Cinema 7:04

Truffaut foi salvo pelo cinema

Se estivesse vivo, François Truffaut teria feito 86 anos ontem (06).

Morreu aos 52, em 1984.

Truffaut foi salvo da marginalidade pelo cinema.

Primeiro, a própria descoberta do cinema.

Em seguida, a crítica.

Na crítica, a obsessão de provar ao mundo que os americanos estavam errados quando reduziam Alfred Hitchcock a um mero realizador de filmes comerciais.

Quando trocou a máquina de escrever pela câmera de filmar, já estava pronto.

Com Os Incompreendidos, que remetia à sua infância, nascia o cineasta.

E o ciclo Antoine Doinel, tão bem personificado por Jean Pierre Léaud.

Muita gente sai da crítica para a realização e não dá certo.

Truffaut deu certo.

Com Jean-Luc Godard e outros contemporâneos, estava na linha de frente da Nouvelle Vague, movimento que revolucionou o cinema ali na virada dos anos 1950 para os 1960.

O cinema americano reverenciado por aqueles jovens cineastas serviu de parâmetro para as rupturas propostas por Godard, amigo e depois desafeto de Truffaut.

Truffaut também tomou os filmes americanos como referência, mas acabou sendo o oposto de Godard.

Seu cinema não é de ruptura com a linguagem.

Com Hitchcock, com quem produziu um imprescindível livro de entrevistas.

Jules e Jim, para muitos, seu filme mais importante.

Em A Noite Americana, atuou, dirigiu e declarou seu amor ao cinema.

Foi ator em Contatos Imediatos do Terceiro Grau.