“Até chegarmos ao orgasmo total! Orgasmo total!”

Gosto muito de datas.

Pois bem, hoje é o Dia do Orgasmo.

Meu editor sugere: que tal uma lista das músicas mais ousadas?

Vamos à pauta!

Quando eu era adolescente, tinha um disco chamado Super Eróticas. Só maiores de idade podiam comprar, e a capa vinha envolta em um plástico escuro. Saíram vários volumes. No primeiro, a faixa principal era Je T’ taime (Moi Non Plus).

Ousadia maior, mas pouco conhecida, foi a do casal John Lennon e Yoko Ono. No Wedding Album, tem uma longa faixa com a gravação dos dois fazendo sexo. Ela grita: John! E ele responde: Yoko! E assim por diante.

Em Homem, Caetano Veloso fala do que inveja nas mulheres:

Só tenho inveja da longevidade

E dos orgasmos múltiplos

Em Elegia, Caetano canta sobre versos de John Donne vertidos por Augusto de Campos e musicados por Péricles Cavalcanti:

Deixe que minha mão errante adentre

Atrás, na frente,

Em cima, embaixo, entre

Já em Medo de Amar No 2, o erotismo é com Simone, entre os gemidos da cantora:

E eu sinto o corpo mole

Eu quase que faleço

Quando você me bole e bole

E mexe e mexe

E me bate na cara

E me dobra os joelhos

E me vira a cabeça

Tem O Meu Amor, de Chico Buarque. Nas vozes de Marieta Severo e da estreante Elba Ramalho:

De me fazer rodeios

De me beijar os seios

Me beijar o ventre e me deixar em brasa

Desfruta do meu corpo como se o meu corpo

Fosse a sua casa

Roberto e Erasmo fizeram muitas canções eróticas ao longo dos anos 1970. Hoje, algumas parecem ingênuas. Como essa:

Cada parte de nós

Tem a forma ideal

Quando juntas estão

Coincidência total

Do côncavo e convexo

Assim é nosso amor, no sexo

De Rita Lee e Roberto de Carvalho, Mania de Você é outra que, com o tempo, ficou bobinha:

Nada melhor do que não fazer nada

Só pra deitar e rolar com você

E essa aí?

Orgasmo total! Até chegarmos ao orgasmo total!

Bem, essa é muito pouco conhecida!

Fecho com ela. Arrigo Barnabé.

Milton Nascimento tomou chá com Jeanne Moreau

Morreu Jeanne Moreau. Tinha 89 anos.

Conheci Moreau junto com Bardot. Assim. Em Viva Maria!. Numa inesquecível matinê do Cine Santo Antônio.

Mas quero lembrar dela assim. Em Jules e Jim.

Vou contar uma historinha.

Descobri, há muitos anos, que Milton Nascimento é louco por Truffaut. E por Moreau. Mais do que isso: fez sua primeira música depois de ver Jules e Jim.

Estive com Milton e, no lugar de falar sobre música, falei sobre Truffaut e Moreau.

Ele, então, contou que, certa vez, estava em Nova York e recebeu um convite misterioso de um amigo.

O amigo pegou Milton no hotel e o levou a um apartamento sem dizer quem os esperava.

Era um prédio antigo, com um velho elevador.

Quando tocaram a campainha, eis quem abre a porta:

Jeanne Moreau!

Bituca ficou tão em transe quanto no dia em que viu Jules e Jim pela primeira vez.

Seguiu-se uma tarde de chá e muita conversa.

Rock e cinema documental, um subgênero do documentário

O rock e o cinema documental se encontraram muitas vezes na década de 1970. Juntos, criaram um verdadeiro subgênero do documentário. Aqueles filmes de longa metragem exibidos nos cinemas para grandes plateias permitiam um contato mágico do público com artistas que dificilmente seriam vistos ao vivo. Em alguns casos, havia cinema e música de qualidade. Em outros, o forte era só a música.

Considero Woodstock o melhor momento desse tipo de documentário.

