Tônia Carrero será lembrada pelo que fez na televisão

Tônia Carrero morreu no fim da noite deste sábado (03), no Rio de Janeiro.

Internada desde sexta-feira numa clínica particular, a atriz estava fazendo uma pequena cirurgia quando teve uma parada cardíaca.

Grande dama do teatro, cinema e televisão, Tônia tinha 95 anos e não atuava mais.

Em 1982, levei Paulo Autran para conhecer o Espaço Cultural, ainda em obras. O ator era reconhecido nas ruas. As pessoas gritavam: “Baldaracci!”, nome de um personagem que viveu na televisão. Autran tinha uma queixa: “Fiz teatro a vida inteira e as pessoas só sabem quem eu sou por causa de uma novela”.

Como Autran, Tônia Carrero foi uma grande atriz de teatro. Com o cinema dos tempos da Vera Cruz, ganhou projeção nacional, mas as pessoas lembram dela principalmente por causa das novelas da Globo.

Tônia fez mais teatro do que cinema e televisão juntos, embora sua estreia tenha sido na tela grande. Foram 54 peças, 19 filmes, 15 novelas.

Nome fundamental da história do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), no palco ela foi de Pirandello a Sartre, de Shakespeare a Plínio Marcos.

Na foto, Paulo Autran e Tônia Carrero fazem Macbeth.

A atriz foi casada com Adolfo Celi, ator e diretor italiano que veio para o Brasil e atuou no teatro e no cinema.

A televisão só entrou em sua vida quando já tinha quase 50 anos.

Era de uma geração de admiráveis atores e atrizes que migraram do palco para as telenovelas.

E é por causa destas que será lembrada hoje por milhões de brasileiros que lamentam a sua morte.

Grandes vencedores do Oscar de Melhor Filme. Uma lista pessoal

A festa do Oscar é domingo (04).

Confesso que não gosto tanto, mas não posso negar a importância.

Sou dos cinéfilos que preferem Cannes.

De todo modo, vi coisas inesquecíveis no Oscar.

Uma delas: o retorno de Chaplin à América.

A imagem do gênio se sobrepunha à hipocrisia da homenagem.

Também vi momentos detestáveis: os que ficaram de costas para Elia Kazan.

Ali, para os que protestaram, a obra não se sobrepôs ao episódio da delação.

A esquerda de Hollywood não teve com Kazan a tolerância que a direita teve com Chaplin.

Para entrar no clima, faço hoje a minha lista dos grandes vencedores do Oscar de Melhor Filme.

CASABLANCA

A MALVADA

SINFONIA DE PARIS

SINDICATO DE LADRÕES

SE MEU APARTAMENTO FALASSE

AMOR, SUBLIME AMOR

A NOVIÇA REBELDE

PERDIDOS NA NOITE

O PODEROSO CHEFÃO

AMADEUS

OS IMPERDOÁVEIS

A LISTA DE SCHINDLER

Quer dizer que é para jogar fora os discos de Fagner?

Leram Farenheit 451, de Ray Bradbury?

Viram Farenheit 451, de François Truffaut?

Livro e filme falam de um mundo totalitário, no futuro, onde os livros são proibidos.

A ordem estabelecida é ameaçada por quem os tem em casa.

Eles são queimados pelos bombeiros.

Postagens nas redes sociais me trazem a lembrança de Farenheit 451.

Fagner – sim, o cantor cearense – é coxinha, verifiquei num desses posts.

Os discos dele, portanto, são lixo, porcaria.

Devem ser jogados fora.

Fagner, confesso, nunca esteve entre os meus artistas preferidos, mas gosto muito dos discos que ele gravou na década de 1970.

A sugestão de que é para jogá-los no lixo me estarrece.

Precisamos, então, pedir atestado ideológico ao artista antes de ouvi-lo?

Ou: só podemos gostar da música se tivermos – ouvinte e artista – o mesmo perfil ideológico?

Encerro com o Fagner que, para mim, permanece essencial.

Manera Frufru, Manera 

Ave Noturna

Raimundo Fagner

Orós 

Quem Viver Chorará

Beleza