Miles Davis apresentou Gilberto Gil a Jimi Hendrix em Wight

Conversei com Gilberto Gil pela primeira vez em abril de 1975. Eu tinha 15 anos. Ele, 32.

Foi no final de uma coletiva, em João Pessoa. Perguntei pelo conjunto (ainda não usávamos banda) que o acompanhava, e ele disse que formara um trio inspirado no Experience de Jimi Hendrix.

Quem toca a guitarra?, indaguei.

E ele respondeu:

Momó no baixo, Chiquinho Azevedo na bateria, eu na guitarra.

Era incrível!

Àquela altura, eu já sabia da paixão de Gil por Hendrix, mas somente anos depois ouvi o relato sobre o dia em que ele se viu diante do maior de todos os guitarristas.

Exilado em Londres, Gilberto Gil foi ao festival da Ilha de Wight.

Seu companheiro de exílio, Caetano Veloso, estava lá, e os dois chegaram a tocar no segundo dia da edição de 1970.

Uma das atrações era Miles Davis, gênio consumado do jazz. O percussionista brasileiro Airto Moreira tocava na banda. Tempo de fusion.

De repente, Gil e Caetano foram chamados ao backstage pelo serviço de som do festival:

Brazilians composers Gilberto Gil and Caetano Veloso! Invited to the backstage by Miles Davis!

Airto os recebeu. E os apresentou a Miles.

Miles Davis, então, levou Gil para conhecer um amigo.

Como será que ele disse?

“Gil, venha comigo, quero que você conheça alguém!”.

Ou, simplesmente, não disse nada.

Puxou Gil pelo braço e abriu a porta de um camarim.

E lá estava, pronto para entrar no palco, Jimi Hendrix.

O músico e sua guitarra Fender.

O show de Jimi Hendrix em Wight foi no domingo, 30 de agosto de 1970.

Ele morreu menos de três semanas depois, no dia 18 de setembro. Tinha somente 27 anos.

Lembrei dessa história agora que Gil está celebrando, no palco, os 40 anos de Refavela.

Refavela, que eu vi por três noites seguidas aqui no Teatro Santa Roza, em 1977.

Música negra para gente de todas as cores, está no Facebook do artista.

Sim!

Como a de Miles Davis!

Como a de Jimi Hendrix!