marcava a data. Dylan e seus amigos subiram ao palco do Madison Square Garden. E lá estava Stevie Wonder para cantar Blowin’ in the Wind. O ponto de partida não seria mais o original do autor, mas o registro que Wonder produzira na adolescência. Este serviria de base, ofereceria os parâmetros para uma nova releitura. Melhor, mais forte, mais bonita, mais emocionada. Uma performance que trazia a música para o presente e comentava a sua trajetória ao longo de três décadas, desde o seu lançamento.

Antes de cantar, Stevie Wonder fala. Sua fala soa como se fosse música. Os instrumentos o acompanham. O tema é a relevância daquela canção e a relação que pode ser estabelecida entre ela e os movimentos sociais e políticos das décadas que percorreu. Há algo de ingênuo no discurso, mas é comovente. Wonder fala como um pastor num púlpito, pregando ao som de uma banda gospel numa igreja da América. A pregação vai ficando mais alta, os fiéis gritam lá atrás, os instrumentos vão subindo. Até que tudo se transforma em música mesmo: “How many roads”. É Blowin’ in the Wind, a velha canção de protesto do jovem Dylan.

A melodia lembra o original, mas foi reescrita. Está cheia de variações, de improvisações, de inflexões que ninguém imaginaria ao ouvi-la no registro inaugural do autor. A letra é a mesma, mas as palavras parecem ganhar novos significados. Wonder passeia com elas pelos timbres da sua bela voz, dos graves aos agudos. Dialoga com o vocalista da banda, conversa com a plateia. Faz perguntas e ouve respostas. A canção cresce na medida em que é reinterpretada. O original está guardado em nossa memória. A versão de Stevie Wonder o recupera, trazendo-o de longe, daquele disco de 1963. Provoca um novo impacto. Não há como descrevê-lo. Só ouvindo.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO SABE TOCAR BLOWIN’ IN THE WIND

BLOWIN’ IN THE WIND

Bob Dylan

Intro:

     C
E|------------------------------------------|
B|-------1--------1---------1--------1------|
G|---0--------0---------0--------0----------|
D|-----2--------2---------2--------2--------|
A|-3------------------3---------------------|
E|----------3------------------3------------|


Primeira Parte:


Parte 1 de 4:
     C
E|------------------------------------------|
B|-------1--------1-------------------------|
G|---0--------0-----------------------------|
D|-----2--------2---------------------------|
A|-3----------------------------------------|
E|----------3-------------------------------|


Parte 2 de 4:

     F
E|------------------------------------------|
B|-------1--------1-------------------------|
G|---2--------2-----------------------------|
D|-----3--------3---------------------------|
A|------------------------------------------|
E|-1--------1-------------------------------|


Parte 3 de 4:

     C
E|------------------------------------------|
B|-------1--------1---------1---------------|
G|---0--------0---------0---------0---0-----|
D|-----2--------2---------2-----------------|
A|-3------------------3---------0---2-------|
E|----------3-------------------------------|


Parte 4 de 4:

     G
E|------------------------------------------|
B|-------0--------0--------0----------------|
G|---0--------0--------0-------0---0--------|
D|-----0--------0--------0------------------|
A|---------------------------0---2----------|
E|-3--------3--------3----------------------|

 C        F
How many roads
        C
Must a man walk down
   C        F          C
Before you call him a man
         C        F
Yes and how many seas
         C
Must a white dove sail
             F            G
Before she sleeps in the sand
         C        F
Yes and how many times
      C
Must cannonballs fly
                F       G
Before they're forever banned


Refrão:


Parte 1 de 4:

     F
E|------------------------------------------|
B|-------1--------1-------------------------|
G|---2--------2-----------------------------|
D|-----3--------3---------------------------|
A|------------------------------------------|
E|-1--------1-------------------------------|


Parte 2 de 4:

     G
E|------------------------------------------|
B|-------0--------0-------------------------|
G|---0--------0-----------------------------|
D|-----0--------0---------------------------|
A|------------------------------------------|
E|-3--------3-------------------------------|


