U2 é uma banda merecedora do amor incondicional dos fãs

Nunca fui fã do U2. Gosto sem grande entusiasmo.

Mas não tenho nenhuma dúvida:

A banda liderada por Bono Vox é de fato merecedora do amor incondicional da sua imensa legião de fãs.

Nesta quinta-feira (19), o U2 iniciou a série de quatro shows que fará em São Paulo. É a turnê que comemora os 30 anos do álbum The Joshua Tree, um dos mais importantes da banda.

Sou contemporâneo do disco e, em seguida, da ida à América que resultou no álbum-duplo e no documentário Rattle and Hum.

Ali, a banda começava a amadurecer e ampliar a sua visibilidade. Fazia isso dialogando com a música dos Estados Unidos, matriz de todo o rock que existe no planeta.

O U2 (como o Who, como o Zeppelin) é um power trio que toca para um cantor. Há uma concisão incrível no som que os três músicos produzem. E há uma assinatura muito forte.

Com extraordinário talento como homem de palco e excepcional inteligência para o que pode ser feito fora dele, Bono Vox se transformou numa grande estrela da música e levou o U2 para o lugar onde estão as mais importantes bandas da história do rock.

O U2 tem álbuns importantes e repertório consolidado. Tem longevidade e, portanto, permanência. E tem também posturas que projetam o grupo para além do mundo do rock.

Ontem, em São Paulo, Bono foi ao encontro da fila para cumprimentar as pessoas e dar autógrafos, num gesto de tocante generosidade.

No palco, homenageou Cazuza e Renato Russo.

No telão, havia mulheres brasileiras como Maria da Penha e Taís Araújo.

Na camisa do baterista Larry Mullen Jr. estava escrito: “censura nunca mais”.

As causas sociais estão no discurso que Bono faz.

Essas coisas se juntam à música. Aos álbuns, ao repertório que o grupo construiu. Ao domínio que eles têm do espaço cênico.

Não precisa ser fã.

Basta reconhecer:

O amor que os fãs devotam ao U2 tem razão de ser.