Fest Aruanda abre com filme sobre Clara Nunes e traz Ruy Guerra

Começa nesta quinta-feira (30), em João Pessoa, a edição 2017 do Fest Aruanda.

Após a solenidade de abertura, será exibido o documentário Clara Estrela, sobre Clara Nunes.

A solenidade está marcada para 19h30 na sala 9 do Cinépolis, no Manaíra Shopping.

Já o documentário, dirigido por Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir, será exibido às 20h15.

O grande homenageado do festival é o cineasta Ruy Guerra (na foto, com Gabriel Garcia Marquez), que participará do evento e terá uma mostra com alguns dos seus filmes.

Serão exibidos Os Cafajestes, Os Fuzis, A Queda, Ópera do Malandro e Estorvo.

O Fest Aruanda tem mostra competitiva com filmes de curta e longa duração, palestras, debates, oficinas e lançamentos de livros.

O encerramento, na quarta-feira (06/12), será com uma homenagem a Ruy  Guerra e a exibição de Quase Memória, que o cineasta realizou em 2015.

O Fest Aruanda é um evento que já se incorporou ao nosso calendário cultural e faz justiça ao passado e ao presente do cinema paraibano.

Something é a grande canção de George Harrison

Nesta quarta-feira (29), faz 16 anos que morreu o beatle George Harrison.

Qual a grande canção de Harrison?

Para mim, Something.

É a segunda faixa do lado A de Abbey Road, de 1969, último disco gravado pelos Beatles. E única música de Harrison a ocupar, também em 1969, o lado A de um single do grupo (no lado B, ficou Come Together).

Foi composta ao piano, em 1968, durante as gravações do Álbum Branco, provavelmente sob inspiração de Ray Charles.

O primeiro verso da letra (“something in the way she moves”) vem de uma canção de James Taylor, gravada pouco antes no selo Apple, que pertencia aos Beatles.

Muita gente regravou Something: o próprio Ray Charles, Elvis Presley, Frank Sinatra. É a música mais regravada dos Beatles, à exceção – claro! – de Yesterday.

The Voice, numa performance ao vivo, uma vez atribuiu a autoria à dupla Lennon/McCartney.

Joe Cocker, espécie de cover branco de Ray Charles, fez uma belíssima e impactante releitura da canção no segundo disco de sua carreira.

Harrison interpretou Something ao vivo no concerto para Bangladesh, em 1971. Duas décadas depois, fez novo registro ao vivo, no álbum gravado no Japão. Nas duas gravações, quem está ao seu lado é o guitarrista Eric Clapton.

Num álbum dedicado ao cancioneiro dos Beatles, Sarah Vaughan transformou a balada em bossa nova e ainda convidou Marcos Valle para cantar um trecho em Português.

Paul McCartney a incorporou ao set list dos seus shows como tributo ao amigo.

A gravação dos Beatles beira a perfeição.

O vocal de George, as vozes de John e Paul, o solo de guitarra, as notas graves do piano, o caminho percorrido pelo baixo, as cordas arranjadas e conduzidas por George Martin.

Na minha opinião, nenhuma versão de Something supera a dos Beatles.

Mas vou terminar com a estupenda performance de Joe Cocker no filme Mad Dogs and Englishmen.

Novos Baianos se reencontram. Podemos curti-los numa boa!

Novos Baianos!

Uma banda de rock convertida ao samba por João Gilberto!

Uma comunidade hippie com suas barracas montadas dentro de um apartamento!

Uma transa pós-tropicalista!

Novos Baianos!

A história do samba, a luta de classes, os melhores passes de Pelé, tudo é filtrado ali – disse Caetano Veloso deles.

Um capítulo muito importante da música popular que os brasileiros produziram na virada dos 60 para os 70 do século passado!

E além!

Legado?

Um título resume tudo:

Acabou Chorare é um dos grandes discos do brasil!

Novos Baianos F.C. é outra preciosidade!

Só se não for brasileiro nessa hora!

Moraes Moreira e o poeta Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Dadi, Jorginho e Didi, um regional, um power trio (que era A Cor do Som antes de A Cor do Som existir!).

Um barato total! Uma grande loucura!

Quem ouviu (e viu!) na época sabe muito bem como foi!

Depois, desencontros e reencontros.

O mais recente (mas não o último!), esse agora que começou quando Baby e Pepeu subiram juntos ao palco sunset do Rock in Rio 2015.