Parte 3 de 4:

     C
E|------------------------------------------|
B|-------1----------------------------------|
G|---0-------0---0--------------------------|
D|-----2------------------------------------|
A|-3-------3---2----------------------------|
E|------------------------------------------|


Parte 4 de 4:

     Am7
E|------------------------------------------|
B|-------1--------1-------------------------|
G|---0--------0-----------------------------|
D|-----2--------2---------------------------|
A|-0--------0-------------------------------|
E|------------------------------------------|



        F        G
The answer, my friend
     C          C/B  Am7
Is blowin' in the   wind
    F           G             C
The answer is blowin' in the wind


F  G  C  C/B

Am7  F  G  C


Repete a Primeira Parte:

      C        F
Yes, how many years
        C
Must a mountain exist
              F             C
Before it is washed to the sea
         C        F
Yes and how many years
          C
Can some people exist
                  F            G
Before they're allowed to be free
         C        F
Yes and how many times
        C
Must a man turn his head
                  F               G
And pretend that he just doesn't see


Repete o Refrão:


        F        G
The answer, my friend
     C          C/B  Am7
Is blowin' in the   wind
    F           G             C
The answer is blowin' in the wind


F  G  C  C/B

Am7  F  G  C


Repete a Primeira Parte:

      C        F
Yes, how many times
        C
Must a man look up
               F               C
Before he can really see the sky
         C       F
Yes and how many ears
     C
Must one person have
               F            G
Before he can hear people cry
         C        F
Yes and how many deaths
         C
Will it take till he knows
               F           G
That too many people have died


Repete o Refrão:

        F        G
The answer, my friend
     C          C/B  Am7
Is blowin' in the   wind
    F           G             C
The answer is blowin' in the wind

Não acompanhar a cena cultural não descredencia o jornalista

Gente ligada à cena cultural (sobretudo a musical) de João Pessoa – artistas, produtores, público – me critica porque não vou aos shows dos artistas e grupos que estão em evidência na cidade.

Mais do que isso: porque não conheço o trabalho deles.

Em alguns, a queixa exposta nas redes sociais é cordial, civilizada.

Em outros, é grosseira, agressiva.

Alguém até sugeriu, com muito senso de humor, uma campanha que poderia ser chamada de Sílvio Osias saia de casa. Ou coisa parecida.

Vou confessar: me senti mais importante do que na verdade sou.

Sim. Porque sou apenas um jornalista.

Passei 40 anos dentro de redações, vivendo do meu salário, sem nunca ter recorrido (como alguns) a métodos duvidosos para ganhar (muito) dinheiro. E hoje, aposentado e chegando ao limiar da velhice, continuo fazendo o que sempre fiz: escrevendo.

Um comentário chamou minha atenção porque dizia que a ausência descredencia minha opinião.

É necessário falar sobre isto.

O autor do comentário pretendia descredenciar minha opinião em relação a outros assuntos. Não só àqueles relacionados à atual cena musical pessoense. É o que está dito no post.

Já disse e vou repetir: não sou obrigado a acompanhar esta cena musical.

O que não posso fazer é escrever sobre o que não vi, sobre o que não conheço. E isto, nunca fiz.

Para comentar a letra de uma canção de Chico Limeira (ouvi a música, vi o video, li a letra) ou para dizer que Seu Pereira não soube tocar Blowin’ in the Wind à guitarra (vi o vídeo), sejamos honestos, não preciso ir ao show deles.

Não conheço o trabalho dos dois.

Vi Chico Limeira e Seu Pereira pela primeira vez na homenagem que fizeram aos 30 anos das afiliadas da Rede Globo na Paraíba. Eles encerraram dois dos três especiais chamados Tempo de 30, exibidos no ano passado pelas TVs Cabo Branco e Paraíba.

De Chico, ouvi rapidamente algumas canções e gostei muito. De Seu Pereira, nunca ouvi nada.

Não escreverei, portanto, sobre o trabalho deles. Até que os conheça. Se, um dia, os conhecer. Se quiser conhecê-los. Com a liberdade de escolha que todos nós, jornalistas ou não jornalistas, temos.

