ELIS REGINA, 1945 – 1982

Nesta sexta-feira (19), faz 36 anos que Elis Regina morreu.

Se estivesse viva, ela faria 73 anos em março.

Conheço gente jovem que ouve Elis Regina e se emociona.

Será pela qualidade do seu canto?

Será pelo encontro da grande voz com o grande repertório?

Será pela evocação de uma época e de uma luta por dias melhores?

Ou misturamos tudo para perguntarmos se não é pela imensa beleza da sua arte?

Elis Regina resistiu à passagem do tempo. Sua vida foi contada no palco, num musical que provoca a ilusão de que estamos diante dela. Chegou à tela do cinema, num filme que não é excepcional, mas é necessário. Está nas livrarias, numa biografia escrita pelo jornalista Júlio Maria.

Nada será como antes. Diz a canção do Clube da Esquina. Diz o título do livro.

Acho que tudo foi bem diferente dos sonhos de uma geração.

A música de Elis evoca um tempo e faz pensar na distância entre sonho e realidade. Por isso, soa anda mais bela. Porque vem carregada de melancolia.

O “façam a festa por mim” da canção de Ivan Lins e Vítor Martins é dilacerante, ouvido hoje! Não há festa a fazer!

O pedaço do seu cancioneiro dedicado às dores coletivas lembra noites escuras à espera de dias claros. Permanece como retrato de um tempo.

O pedaço que fala das dores individuais não tem tempo.

Elis era singular na mistura das duas dores. Como era singular na mistura de técnica com emoção.

No país de Ângela, Elizeth, Maysa, Gal, num país de grandes vozes femininas, Elis Regina, entre 1965 e 1981, edificou um legado que a gente tenta traduzir assim:

É mais do que uma intérprete excepcional. É uma intérprete excepcional, perfeccionista, posta a serviço da construção de um repertório de altíssima qualidade. A nos mostrar, ontem e hoje, que é possível!

AO VIVO

Transversal do Tempo

Um grande momento de Elis ao vivo. O disco é mal gravado e mal editado, o show está incompleto, mas a performance da cantora, o vigor da banda, a força dos arranjos e um repertório primoroso superam qualquer limitação técnica.