Telespectador não tem informação sobre a ditadura

Considero importante, por motivos óbvios, que obras de ficção, no cinema e na televisão, falem sobre a ditadura militar brasileira.

No caso da televisão, Anos Rebeldes, de 1992, foi um marco.

Agora, temos Os Dias Eram Assim, super série que a Globo exibe no horário das 23 horas.

Leio que a super série, ambientada entre 1970 e 1984, enfrenta problemas com a audiência. Está mais baixa do que a média do horário.

Serão feitas mudanças na trama, provavelmente a partir da próxima semana. Entre elas, a entrada de novos personagens e uma contextualização histórica mais clara.

Chamada de super série, Os Dias Eram Assim tem características de uma novela. Mas, até aqui, tem um traço que a diferencia das tramas que costumamos ver nos demais horários que a Globo dedica à sua teledramaturgia: a história se desenvolve com um número menor de personagens.

É atraente como obra de ficção sobre a ditadura brasileira e tem na trilha sonora um forte elemento de conexão com a memória afetiva de quem viveu a época.

Um dos textos que li sobre a super série traz um dado que chamou minha atenção: os problemas com a audiência estariam relacionados ao fato de que, de um modo geral, o telespectador não tem informações sobre a ditadura militar brasileira.

Essa desinformação é tão grande que o impede de entender a trama.

Faço uma ilustração: certa vez, levei uma sobrinha adolescente ao cinema. Vimos um desses filmes sobre a ditadura. Após a sessão, ela confessou que não entendera nada e perguntou qual era o tema do filme.

Educação e memória estão juntas nesse debate.

Os dias (de hoje) SÃO assim!