Woodstock não tem narrador em off, como tantos documentários. Alterna falas, locuções de palco e números musicais. Pode parecer cronológico, mas não é. Em sua narrativa, entendemos que, da tarde de uma sexta-feira à manhã de uma segunda, o festival começa, acontece e termina. A despeito desta certeza, os fatos gerados pela multidão, pelos artistas e pela natureza (o temporal que se abateu sobre o evento) estão misturados. Tudo é fragmentado. A montagem é uma aula permanente de cinema. Marco e influência no gênero, o documentário tem no uso da tela múltipla um grande trunfo. É o que lhe dá ritmo como espetáculo fílmico. É também o que permite uma tradução mágica da música que o festival ofereceu aos seus espectadores e legou ao futuro.

Martin Scorsese, ainda um jovem desconhecido, participou de Woodstock operando uma das câmeras. Em Elvis on Tour, esteve envolvido no trabalho de montagem. Mais tarde, realizou um dos grandes documentários de rock dos anos 1970: The Last Waltz.

Os irmãos Maysles sobrepuseram a violência de Altamont à música dos Rolling Stones no controvertido Gimme Shelter. Em The Concert for Bangladesh, é a música que se sobrepõe ao cinema. Mad Dogs & Englishmen e Elvis on Tour são belos registros de bastidores.

Nos anos 1980, o VHS levou os shows para dentro de casa. O acesso fácil banaliza as coisas. Hoje, temos esses filmes em nossos acervos. Mas nada se compara à emoção de tê-los visto na estreia.

Rock e cinema documental: meu top 6.

WOODSTOCK

THE LAST WALTZ

GIMME SHELTER

ELVIS ON TOUR

MAD DOGS & ENGLISHMEN

THE CONCERT FOR BANGLADESH

Esses são do tempo em que todos compravam discos

Com eles, meu mundo fica muito mais completo. Escrevi, há dois dias, brincando com o título do CD de Cássia Eller e falando de discos brasileiros indispensáveis.

Um leitor amigo me pediu então meus discos indispensáveis do rock.

Primeiro, uma explicação: não são OS discos. São discos. E há muitos outros.

Mas, atendendo ao leitor, vamos a alguns que me são caríssimos.

Que tal ouvi-los no fim de semana?

AFTER SCHOOL SESSIONS, Chuck Berry

MUSIC FROM BIG PINK, The Band

BLIND FAITH, Blind Faith

JOHN BARLEYCORN MUST DIE, Traffic

JOHN LENNON/PLASTIC ONO BAND, John Lennon

DEJA VU, Crosby, Stills, Nash & Young

TUMBLEWEED CONNECTION, Elton John

FRAGILE, Yes

TAPESTRY, Carole King

THE INNER MOUNTING FLAME, The Mahavishnu Orchestra

THICK AS A BRICK, Jethro Tull

SONGS IN THE KEY OF LIFE, Stevie Wonder

Pedro Osmar recupera suas canções em ótimo CD duplo

 

O ano era 1971. Pedro Osmar era meu colega no curso ginasial.

Uma noite, chegou lá em casa com um disco dos Beatles (a segunda metade do Álbum Branco) e um violão.

Não pare na reta biconexa.

Dizia o primeiro verso da música que ele cantou.

Eu vi (meu pai também viu) que Pedro, apesar da pouca idade, sabia fazer!

Acompanho seu trabalho desde então.

Essa fase, anterior à sua primeira ida ao Rio, parece ter se perdido no tempo.

Ainda lembro de uma canção completa: Sobre o tema quase três e o mês. Cantou no Festival Nacional de Vanguarda, no Teatro Santa Roza, em 1971. Acho que nem ele lembra mais.

A barra enfrentada no Rio conferiu maturidade ao trabalho de Pedro. Ele voltou cheio de canções. E trouxe na cabeça a ideia da Coletiva de Música da Paraíba, realizada em 1976.

Nascia o cara que queria organizar o movimento.