Já atuei profissionalmente acompanhando a cena cultural da cidade. Os que hoje querem me descredenciar nem eram nascidos. Há muitos anos, deixei de acompanhar. Não tenho interesse.

Hoje, quem tem dever profissional de ver tudo é Gi Ismael, jovem repórter da TV Cabo Branco que todos os sábados diz na telinha qual é a boa na cidade.

Eu, não!

O tempo e a experiência me deram a liberdade de escolher sobre o que escrevo.

E escrevo sobre o que conheço.

Esses jovens açodados que escrevem tolices nas redes sociais me remetem a jovens açodados de 30 ou 40 anos atrás. Como não havia redes sociais, eles falavam tolices semelhantes na mesa de bar.

Hoje, cinquentões, votam em Bolsonaro!

Transferiram a intolerância e o ódio deles da esquerda para a direita!

“Música paraibana atualmente: SEU PEREIRA. Imprensa paraibana atualmente: FABIANO GOMES”

Eduardo Suplicy cantou Bob Dylan num show de Seu Pereira, em São Paulo.

Aqui na coluna, nesta segunda-feira (23), disse que senti vergonha alheia ao ver o músico “apanhando” na hora de acompanhar Suplicy à guitarra.

E expliquei: Blowin’ in the Wind é tão rudimentar, do ponto de vista harmônico, que a gente aprende nos primeiros contatos com o instrumento.

Muitos leitores se manifestaram, e vou transcrever (mantendo os erros) alguns comentários que chamaram minha atenção:

MEDIOCRIDADE É FAZER TEXTÃO PARA CRITICAR UMA IMPROVISAÇÃO.

MEDIOCRIDADE MESMO!!!

QUANDO O OSTRACISMO COMEÇA A ABRAÇAR, A SAÍDA É CRIAR POLÊMICA EM TORNO DA IRRELEVÂNCIA.

MEDÍOCRE!

CARA, TU, NA SUA SANTA IGNORÂNCIA, (SERÁ MESMO IGNORÂNCIA?) DEVERIA FICAR CALADINHO POIS TU NEM SABE QUEM É SEU PEREIRA, TU NEM SABE A POSIÇÃO QUE ELE TEM NA CONJUNTURA CULTURAL PARAIBANA, TU É UM COVARDE, MEDÍOCRE E BABACA.

AH, E A IMPRENSA PARAIBANA É ISSO AÍ MESMO. VENDIDA, ULTRAPASSADA, MEDÍOCRE, BABACA, UMA MERDA SEM SERVENTIA. VOCÊS SÃO A ESCÓRIA DESSE ESTADO. É POR ESSAS E POR OUTRAS QUE O FUTURO DE VOCÊS É A SARJETA.

TAIS SEM ASSUNTO É? ESTUDASSE JORNALISMO PRA NO MÁXIMO FAZER ESSE TIPO DE MATÉRIA? FALA SÉRIO. ESSA VERGONHA TU PASSOU NO DÉBITO OU NO CRÉDITO?

JORNAL DA PARAÍBA, MELHORE VIU? QUE FOFOQUEIRO PÉSSIMO. TÁ FALTANDO JORNALISMO NA CIDADE?

MÚSICA PARAIBANA ATUALMENTE: SEU PEREIRA. IMPRENSA PARAIBANA ATUALMENTE: FABIANO GOMES. ISSO DIZ TUDO.

OLHA O NÍVEL DO PROFISSIONAL DE JORNALISMO PARAIBANO.

O MOÇO QUER IBOPE. É NÍVEL SÔNIA ABRÃO. REVESTINHAS SEM QUALIDADE. ELE QUIS APARECER UM POUCO. ELE SÓ É LEMBRADO QUANDO MANDA ALGUM DESSES TEXTINHOS CRITICANDO ALGUÉM QUE ESTÁ NA MÍDIA. ALGUÉM INTELIGENTE COMO PEREIRA.

