O Sgt. Pepper botou a banda pra tocar há 50 anos!

Nesta quinta-feira (01/06), faz 50 anos do lançamento do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (o álbum saíra seis dias antes no Reino Unido).

Prefiro o Abbey Road, o Álbum Branco, o Revolver. Muitos fãs preferem.

Mas o Pepper é o disco mais importante dos Beatles. O mais ousado, o mais influente, o mais marcante. Aparece quase sempre como o disco mais importante do rock.

O álbum é uma suíte pop com 13 faixas coladas.

Nasceu quando os Beatles gravaram Strawberry Fields Forever (de Lennon) e Penny Lane (de McCartney). As duas lembranças da infância em Liverpool ficaram de fora do LP, saíram em single, mas estão para sempre associadas ao impulso criativo que gerou o Pepper.

Sgt. Pepper é disco de uma banda. Se há, porém, alguém que pode ser de fato mencionado como autor do projeto, esse alguém é Paul McCartney.

A ideia é mais dele do que dos outros. O conceito, a capa. A predominância do autor no repertório. É fruto do interesse de Paul pelos eruditos contemporâneos, pela arte de vanguarda, pelo que ele viu e ouviu na Londres da sua juventude. (Está tudo no livro Many Years From Now).

A despeito disso, há grandes momentos autorais de John Lennon (Lucy, Mr. Kite) e um número de música indiana que insere George Harrison no projeto de forma brilhante. Ringo Starr faz seu número com uma pequena ajuda dos amigos.

O Pepper é diferente do que os Beatles faziam até então, apesar dos sinais claros que estavam no Revolver. É, a um só tempo, novo e velho. Ou vai buscar o novo no velho.

Sempre me pareceu assim. Rompe, define caminhos, diz como vai ser dali por diante. Mas evoca a bandinha da cidade interiorana, o espetáculo de circo, as cordas e a harpa a acompanhar um lied de um tempo remoto, o ritmo americano que embalava o pai de Paul.

Tudo dando forma a um produto que era, naquele junho de 1967, o que havia de mais contemporâneo no rock.

O ponto alto, a coda dessa grande suíte pop, se chama A Day in the Life. Duas canções distintas (uma de John, outra de Paul) que foram fundidas como se fossem uma só. A orquestra de muitos músicos, soando atonal, produzindo música aleatória, conduz o ouvinte ao majestoso acorde final.

O maestro e produtor George Martin, peça fundamental na engrenagem do Pepper, conta a história do disco no livro Summer of Love, The Making of Sgt. Perpper, leitura importante para quem ama os Beatles.

Leia o livro, ouça o disco. Celebre os 50 anos do Pepper!

Gilson Souto Maior conta em livro história da televisão paraibana

Depois de contar a história do rádio paraibano, Gilson Souto Maior está contando a história da televisão.

No dia nove de junho, ele lança em João Pessoa o livro História da Televisão na Paraíba.

O lançamento será às quatro da tarde na Câmara Municipal.

(Na foto, Gilson Souto Maior quando era apresentador da TV O Norte, na segunda metade da década de 1980)

Um breve perfil que escrevi sobre o autor está na História da Televisão Paraibana.

Transcrevo:

Conheci Gilson Souto Maior há uns 35 anos. Eu, na redação de A União. Ele, na assessoria de comunicação da Telpa. Fui fazer uma visita à empresa movido mais pela oportunidade de conhecer o profissional que, atuando em Campina Grande, àquela altura já fizera história no rádio e na televisão da Paraíba.

Gilson – a voz no rádio.

Gilson – a imagem e a voz na televisão.

Nos dois veículos, a credibilidade, o domínio pleno do que fazia, o amor pelo ofício.

Um pouco depois, no momento em que troquei o impresso pelo televisado, há exatos 30 anos, Gilson dividia com Beth Menezes o vídeo da novíssima TV O Norte. Trazia a experiência pioneira na TV Borborema para João Pessoa, que ganhava, com a TV Cabo Branco e a emissora dos Associados, seus primeiros canais de televisão.

