Lembrança de Elba Ramalho numa noite mágica e inesquecível!

Um veio d’água na serra

É um olho d’água

Um veio d’água no rosto

É uma mágoa

A correr

Os versos de Luiz Ramalho ficaram retidos na minha memória afetiva do jeito que eu os ouvi naquela noite.

Era sábado, uma semana antes do carnaval de 1980.

Na Piollin (a primeira, por trás da Igreja de São Francisco), as arquibancadas do circo (sem a empanada) foram montadas na entrada da escola fundada por Luiz Carlos Vasconcelos e Everaldo Pontes.

O palco, de costas para o portão, estava pronto para receber Elba Ramalho no show Ave de Prata.

Elba vinha da Ópera do Malandro, de Chico Buarque, e já passara por aqui dividindo o palco com Tadeu Mathias no acústico Baião de Dois.

Mas assim, com banda e já com disco lançado, era a primeira vez.

Noite de sábado, verão, clima de carnaval, arquibancadas lotadas, gente em pé!

E lá vem Elba oferecendo sua música a uma plateia a quem começava a mostrar seu imenso talento.

Era uma Elba que o tempo cuidaria de lapidar. Mas já havia nela uma força e um vigor que os grandes artistas têm.

A força da voz, visceral, nordestina, mas antenada com o mundo.

O vigor no palco, espaço que domina como poucos.

Ave de Prata, o começo de tudo. No Brasil que começava a enxergar a luz. No Nordeste que projetava novos artistas. Elba brilhando no meio deles. Partindo para uma carreira digna e fiel ao que ela é e ao que representa.

Para mim, aquela noite no circo da Piollin foi verdadeiramente mágica!

Mágica e inesquecível!