Exposição dos Beatles é viagem numa cápsula do tempo

Em 1972, aos 13 anos, perguntei ao meu pai:

Será que ainda vamos ouvir os Beatles daqui a 30, 40 anos?

E ele respondeu:

Em 30, 40 anos, os Beatles serão estudados nas universidades!

Pensei nessa conversa quando entrei, nesta quinta-feira (14), na exposição Beatlemania Experience, aberta ao público a partir desta sexta (15), no Shopping Recife.

Tocava Strawberry Fields Forever.

Vi logo as roupas usadas em I Am the Walrus e a capa de A Hard Day’s Night aumentada.

No lugar de uma das fotos de George, o visitante bota a sua cara.

Começa a viagem.

O caminhão que serviu de palco para John tocar em 1957, no dia em que Paul conheceu o futuro parceiro.

O Cavern. Ah, o Cavern! Seu palco diminuto, os instrumentos prontos para o show.

Os discos, os instrumentos.

As roupas. Os terninhos, os fardões.

A cabine do trem de A Hard Day’s Night. Irresistível!

O submarino amarelo. Você dentro dele. Os mares passando nas escotilhas. Mar dos monstros. Mar do tempo. O tempo da gente passando. “Quando eu tiver 64 anos!”.

A faixa de pedestres de Abbey Road.

O sitar de George.

O piano branco de John.

A multidão aos gritos no Shea. Você dentro dela. Os quatro caras ali, na sua frente!

Beatlemania Experience é uma bela viagem. Mexe com os fãs. Produz alegria e tristeza. E é bom que seja assim. Faz passar o filme que está guardado em nossa memória afetiva. Rebobina muita coisa. O significado que tudo aquilo teve. Tem! As canções que atravessam as décadas, as ideias generosas dos anos 1960. O contraste com esse mundo pragmático em que vivemos, meio século depois do Pepper.

O mundo dos Beatles representa sua época.

A exposição tenta traduzir esse mundo, colocando-o dentro de uma cápsula por onde a gente passeia por duas, três horas.

Nada é real! Tudo é real!

Depende dos nossos ouvidos! E dos nossos olhos!