Impeachment, Nixon, Collor, Dilma, Trump e um filme

Há alguns filmes que todos os jornalistas deveriam ver.

Cidadão Kane, A Montanha dos Sete Abutres, Rede de Intrigas.

Imprensa, política, poder, notícia, audiência, sensacionalismo, investigação, verdades e mentiras. Podem até não interessar à geração Y, mas não estão superados, embora tantos anos nos separem do tempo em que foram realizados. Tratam de questões que o furacão digital (ainda) não varreu do mapa!

Kane, o mais velho e o melhor, logo terá 80 anos!

Todos os Homens do Presidente é um desses filmes para jornalistas.

Gosto de revê-lo sempre que se fala em impeachment.

Trata de um episódio ainda muito recente (pouco mais de 40 anos), se pensarmos na perspectiva da História: o processo que, em 1974, levou o presidente americano Richard Nixon à renúncia.

Não é um filme importante, transformador, como Cidadão Kane, mas é muito bom cinema assinado pelo veterano Alan Pakula. E uma verdadeira aula de jornalismo investigativo.

“O herói do filme é o repórter, essa mistura de curiosidade, timidez, modéstia, agressividade, coragem, paciência, obstinação e (por que não) sadomasoquismo”, escreveu o crítico Antônio Barreto Neto quando o filme passou por aqui na década de 1970.

Vamos ver (ou rever) Todos os Homens do Presidente?

Penso nele agora porque a palavra impeachment está de volta ao noticiário.

Trump, os russos, o FBI.

Vimos Nixon, de cuja queda o filme trata. Vimos Collor. E Dilma.

Veremos Trump?

O presidente americano está no poder há pouco mais de 100 dias e quase metade da população já quer que ele saia da Casa Branca!