Ô BIICHAA. DÊ UM TEMPO NA PASSAÇÃO. NÃO TEM NEM TRÊS MESES DESDE A ÚLTIMA VERGONHA, PERAÍ QUE ASSIM NÃO DÁ NEM PRA RESPIRAR.

SIVIM, TU É MAL COMIDO PRA CACETE.

TODA VEZ QUE ALGUÉM FALA EM SÍLVIO OSIAS EU JÁ FICO PENSANDO QUAL FOI A VERGONHA QUE ELE SE PASSOU AGORA.

SÔNIA ABRÃO CHAMA ELE COITADO!!

EU SEI, E TODOS NÓS SABEMOS, COMO SE CHAMA ISTO: DITADURA VELADA.

MERECE NEM MUITOS COMENTÁRIOS, POIS ESTÁ NA CARA O RECALQUE. 

PARABÉNS PELO TEXTO, FIQUEI IMPRESSIONADO COM A CAPACIDADE DE FALAR TANTA MERDA, SE GARANTIU. 

SEU PEREIRA NO INSTAGRAM:

AÍ MINHA IRMÃ ME LIGA ESTRESSADA DIZENDO QUE O JORNALISTA SÍLVIO OSIAS (O MESMO DA POLÊMICA DA CANÇÃO IMPRÓPRIA DE CHICO LIMEIRA) ESTAVA CRITICANDO O MEU DESEMPENHO COMO GUITARRISTA AO (TENTAR) TOCAR BOB DYLAN PRA EDUARDO SUPLICY CANTAR, ONTEM NA AV. PAULISTA. PEDI PRA MINHA IRMÃ RELAXAR. AFINAL, É SER MUITO RUIM NA GUITARRA PRA NÃO SABER TOCAR AQUELA CANÇÃO DE DYLAN (NÃO LEMBRO O NOME AGORA). DIZER O  QUE. NÃO TEM DEFESA. EU REALMENTE SOU MUITO RUIM NA GUITARRA. MAS TÁ TUDO BEM.  

Não conheço o trabalho de Seu Pereira. Só ouço elogios.

Não falei mal do trabalho dele.

Disse apenas que ele “apanhou” para acompanhar Suplicy.

Os comentários postados no Facebook são muito interessantes porque, para além do episódio, falam de intolerância, ódio, desrespeito, dificuldade com o contraditório, despreparo para a critica, até homofobia, etc.

Com mais de 40 anos de profissão, 59 de idade, aposentado há uma ano, não tenho obrigação de acompanhar a cena cultural da cidade.

Escrevo sobre o que quero com a liberdade que tenho para isso.

Suplicy canta Dylan de novo, e Seu Pereira “apanha” na guitarra!

Já admirei muito o casal Suplicy.

Eduardo e Marta.

Ela, dando aulas de sexo nas manhãs da Rede Globo.

Um dia, ouvi de um homem de grande experiência: não passa de uma perua!

Não acreditei.

Bem, mas Marta – perua ou não – acabou “morrendo” para mim. Naquele episódio de campanha em que houve a insinuação de que o adversário era gay.

E Eduardo?

Sempre me pareceu um freak, daqueles dos anos 60.

Um amigo que sabe tudo de política definiu assim: “freak nada, é a UDN do PT!”

Eduardo Suplicy adora cantar Blowin’ in the Wind.

Se der cabimento, ele canta.

Já o fez até no Senado, quando lá estava.

E – se não estou enganado – no show de Joan Baez, ao lado da musa da protest song.

Sua performance mais recente do clássico de Dylan foi no show do grupo paraibano Seu Pereira, na Avenida Paulista.

Uma voz horrível, a acabar de novo com a canção do jovem Zimmy.

E uma guitarra a acompanhá-lo.

Vou confessar: Suplicy cantando Bob Dylan não me surpreende mais.

Já vi tantas vezes que deixei de sentir vergonha alheia.

O que chamou minha atenção, agora, foi a guitarra do grupo paraibano.

Caramba!

O cara não sabe os quatro ou cinco acordes da canção.

Aí, sim, senti vergonha alheia.

