Tropicalismo faz 50 anos. Cinco discos para entender o movimento

O Tropicalismo está fazendo 50 anos.

O marco inicial é o 21 de outubro de 1967, data em que a final do mais importante de todos os festivais da MPB deu projeção nacional a Caetano Veloso (com Alegria, Alegria) e a Gilberto Gil (com Domingo no Parque). Eles e suas canções que propunham a retomada da linha evolutiva da música popular do Brasil.

Há dois anos, quando percorriam o mundo com um duo acústico, perguntei a Caetano e a Gil como eles viam o Tropicalismo de longe.

As respostas:

CAETANO

“Para mim, a luta continua sempre. É uma luta contra o mundo, contra nós mesmos, contra o medo de tentar a grandeza. Quando canto ‘Tropicália’ e Gil canta ‘Marginália II’, reaprendo a canção que deu nome ao movimento, observo sua estranha atualidade. O pessimismo da letra de ‘Marginália II’ produz expressões de interrogação no rosto de espectadores, interrogação sobre o presente, sobre o tempo que vai do Tropicalismo a nossos dias. ‘Em suas veias corre muito pouco sangue’, ‘E no joelho uma criança sorridente, feia e morta estende a mão’, ‘Aqui é o fim do mundo’, ‘Aqui o Terceiro Mundo pede a bênção e vai dormir’ são frases que contam o Brasil de 1967 e fazem pensar sobre como agora parece que a realidade mal roça a possibilidade de superá-las”.

GIL

“Difícil vê-lo de longe. Ainda que eu entenda que você está se referindo ao tempo que passou já que tudo tem que passar!. Sim, o Tropicalismo passou no tempo, mas, como eu ainda não passei no tempo, ou seja, como meu tempo ainda não passou, o Tropicalismo também ainda não passou em mim!.  E, se o Tropicalismo continha, em seu tempo jovem, um significado de luta, como diz Caetano, para mim também, em quem o Tropicalismo ainda não passou, a luta continua!”

Como o Tropicalismo chega aos jovens desse Brasil convulsionado de 2017?

Não sei.

A eles, os das gerações Y e Z, sugiro a audição de cinco discos.

CAETANO VELOSO

GILBERTO GIL

TROPICÁLIA, álbum coletivo

OS MUTANTES

GAL COSTA