Chuck Berry se despede com disco que não decepciona

Chuck Berry fez 90 anos em outubro de 2016. Morreu em março de 2017.

Deixou um disco pronto. Ou quase pronto.

Temi que não estivesse à sua altura. Por causa da idade avançada. E do que acontece com tantos trabalhos póstumos.

Mas Chuck (que acaba de ser lançado no mercado brasileiro) é muito bom!

Seu último disco de inéditas (Rock It) tem quase quatro décadas. De lá para cá, lançou o álbum (ao vivo) comemorativo dos seus 60 anos e fez muitos shows pelo mundo. Disco novo, à medida em que a idade avançava, ninguém esperava mais.

Mas eis que o velho Berry surpreendeu no fim da vida.

Chuck é trabalho de um homem velho. Um artista que já fez tudo. Há “truques” de estúdio para suprir as limitações (a voz frágil, a guitarra imprecisa) trazidas pela idade. O filho, guitarrista como o pai, está no estúdio, tocando e aperfeiçoando o que foi gravado.

O resultado não decepcionará os admiradores do grande artista que Chuck Berry foi.

Está tudo lá: a voz inconfundível, a guitarra que influenciou tanta gente, as músicas irresistíveis, o universo poético (tão intuitivo quanto inteligente) do letrista. Blues, balada, country waltz e – claro! – o melhor rock’n’roll!

Como não havia mais o que inventar, Berry se reinventa. Dois exemplos: Lady B. Goode dialoga com seu maior sucesso, Johnny B. Goode. Jamaica Moon recria Havana Moon.

São 10 faixas. Apenas 35 minutos.

É o adeus de um dos pais do rock.

E inventor de um estilo de fazer rock que, de tão singular, deve levar seu nome!