O passo seguinte está aí: a tribo toda reunida!

Acabou Chorare, Novos Baianos se Encontram.

Turnê nacional, CD, DVD.

As cores do som dos Novos Baianos!

As de ontem com a vibe de hoje!

Ainda podemos curti-los numa muito boa!

Hendrix, o maior de todos os guitarristas, faria 75 anos hoje

Se estivesse vivo, Jimi Hendrix, o maior de todos os guitarristas, faria 75 anos nesta segunda-feira (27).

Morreu aos 27, no dia 18 setembro de 1970.

Os garotos que hoje estudam o instrumento e têm às mãos todos os recursos tecnológicos farão coisas inacreditáveis com uma Fender semelhante à de Hendrix, mas não escreverão a gramática, nem a história, como Jimi fez numa carreira tão intensa quanto meteórica. Dizer que a guitarra é extensão do seu corpo é um lugar comum. Tanto quanto classificá-lo como o maior de todos os guitarristas. Mas é verdade. Com o instrumento colado ao corpo, ou dando voltas ao redor deste, às vezes tocando com a boca, Hendrix ultrapassa os limites das convenções musicais. Produz ruídos que se misturam ao que não é ruído. Notas certas no lugar certo fundidas a notas que poderiam ser consideradas incorretas. Acordes que não estão nos manuais, dedos pressionando cordas e trastes como ninguém ousaria fazer. Invenção pura. Resultado excepcional. Como as cores que um gênio da pintura joga numa tela!

O melhor de Jimi Hendrix (a despeito dos muitos títulos póstumos) está nos quatro discos lançados com ele vivo. Os três primeiros, de estúdio. O último, ao vivo.

ARE YOU EXPERIENCED

AXIS: BOLD AS LOVE

ELETRIC LADYLAND

BAND OF GYPSYS

Morreu Chico Salles. Ouvi-lo era uma dádiva, diz Vladimir Carvalho

O cordelista, cantor e compositor paraibano Chico Salles, de 66 anos, morreu neste sábado (25) no Rio de Janeiro.

Ele teve um quadro de insuficiência respiratória no Instituto Nacional do Câncer, onde estava internado.

Ontem (26), o cineasta Vladimir Carvalho usou o Facebook para prestar uma homenagem ao amigo.

Segue o texto de Vladimir:

Chico Salles foi embora, sem mais nem menos, deixando para trás o insuportável transtorno de sua perda, o vazio!

Vê-lo e ouvi-lo, com seu coração de menino, cantando e dançando, era uma dádiva para todos nós, na Lapa, nas Laranjeiras da vida, em São Cristóvão, em São Paulo com Zé Nêumanne e Boldrin nos programas de TV, na Paraíba, em Brasília no seu Clube do Choro.

Não teve tempo sequer de dizer adeus. Se foi com o coração e alma cheios de música e bondade para consternação de sua família e de todos nós, seus amigos, uma bancada deles, encabeçada por um agora inconsolável Edmar Oliveira.

Vai Chico, ser alegre e feliz no céu.

Saudades do seu de sempre Vladimir Carvalho.

Chico Salles era paraibano de Sousa, onde nasceu em 1951.

Morava no Rio de Janeiro desde o início da década de 1970.

Sua música é resultado de uma soma: do que ele levou do Nordeste com o que encontrou no Rio.

Um forrozeiro no samba. Ou um sambista no forró. No caso de Chico, tanto faz.

Em 2015, no CD Rosil do Brasil, Chico Salles fez uma feliz releitura da música de Rosil Cavalcanti, esse pernambucano que virou paraibano, ou, mais ainda, campinense.

É o título mais recente da sua pequena discografia (há mais um, ainda inédito).

Podemos ouvi-lo para confirmar as palavras de Vladimir Carvalho.

Rock rural de Zé Rodrix também era protesto contra a ditadura

Se estivesse vivo, Zé Rodrix faria 70 anos neste sábado (25).

Um enfarte matou o músico aos 61 anos, em maio de 2009.

O jovem Zé Rodrix estava no grupo vocal que acompanhou Edu Lobo em Ponteio, a vencedora do histórico festival de MPB de 1967.

Mais tarde, vamos encontrá-lo como integrante do grupo Som Imaginário.

A banda tocou com Milton Nascimento no LP que começa com Para Lennon e McCartney, o primeiro de uma série de discos excepcionais que Bituca gravou nos anos 1970.