Jaguaribe Carne (já com o irmão Paulo Ró). Shows com canções. Ruptura com elas. Música aleatória, experimentalismo total. Fala Jaguaribe. Guerrilha cultural.

No meio, Zé Ramalho. Pedro e sua viola na banda de Zé. Uma trilha para o mainstream, por ele logo recusada. Não era o seu caminho.

Entendo (embora lamente) o abandono das canções. Entendo o experimentalismo e o papel exercido pelo guerrilheiro cultural.

Mas discordo de muitas posturas públicas de Pedro. São de intolerância, de não aceitação das diferenças. Isso não combina com o artista, o melodista, o poeta, o experimentador de sons. As suas dores já estão na arte que produz. Bem como seus credos, seus heróis.

Esse post sobre Pedro Osmar tem um motivo: ele acaba de lançar um CD duplo (Quem Vem Lá?) só com canções. São 32! De várias fases da sua trajetória, incluindo as mais conhecidas, aquelas que se tornaram os clássicos do seu repertório (Baile de Máscaras, Nó Cego, Mote do Navio, etc.).

Gostei imensamente do disco! É muito bom!

É algo que Pedro nos devia. Seu songbook registrado com o cuidado merecido. Com bons músicos e arranjos que dão contemporaneidade às canções mais antigas.

Quem Vem Lá? é guiado por uma unidade, tem um conceito formulado por Pedro e os que o produziram. O retorno às canções se dá depois que o artista já ultrapassou o limiar da velhice. Tem o olhar distanciado, mas mantém o desejo pelo novo. Ou não seria Pedro Osmar!

A voz conserva inflexões que eu ouvi no rapaz que foi lá em casa há quase meio século. Elas estão na assinatura do autor e do intérprete. Sempre estiveram. São fortes, têm uma marca de originalidade.

O seu cancioneiro agora está impregnado pela passagem do tempo. Até pelos sons que ele produziu quando rompeu com as canções. Tem muito também da música que ouviu. Pedro foi bom ouvinte nas noites de Jaguaribe.

O que ficou de tudo está sintetizado nesse disco duplo.

Que bom que ele tenha dado esse presente a quem o admira!

Chico Buarque lança música nova. Ouça “Tua Cantiga” aqui

O primeiro single do novo CD de Chico Buarque foi lançado nesta sexta-feira (28) nas plataformas digitais pela gravadora Biscoito Fino.

Tua Cantiga é uma parceria de Chico com o pianista Cristóvão Bastos.

Caravanas, o CD que Chico Buarque está gravando (o primeiro desde 2011), vai estar no mercado em agosto.

Ouça Tua Cantiga.

Com eles, meu mundo fica muito mais completo

O título – claro! – é uma brincadeira com o disco de Cássia Eller. Com Você, Meu Mundo Ficaria Completo.

Você é um homem do século passado, ainda compra discos.

Ouvi a frase de um amigo, há alguns anos.

Os discos estão sumindo. Não exatamente os objetos. Mas o conceito.

Conversem com garotos e garotas das gerações Y e Z e comprovem. Eles ouvem música. Não ouvem discos.

Disco, com capa, encarte, é um fenômeno comercial da segunda metade do século XX.

Conversando sobre esse tema com um leitor, indiquei seis discos para mim indispensáveis.

Quem quer ouvi-los?

CANÇÕES PRAIEIRAS, Dorival Caymmi

CANÇÃO DO AMOR DEMAIS, Elizete Cardoso

VOCÊ AINDA NÃO OUVIU NADA!, Sérgio Mendes e Bossa Rio

COISAS, Moacir Santos

OS AFRO SAMBAS, Baden Powell e Vinícius de Moraes

JOÃO GILBERTO, João Gilberto

No Dia dos Avós, amor, amizade e uma avó muito especial

No Dia dos Avós, vou contar uma história que gosto de repetir. Aqui mesmo, já contei uma vez. O texto é semelhante ao que está no meu livro Meio Bossa Nova, Meio Rock’n’ Roll.

