Mick Jagger é o líder da banda e o dono do negócio

Nesta quarta-feira (26), Mick Jagger faz 74 anos.

Nesta terça (25), Keith Richards anunciou que os Rolling Stones devem lançar mais um disco.

Para o bem e para o mal, a banda, que já tem 55 anos de carreira, envelheceu junta.

Jagger é o líder do grupo e o dono do negócio. Rentabilíssimo negócio!

Era belo na juventude.

Ficou assim na velhice.

No longo intervalo que separa uma foto da outra, o mundo tem testemunhado a performance de um grande artista do seu tempo. Sobretudo quando visto no palco, onde comanda, com raro domínio do seu espaço cênico, uma festa profana que (como diria Jabor) evoca a nossa natureza animal.

O jovem Sinatra flutuava no palco. Elvis requebrava com as câmeras a enquadrá-lo da cintura para cima. Jagger rebola, correndo de um lado para o outro. Masculino e feminino. Único, singularíssimo.

Era intuitivo e ainda contido no início da carreira. Estava caligrafando uma assinatura. Se ficou milimetricamente calculada, sua performance ganhou em beleza e ousadia.

Jagger é um branco fazendo (bem) música de preto. Ele e Richards são insubstituíveis à frente dessa banda que gravou grandes discos de rock e, ao vivo, oferece ao seu público uma extraordinária experiência visual e sonora.

Faz tempo que não gravam um disco autoral à altura dos seus melhores trabalhos.

Faz tempo que são cada vez melhores no palco.

Há uns poucos anos, falando para a plateia de um festival de cinema, Mick Jagger abordou o tema da passagem do tempo:

Éramos jovens, belos e tolos. Agora, somos só tolos.

Poderia ter dito assim:

Tolos, velhos e ricos!