Em parceria com Tavito, Zé Rodrix é o autor de Casa no Campo, canção que recebeu registro definitivo de Elis Regina em 1972.

Depois do Som Imaginário, um trio: Sá, Rodrix e Guarabyra, a criação do rock rural e um dos grandes discos do rock brasileiro, Terra.

Podia não parecer, mas o rock rural também era uma forma de protestar contra a ditadura.

As letras não continham um protesto explícito, mas propunham uma vida alternativa, longe da opressão que vinha do regime militar.

Uma síntese muito boa da música de Zé Rodrix é o CD que a filha Marya Bravo, cantora talentosíssima, dedicou às canções do pai.

Na Sexta de Música, minha coluna semanal na CBN João Pessoa, falei de Sá, Rodrix e Guarabyra.

Segue o áudio.

Primeira Coca-Cola da música brasileira não é a de Alegria, Alegria

Eu tomo uma Coca-Cola

Ela pensa em casamento

E uma canção me consola

Eu vou

Durante 50 anos, soubemos que em Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, a marca Coca-Cola foi usada pela primeira vez na música popular brasileira.

O próprio Caetano achava que sim.

A canção foi a terceira colocada no histórico festival de MPB de 1967, projetou nacionalmente o seu autor e, junto com Domingo no Parque (de Gilberto Gil), deu início ao movimento tropicalista.

Agora, na edição de vigésimo aniversário de Verdade Tropical, seu livro de memórias, Caetano reescreve a história.

Em texto inédito, escrito para a nova edição, ele encontra a Coca-Cola numa música anterior à sua, Siri Jogando Bola, da dupla Luiz Gonzaga e Zé Dantas.

Diz a letra:

Vi um jumento

Beber vinte Coca-Cola

Ficar cheio que nem bola

E dar um arroto de lascar

O texto Carmen Miranda não sabia sambar começa assim:

Pra começar, a Coca-Cola de Alegria, Alegria não foi a primeira da música popular brasileira: O nome do refrigerante já aparecia numa das estrofes nonsense de Siri Jogando Bola, da dupla Luiz Gonzaga e Zé Dantas. Na verdade, considerando que o jumento desse galope tomava vinte Coca-Colas, a de Alegria Alegria seria, na melhor das hipóteses (isto é, se não tiver havido outra menção à Coca em alguma canção brasileira anterior à de Dantas-Gonzaga), a vigésima primeira.

Durante meio século, fomos todos traídos por nossas memórias porque conhecíamos a música de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e, mesmo assim, não atentávamos para a presença da Coca-Cola em sua letra.

Beyoncé e Alicia Keys, essas mulheres me deixaram siderado!

Nós e nossas lacunas.

Na minha idade (58), não incorporo facilmente novos artistas às minhas audições.

Mas, de vez em quando, faço descobertas estupendas.

Confesso sem problemas: ainda não tinha parado para ouvir Beyoncé e Alicia Keys.

Que pecado!

Parei e fiquei siderado!

Relembro, para quem não leu, o que escrevi um dia desses sobre Alicia:

Para mim, Alicia Keys era uma diva do pop que não entraria jamais nas minhas audições.

Eis que me deparo com seu show no Rock in Rio. E, aí, tudo muda.

Que coisa bonita! Que voz! Que repertório! Que performance no palco!

Que negócio irresistível para quem gosta de black music.

O passo seguinte foi o disco. Here, o mais recente, lançado em 2016.

Irretocável! Impecável! Desses que você ouve sem parar, da primeira à última faixa (são 18!).

Alicia Keys, em Here, oferece um disco conceitual, longo (53 minutos), com faixas costuradas por pequenos interlúdios.

É refinado, elaborado, mas também é pop.

Alicia, com sua voz e seu piano, viaja pelo velho e pelo novo.

A sua música é absolutamente contemporânea, sintonizada com o que há de mais atual na black music americana.

Mas, por dentro dessa contemporaneidade, há as fontes, as matrizes da melhor música popular do planeta – aquela que os negros da América produzem há décadas.

Gospel, blues, R & B, jazz, soul, funk, rap, hip hop. Um pouco de tudo.

Alicia olha para o passado, mas se afirma no presente como um grande talento.

Alicia Keys é uma mulher empoderada!

Como Alicia, Beyoncé é outra mulher empoderada!