Essa música é tão rudimentar, do ponto de vista harmônico, que a gente aprende nos primeiros contatos com o instrumento.

Para mim, o cara “apanhando” na guitarra foi mais engraçado e divertido do que a canja de Suplicy.

Pobre Dylan!

Nelson vê Tom. O Cinema Novo abraça a Bossa Nova

Estive com Nelson Pereira dos Santos em 2008, nos bastidores de um programa de televisão. Perguntei, e o homem que fez Vidas Secas respondeu que Vinhas da Ira, de John Ford, foi o filme que mais o influenciou na adaptação do livro de Graciliano Ramos para o cinema.

A conversa mudou de foco: ele disse que estava trabalhando num projeto sobre Antônio Carlos Jobim. Queria contar a história do maior compositor popular brasileiro na ótica das mulheres com quem se casou, Teresa Hermanny e Ana Lontra, e da irmã, Helena. O documentário se chamaria As Mulheres de Tom, título que não agradava à família. Algum tempo se passou até a estreia de A Música Segundo Tom Jobim.

O filme que Nelson Pereira dos Santos realizou em parceria com Dora Jobim não tem nada a ver com a ideia inicial de dar voz às mulheres que marcaram a vida do músico. Aquele projeto, depois realizado e chamado de A Luz do Tom, deu lugar a um perfil de Tom montado a partir da sua música.

Não há narrador, nem entrevistas, nenhum texto falado. Somente as canções. Elas se sucedem, numa ordem mais ou menos cronológica, e sintetizam a trajetória de Jobim, de Orfeu da Conceição, que inaugurou em 1956 a parceria com Vinícius de Moraes, ao carnaval de 1992, quando foi homenageado pela Mangueira. É um luxo. Um dos maiores cineastas do Brasil debruçado sobre o cancioneiro de Antônio Carlos Jobim.

O tempo passou, e quis o destino que, na velhice, Nelson Pereira dos Santos fizesse um filme sobre Antônio Carlos Jobim. Esta é uma das belezas que A Música Segundo Tom Jobim revela só para alguns. Se buscarmos o olhar da época, veremos que o Rio de Nelson não parecia ser o Rio de Tom. A partir do próprio título, Rio Zona Norte seria o avesso da Bossa Nova, que nasceu na Zona Sul. Mesmo que espectadores de um fossem ouvintes do outro, isto não era tão consensual assim entre o fim dos 50 e o início dos 60 do século passado. Uma questão resolvida a tempo, felizmente, de vermos um grande representante do Cinema Novo realizando um filme sobre Tom Jobim.

Quem passou a vida toda ouvindo Jobim se deleitará com o filme, que ousa ao abdicar da palavra falada. O que vemos e ouvimos nos é muito caro. Até as imagens de Jean Manzon, a quem tanto detestávamos, são redimensionadas e nos levam a um passeio pelo Rio de décadas atrás. São elas que começam a contar a história de Tom.

O encontro com Vinícius, Orfeu da Conceição, a Sinfonia da Alvorada, a Bossa Nova, o Carnegie Hall, o mundo. Nenhum compositor popular brasileiro tem a dimensão de Jobim, nenhum obteve similar reconhecimento internacional. Ninguém escreveu tantas canções tão grandes quanto as dele – nos diz, sem textos e sem falas, o filme de Nelson Pereira dos Santos.

De Elizeth Cardoso a Frank Sinatra, todos cantam Jobim. Gal Costa o introduz com Se Todos Fossem Iguais a Você. Elizeth faz Eu Não Existo Sem Você, e João Gilberto, no lado esquerdo da tela, acompanha a Divina ao violão. Os dedos de Oscar Peterson deslizam sobre o piano em Wave.

Somos levados a um mundo que só existe na nossa memória.

O título é A Música Segundo Tom Jobim. Mas, na verdade, o filme é a música de Tom Jobim segundo Nelson Pereira dos Santos. Ou um retrato do artista tirado pelo cineasta através das canções.

Tom pela luz dos olhos de Nelson.