O Projeto Pixinguinha 1979 aconteceu no Cine Santo Antônio, em Jaguaribe. Lizzie Bravo, a única brasileira que gravou com os Beatles, nos conduziu (a mim e à minha avó Stella) ao camarim, adaptado nos fundos do cinema, por trás da tela. A conversa foi rápida, mas suficiente para que Egberto Gismonti ouvisse da minha avó que ali, naquele show, ela tivera a mais intensa experiência musical da sua longa vida.

Egberto pareceu profundamente tocado com o que ouvira, sobretudo porque as palavras – creio – eram pronunciadas por uma pessoa cuja idade (80 anos), em tese, dificultaria a compreensão daquele tipo de trabalho. Eu próprio, que conhecia o gosto musical da minha avó, fiquei surpreso ao vê-la fascinada por Gismonti.

O show de Egberto Gismonti era extraordinário. No velho cinema, a poucos metros de casa, todas as noites, durante uma semana inteira, podíamos ver de perto a melhor música instrumental que se produzia no Brasil. Olívia Byngton e Marlui Miranda também estavam no palco, com vozes expressivas, mas o principal era Gismonti e o trio Academia de Danças.

Egberto produzia sons de um Brasil profundo, no momento em que largara os instrumentos eletrônicos e voltara a uma formação acústica. As improvisações eram jazzísticas. O músico, um virtuose. Por trás da contemporaneidade e do olhar para o futuro, estava o passado. De um lado, Villa-Lobos; do outro, as valsas que o avô escrevia em Carmo, a cidade onde nasceu.

O que encantara minha avó no som tão contemporâneo de Egberto Gismonti?

A demonstração inequívoca de que estávamos diante de um grande músico?

Ou a presença da tradição por trás (ou por dentro) da modernidade do que fazia?

As duas coisas, talvez. Ou uma outra: que, no fundo, não há barreiras para se ouvir música.

O fato é que, naquele encontro por trás da tela do Cine Santo Antônio, nasceu uma relação de amizade viabilizada pela sensibilidade musical.

Quando minha avó morreu, cinco anos mais tarde, guardei as cartas que ela recebeu de Gismonti, bem como o registro, feito pela câmera sensível do fotógrafo paraibano Gustavo Moura, do último encontro dos dois, na casa dela, em setembro de 1983.

Stella e Gismonti

Muitos anos depois, ouvi de Egberto que a relação com os velhos mudou a sua vida. Logo ele, que trouxe tanta coisa nova para a música do Brasil. Sim, justamente ele, que sabe que, sem a presença dos velhos, o novo seria uma impossibilidade.

Mick Jagger é o líder da banda e o dono do negócio

Nesta quarta-feira (26), Mick Jagger faz 74 anos.

Nesta terça (25), Keith Richards anunciou que os Rolling Stones devem lançar mais um disco.

Para o bem e para o mal, a banda, que já tem 55 anos de carreira, envelheceu junta.

Jagger é o líder do grupo e o dono do negócio. Rentabilíssimo negócio!

Era belo na juventude.

Ficou assim na velhice.

No longo intervalo que separa uma foto da outra, o mundo tem testemunhado a performance de um grande artista do seu tempo. Sobretudo quando visto no palco, onde comanda, com raro domínio do seu espaço cênico, uma festa profana que (como diria Jabor) evoca a nossa natureza animal.

O jovem Sinatra flutuava no palco. Elvis requebrava com as câmeras a enquadrá-lo da cintura para cima. Jagger rebola, correndo de um lado para o outro. Masculino e feminino. Único, singularíssimo.

Era intuitivo e ainda contido no início da carreira. Estava caligrafando uma assinatura. Se ficou milimetricamente calculada, sua performance ganhou em beleza e ousadia.

Jagger é um branco fazendo (bem) música de preto. Ele e Richards são insubstituíveis à frente dessa banda que gravou grandes discos de rock e, ao vivo, oferece ao seu público uma extraordinária experiência visual e sonora.

