Lulu Santos fazendo Rita Lee é Lulu, não é Rita!

Há uns poucos anos, Lulu Santos dedicou um disco inteiro ao repertório da dupla Roberto e Erasmo Carlos.

Fez do seu jeito.

Tão ao seu modo que, ao participar do especial natalino de Roberto Carlos, ouviu do Rei um comentário sobre como as canções ficaram diferentes.

Agora é a vez de Rita Lee.

Baby Baby é o título do CD que Lulu acaba de lançar.

Está aí a capa.

A primeira audição não me agradou porque pensei em Rita Lee.

Comecei a gostar do disco quando pensei só em Lulu Santos.

Como disse no título do post, Lulu Santos fazendo Rita Lee é Lulu, não é Rita!

Baby Baby é competentíssimo disco pop feito por quem muitos chamam de Rei do Pop do Brasil.

A Rita Lee que Lulu Santos escolheu para gravar é menos a do rock e muito mais a do pop. É aquela que, depois dos Mutantes e já depois do Tutti Frutti, optou por compor um repertório pop que a tornaria uma grande vendedora de discos.

Essa opção, Rita fez a partir do seu casamento com o guitarrista Roberto de Carvalho. A dupla Rita e Roberto é responsável por inúmeras sucessos comerciais que o Brasil cantou sobretudo entre o final dos anos 1970 e o início dos 1980.

Baby Baby, assim, não é um disco de rock.

Rock, tocado como rock mesmo, é Mamãe Natureza.

Do tempo dos Mutantes, só tem Fuga Número II.

Ovelha Negra e Agora Só Falta Você, da fase Tutti Frutti, foram “desmontadas” por Lulu.

Disco Voador, que abre o disco, é um autêntico e delicioso lado B. Está originalmente em Babilônia, de 1978, época em que Roberto começou a puxar Rita para o pop.

Baila Comigo, Desculpe o Auê, Caso Sério, Alô! Alô! Marciano, Mania de Você e Nem Luxo Nem Lixo – nem precisa dizer – são super hits. Todos recriados com absoluta liberdade por Lulu.

Recriados e atualizados por um cara antenadíssimo com a contemporaneidade.

Não é rock. Não é Rita Lee pop. É o pop de Lulu Santos.

Pensando assim, esquecendo comparações com os originais, você pode se deleitar com Baby Baby.