Como os Rolling Stones estão velhos! 55 anos juntos!

Os Rolling Stones estão juntos há 55 anos!

Em 12 de julho de 1962, eles tocaram pela primeira vez no Marquee, em Londres.

No começo, eles eram rudimentares, embora os primeiros discos tenham resistido à passagem do tempo justamente por sua aspereza e simplicidade. Antes que se tornassem maduros, tocando rock’n’ roll de um jeito parecido com os negros, trilharam outros caminhos, às vezes conduzidos por Brian Jones, o guitarrista morto em 1969. A fase psicodélica rendeu boas canções, mas é menor, se compararmos com o que os Beatles fizeram. O melhor ainda estava por vir. Depois do psicodelismo, o grupo deu sinais claros de que amadurecera e, principalmente, de que estava de volta ao rock básico. Estamos em 1968, o ano de Jumpin’ Jack Flash.

Quatro discos, gravados entre o final da década de 1960 e o início da de 1970, trazem o melhor dos Rolling Stones: Beggars Banquet, Let It Bleed, Sticky Fingers e Exile on Main Street. No meio, ainda há o ao vivo Get Yer Ya-Ya’s Out!, gravado em Nova York no final de 1969, durante a turnê marcada pelo concerto de Altamont, na Califórnia, onde um homem foi assassinado em frente ao palco, diante das câmeras dos irmãos Maysles. As imagens, que vinculam os Stones ao episódio de violência por causa do suposto envolvimento deles com os Hell’s Angels, podem ser vistas com riqueza de detalhes no filme Gimme Shelter.

Em sua longa trajetória, os Stones nos ofereceram uma mistura de rock’n’ roll, R & B, blues, soul, gospel, country. “E toda uma gama de música pop”, como definiu Mick Jagger num velho documentário sobre a banda. Naqueles discos feitos entre o final da década de 1960 e o início da de 1970, eles estão no auge dos excessos e da criatividade. Produzem um som coeso, são vigorosos. E ainda têm o frescor da juventude ao seu lado. O repertório é brilhante. Muitas canções do período permanecem no set list da banda. Nunca mais seriam tão bons nos estúdios, a despeito de terem gravado ótimos discos. Mas o domínio do palco seria cada vez maior.

Os Stones são a escola de samba do mundo, reúnem todos os carnavais – disse Gilberto Gil numa noite em que os viu no Maracanã. Vê-los ao vivo é uma extraordinária experiência visual e sonora. A banda evoca nossa natureza animal (definição de Arnaldo Jabor) com uma força e uma alegria raras. Os riffs da guitarra de Richards (que se funde à de Wood como se as duas fossem uma só), a batida seca de Watts, o impressionante gestual de Jagger, a massa sonora que produzem com os músicos de apoio.

Que bom que os Rolling Stones tenham envelhecido juntos. É apenas rock’n’ roll, mas eu gosto – diz o refrão que a gente canta diante deles.