“Meus amigos”, João Saldanha nasceu há 100 anos

Podem dizer que é saudosismo!

Mas houve um tempo em que a gente abria o jornal, ligava o rádio ou a televisão e tinha João Saldanha comentando futebol!

Não gosto de futebol (é um dos meus defeitos), mas perdi a conta das vezes em que ouvi e vi programas esportivos só por causa desse cara!

Nesta segunda-feira (03) é o centenário de nascimento de João Saldanha, gaúcho de Alegrete, um grande brasileiro!

“Meus amigos”. Era assim que ele começava.

Ler, ouvir ou ver Saldanha não era apenas para quem gosta de futebol.

Falando de futebol, ele falava da vida, do Brasil, de tanta coisa!

Corajoso, inteligente, brilhante, polêmico, chato, ranzinza, politicamente incorretíssimo.

Militante comunista, torcedor fanático do Botafogo, técnico de futebol. Jornalista de texto simples, direto e fluente. Grande contador de histórias. Autor do indispensável Os Subterrâneos do Futebol. Saldanha era tudo isso.

A seleção de 70 foi ele que montou. As feras do Saldanha. Mas a ditadura não quis que ele fosse ao México.

Médici, o terceiro general presidente, tentou escalar Dadá Maravilha. Saldanha resistiu.

Resumiu tudo numa frase antológica:

Eu não escalo o ministério. Ele não escala o time.

João acabou indo ao México, é verdade, só que como comentarista da Globo.

Enfisematoso, fumante compulsivo, foi à copa de 90 numa cadeira de rodas. Seu último comentário – creio que na TV Manchete – dava conta da tristeza dos donos da casa (a Itália), que não estariam na final.

Saldanha foi hospitalizado na Itália e por lá morreu.

Lembrei muito dele quando vi o Brasil ser vergonhosamente goleado na copa de 2014.

Lembro sempre dele quando vejo o Brasil no impasse político em que nos metemos.

Marisa Monte chega aos 50 com a voz de uma artista vitoriosa

Marisa Monte chega aos 50 anos neste sábado (01) como uma das grandes cantoras do Brasil.

Ainda não tinha 22 quando lançou o primeiro disco, em 1989. Foi uma estreia singular: optou por um registro ao vivo.

O repertório sofisticado e eclético, tradicional e moderno, veio do gosto de Marisa e da estratégia do seu produtor, Nelson Motta.

O refinamento, a diversidade, o velho e o novo – tudo isso ficou como marcas do trabalho da artista.

Ficaram outras coisas: a liberdade das escolhas, a discografia pouco extensa, a ausência de coletâneas (somente uma em quase três décadas de carreira).

O êxito de Marisa Monte é resultado dos seus méritos como cantora, dos belos shows que faz, mas também do seu marketing pessoal, da capacidade que tem para administrar a carreira e gerar grandes expectativas sempre que anuncia um novo projeto.

Ela vai do pop mais banal ao mais sofisticado standard do cancioneiro americano com a mesma postura com que divide palcos com Paulinho da Viola. Ou Arnaldo Antunes. Ou Roberto Carlos. Ou produz a Velha Guarda da Portela.

Aos 50 anos (e já há um bom tempo), Marisa Monte – como na canção de Bethânia – tem a voz de uma pessoa vitoriosa.

A voz e a trajetória de uma artista vitoriosa!