Milton Nascimento faz 75 anos

Milton Nascimento faz 75 anos nesta quinta-feira (26).

Travessia, a música que lhe deu projeção nacional, está fazendo 50 anos.

Nascido no Rio, criado em Minas, Bituca é um dos grandes de uma geração de grandes.

Sua bela voz (com seu falsete único) ecoou pelo mundo.

Há muito a ouvir nas suas canções. Dos mistérios de Minas às influências do jazz e do rock.

Os discos mais importantes de Milton Nascimento são dos anos 1970. Uma impressionante sequência de LPs lançados pela velha Odeon. Sete discos que o colocaram no topo da nossa música popular, entre 1970 e 1978. Trabalhos realizados ao lado dos músicos que formaram o Clube da Esquina. Gente que veio de Minas. Gente que foi se agrupando mais tarde no Rio.

“Noite chegou outra vez/de novo na esquina os homens estão” – Milton e os irmãos Borges, seus parceiros. Milton e Brant – seu principal parceiro de jornada.

Primeiro, o disco com o Som Imaginário. Para Lennon e McCartney, Canto Latino, Pai Grande. A Felicidade, de Tom e Vinícius, evocando Agostinho dos Santos.

Depois, Clube da Esquina. Brancos e pretos. Lô e Milton. Tudo o que Você Podia Ser, O Trem Azul, Cais, Nada Será Como Antes, San Vicente.

E aí vem Milagre dos Peixes. Em estúdio, com a ação da Censura, que transformou canções em temas instrumentais. Disco de resistência e raras belezas.

Segue o Milagre, agora ao vivo, no Teatro Municipal de São Paulo, regência de Paulo Moura. As cordas que remetem ao barroco mineiro antecedem as palavras que se repetem em Bodas.

“E a muitos outros que a mão de Deus levou” – a dedicatória irônica na noite brasileira.

Minas e Geraes consolidam o artista extraordinário.

Fé Cega, Faca Amolada, Saudade dos Aviões da Panair, Ponta de Areia. A voz metálica misturada ao coro infantil.

Mi de Milton, nas de Nascimento. As sílabas iniciais formando Minas.

Minas abre caminho a Geraes, o disco seguinte. Os dois se completam.

“Voltar aos 17, depois de viver um século” – os versos de Violeta Parra gravados com Mercedes Sosa.

Ou “quem cala sobre teu corpo/consente na tua morte”.

No próximo passo, os amigos juntos em Clube da Esquina 2.

Elis, Chico, todos! Fechando um ciclo, anunciando novas belezas.

“Mas é preciso ter força

É preciso ter raça

É preciso ter gana sempre”.

Salve, Bituca!