Faz tempo que não gravam um disco autoral à altura dos seus melhores trabalhos.

Faz tempo que são cada vez melhores no palco.

Há uns poucos anos, falando para a plateia de um festival de cinema, Mick Jagger abordou o tema da passagem do tempo:

Éramos jovens, belos e tolos. Agora, somos só tolos.

Poderia ter dito assim:

Tolos, velhos e ricos!

Eastwood é um grande reacionário que faz grandes filmes

Por acaso, revi um trecho de As Pontes de Madison na TV. Justamente na cena em que Francesca, a personagem de Meryl Streep, fala de uma foto de Robert Kincaid, interpretado por Clint Eastwood. As pessoas flagradas pela máquina se comportam de modo tão natural que não parece que elas estão sendo fotografadas. O comentário dela leva a um dele sobre a dificuldade de publicar o seu trabalho. E, em seguida, vem uma frase crucial a respeito da dimensão dos artistas. Os que conseguem se projetar e os que não conseguem. Muita gente pode ver o filme e não se deter no conteúdo da conversa. Mas é evidente que ela tem um significado especial. Traz uma reflexão do artista sobre o seu ofício. Não está ali gratuitamente. É Clint que nos fala.

As Pontes de Madison não é um filme comum. Sensível, delicado, sem excessos. Essencialmente belo. Eastwood o conduz como um mestre. E atua ao lado de Streep. Ele, um fotógrafo cumprindo pauta da National Geographic: registrar as pontes do condado de Madison. Ela, uma dona de casa, com marido e filhos, envolvida numa arrebatadora aventura extraconjugal. A história é contada pelos filhos após a morte dela, a partir das anotações deixadas pela mãe. Não há soluções fáceis na narrativa, nem qualquer traço de pieguismo. A história flui tão naturalmente quanto parecem naturais e espontâneas as pessoas anônimas da foto de Kincaid que Francesca admira.

Clint Eastwood é um dos raros cineastas que me fazem sair de casa para ir a um desses cinemas de shopping. Sou contemporâneo da sua estreia na direção, no thriller Perversa Paixão, e o acompanho desde então. Quando começou a dirigir, já passara dos 40 anos e era um ator de sucesso. Os méritos dos primeiros trabalhos (após Perversa Paixão, veio o western O Estranho Sem Nome) ainda não indicavam que se transformaria num dos grandes cineastas do mundo. O ator dirigido na juventude por Sergio Leone e Don Siegel logo superaria os dois professores e realizaria filmes muitos melhores do que os westerns italianos do primeiro e as produções B do segundo.

Como cinéfilo, cultuo os westerns americanos. Meus tios diziam que eles eram bons porque tinham poucos tiros. Sempre detestei os italianos (que tinham tiros em demasia), inclusive os de Leone. Nunca os compreendi. Eastwood se tornou conhecido filmando com Leone, mas, uma vez diretor, acabou ajudando a retirar o gênero do ostracismo em que se encontrava quando realizou ao menos um western à altura dos clássicos: Os Imperdoáveis. Republicano e reacionário, Clint dedicou o filme a Leone e a Siegel. Mas poderia ter dedicado a John Ford, tão republicano e reacionário quanto ele. Premiado com o Oscar, Os Imperdoáveis já chegou aos cinemas com a feição de verdadeiro clássico.

O cinema de Clint Eastwood cresceu à medida em que ele envelheceu. Seja em Bird, retrato de Charlie Parker, o atormentado gênio do bebop, seja no drama As Pontes de Madison. Também no extraordinário Sobre Meninos e Lobos, em Menina de Ouro e Gran Torino. Ainda nos dois filmes sobre a Segunda Guerra, A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima. Gêneros distintos, temas diversos tratados por um cineasta americano que faz, sim, cinema de autor no sentido que os europeus dão ao termo. Seus filmes são clássicos contemporâneos. O estilo de narrar é seco e direto, lição que aprendeu mais com Siegel do que com Leone. Sem excessos, como os temas minimalistas que compõe.