Aquela me levou a esta.

O disco que Beyoncé lançou no ano passado, Lemonade, é simplesmente extraordinário!

A vanguarda do soul.

Ou soul de vanguarda – me disse um amigo louco por black music.

Disco conceitual (como Here) feito por uma diva do pop num momento em que a onda é fazer single.

Beyoncé subverteu a tendência, trocando o single por um disco de verdade, desses com começo, meio e fim.

Você tem que ouvir todo (pouco mais de 45 minutos), sem pular faixas, porque ele foi construído a partir de uma história e conta essa história, um episódio de infidelidade.

Trata também de racismo, de violência.

É visceral!

É perfeito!

É atualíssimo!

É ousado!

Lemonade confere complexidade e refinamento ao pop contemporâneo.

Esses discos de Beyoncé e Alicia Keys são, a um só tempo, parecidos e diferentes.

Parecidos porque vêm do imenso talento de duas divas do mundo pop americano, também porque são trabalhos conceituais, resultados das mesmas fontes e matrizes.

Diferentes porque, ainda que totalmente afinados com a contemporaneidade, um (o de Alicia) é mais simples do que o outro (o de Beyoncé).

Here talvez seja menos ambicioso do que Lemonade.

Impossível dizer qual é o melhor.

O que interessa é que essas mulheres lindas e superempoderadas nos arrebatam com a música que elas fazem!

Burocracia atrasa DVD de Zé Ramalho com OSPB, diz secretário

Uma pergunta que costumo ouvir:

Quando, afinal, será lançado o DVD do concerto de Zé Ramalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba? 

O concerto, um evento para convidados, foi realizado no dia cinco de agosto de 2016, no teatro A Pedra do Reino, e, até agora, passados 15 meses, o DVD não chegou às mãos do público.

Nesta terça-feira (21), toquei no assunto durante o programa CBN João Pessoa, ancorado por Nelma Figueiredo.

E disse que ouvira, de uma fonte da Orquestra Sinfônica da Paraíba, que o DVD não foi lançado porque houve problemas técnicos com a captação do áudio do concerto.

É verdade? Não sei.

À tarde, por telefone, o secretário de Cultura Lau Siqueira me disse que isto não aconteceu.

Segundo ele, o que atrasou por tanto tempo o lançamento da gravação foi um problema burocrático com a capa do DVD.

Lau assegurou que o produto estará disponível antes do final do ano. Talvez até nos próximos 15 dias.

Perguntei, naturalmente, se ele já havia visto a gravação, e ele respondeu que não.

Aguardemos!

Box com três CDs traz Zé Ramalho inédito nos anos 1970

Três CDs que acabam de ser lançados reúnem material inédito de Zé Ramalho na década de 1970.

O box Anos 70, do selo Discobertas, tem valor histórico e vai mexer com a memória afetiva dos fãs do compositor paraibano.

O primeiro CD traz demos gravadas no momento em que o artista buscava espaço no mercado fonográfico.

Em 1975, Zé integrava a banda de Alceu Valença, tocando viola, e é justamente num dos palcos por onde passou o show que foram registradas as faixas iniciais do CD Demos (1976/1977).

Uma delas, Jacarepaguá Blues, estava no set list do show de Alceu.

As outras faixas, com melhor qualidade técnica, já trazem o músico em estúdio sob a batuta do produtor Carlos Alberto Sion, que o levou à CBS dos primeiros discos.

Os outros dois discos do box contêm registros (no Rio e em São Paulo) do show que Zé Ramalho fez, em 1978, após o lançamento do seu primeiro LP.

Avôhai ao Vivo no Rio e Avôhai ao Vivo em São Paulo são parecidos, tecnicamente limitados, mas de indiscutível valor documental.

Vejam, por exemplo, quem está no palco ao lado de Zé: Geraldo Azevedo ao violão, Elba Ramalho nos vocais, Cátia de França na sanfona e Pedro Osmar na viola.

Parece inacreditável!

E é precioso para nós que acompanhamos Zé na fase anterior ao sucesso, ainda morando e fazendo música em João Pessoa.

As músicas do LP de estreia (Avôhai à frente) flagram o artista (com toda a força das suas canções) no instante em que ele conquistou dimensão nacional.

A ainda inédita Admirável Gado Novo aponta para a consolidação da sua carreira e para a permanência de Zé Ramalho no cancioneiro popular do Brasil.