“Sgt. Pepper”, o “Cidadão Kane” do rock, chega aos 50 anos!

Estamos a poucos dias dos 50 anos do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Dizer que é o disco mais importante dos Beatles é pouco.

Chamá-lo de o disco mais importante do rock lhe faz justiça.

Por isso, a comparação com o filme de Orson Welles aí no título. Cidadão Kane é o filme mais importante do cinema. É quase uma unanimidade.

Quando o Sgt. Pepper foi lançado, eu tinha oito anos e acabara de ver os Beatles no cinema em A Hard Day’s Night e Help!.

Nos dois filmes de Richard Lester, a imagem deles era aquela ainda ingênua que conquistara o mundo em 1964 como irresistível fenômeno pop.

No Pepper, tínhamos coisas que eu não conseguia entender aos oito anos. Daí, tenho a lembrança de que o disco me soava estranho e enigmático quando o conheci.

Sgt. Pepper remete ao status que a segunda geração do rock deu ao gênero. Esse status começa com Bob Dylan, em 1962, um pouco antes do surgimento dos Beatles.

Nos primeiros tempos, os Beatles parecem ingênuos demais para dar continuidade à linha evolutiva do rock.

Mas amadureceram rapidamente, guiados (ou traduzidos, se quisermos enfatizar o talento dos rapazes) pelo maestro George Martin.

O Sgt. Pepper – após os passos dados no Rubber Soul e, sobretudo, no Revolver – é a confirmação desse amadurecimento do quarteto. E do amadurecimento do próprio rock.

O rock será o que fizermos dele – disse John Lennon.

O disco agora cinquentenário assegura que sim!

(Voltarei ao Pepper em outros textos aqui na coluna)