Janis Joplin (ainda) é a maior voz feminina do rock!

A primeira imagem que o mundo guardou dela talvez tenha sido a da sua performance no documentário Monterey Pop, de 1967.

A jovem texana branca cantando Ball and Chain, um blues demolidor.

Na plateia, Mama Cass, do quarteto The Mamas and The Papas, assiste (literalmente) com a boca aberta!

Era Janis Joplin, cantora de um grupo tosco (o Big Brother and The Holding Co.) que logo seria suplantado pela força da sua voz.

Nesta quarta-feira (04), faz 47 anos que Joplin morreu solitariamente no quarto de um hotel por causa de uma dose de heroína.

Tinha 27 anos e lutava contra o vício.

Tudo o que o mundo conservou dela aconteceu entre 1967 e 1970.

Janis Joplin é de uma linhagem de grandes cantoras à qual pertencem mulheres atormentadas que levaram suas dores para o que cantaram.

O que elas sentiam (ou o que faltava a elas) estava explícito na performance vocal. Sobrepunha-se ao idioma da canção.

Bastava ouvir, com alguma sensibilidade, para entender.

Isso é o que há de extraordinário nela. Como em Billie Holiday, Maysa, Edith Piaf, Nina Simone, Elis Regina, Amy Winehouse. Não importa o estilo que abraçaram, nem o lugar de onde vieram.

Janis gravou apenas três discos. Quando morreu, o quarto (Pearl) estava praticamente concluído. É o seu legado, ampliado por alguns álbuns póstumos e as imagens dos shows que já vimos em dois documentários dedicados à sua história.

Dizer que era uma branca que cantava como os negros é sempre uma definição imprecisa. Ninguém canta como os negros.

Mas era uma branca que ouviu muito bem a música dos negros americanos, adotando-a como fonte, como matriz, e que tinha um talento extraordinário.

Sua voz não pôde ser lapidada porque sua carreira foi meteórica.

No rock, no blues, no soul, no country, nos estúdios e nos palcos – Janis Joplin era um diamante em estado bruto.

E que diamante!