Gilson Souto Maior é homem do rádio, da televisão e também da academia. O que aprendeu na prática, compartilhou com seus alunos.

Nele, a soma disso tudo conduziu a uma preocupação que – confesso – é minha também: a memória.

Quem cuidará dela num país que, sabemos, é tão pobre quando este é o assunto?

Quem contará a história de quem dedicou anos e anos à produção de conteúdo jornalístico nas nossas redações?

Gilson está fazendo a parte dele.

Primeiro, contou a história do rádio na Paraíba.

Agora, nesse novo livro, conta a história da televisão.

O trabalho, no começo, promove, didaticamente, um encontro do leitor com a história da televisão brasileira. Desde os seus primórdios. Fatos, datas, nomes, está tudo nessa primeira parte.

Depois, chega à Paraíba. E, aí, registra o que ninguém ainda o fez. E que era tão necessário que fosse feito.

O livro de Gilson Souto Maior apresenta aos mais jovens o que eles precisam saber. Os que já não são tão jovens farão uma viagem nostálgica pelos bastidores da televisão paraibana. Cada emissora, seus personagens, as grandes figuras por trás das câmeras, o material iconográfico. Um registro que funde o caráter histórico do projeto aos laços afetivos que o autor não consegue esconder.

Afinal, a trajetória profissional de Gilson Souto Maior se confunde com a história da televisão paraibana.

John Kennedy nasceu há 100 anos

Nesta segunda-feira (29), faz 100 anos que John Fitzgerald Kennedy nasceu.

Católico, filho de uma família de origem irlandesa, JFK estava com 46 anos quando foi assassinado em Dallas no dia 22 de novembro de 1963.

Kennedy é uma das grandes personalidades do século XX tanto quanto seu assassinato é um dos maiores episódios do século passado.

Onde você estava quando John Kennedy foi assassinado?

Eu tinha apenas quatro anos e meio, mas nunca apaguei da memória. No início da tarde daquele 22 de novembro de 1963, meu pai sintonizou a Voz da América para acompanhar o noticiário. A lembrança ainda é nítida. O rádio Philips em cima de um pequeno móvel no canto da sala, o som cheio dos ruídos da transmissão em ondas curtas. Costumo dizer que os americanos entraram na minha vida ali. Ou que é o primeiro grande fato histórico de que me lembro.

Meu pai era comunista, mas admirava os irmãos Kennedy (Bob mais do que John) e seus esforços na direção de um sonho: uma América que não mais separasse os homens pela cor da pele. JFK crescera em seu conceito na crise dos mísseis, no modo como dialogou com forças antagônicas. Também lhe era atraente a solidez da democracia americana. Talvez como contraponto às nossas históricas instabilidades. Como quem intuía que, dali a pouco mais de quatro meses, os militares deporiam um presidente civil e mergulhariam o Brasil em duas décadas de governos de exceção.

Perguntas que atravessaram o tempo que nos separa do assassinato de Kennedy continuam sem respostas. No início dos anos 1990, ao realizar o filme JFK, o diretor Oliver Stone nos remeteu a elas:

Quem, de fato, matou Kennedy? Todos os tiros foram disparados por Lee Harvey Oswald? Uma grande conspiração está por trás do assassinato? Quem ordenara a execução? O governo cubano? A direita americana? O que levou Jack Ruby, o dono de uma casa de prostituição, a matar Oswald diante das câmeras e da polícia?

Vendo de longe, tenho a impressão de que o mito Kennedy é muito maior do que a realidade. Vivo e reeleito, JFK manteria os Estados Unidos no Vietnã do mesmo modo que apoiaria as ditaduras da América do Sul. O irmão Bob, morto em 1968, parecia mais avançado, mas nunca saberemos. O fato é que a figura que o mundo construiu não pode ser desassociada da sua dimensão trágica. É esta que atravessa o tempo. Somada a sonhos projetados na imagem do jovem presidente e sua bela mulher.

Antes que se completasse meio século do assassinato de Kennedy, os Estados Unidos tinham seu primeiro presidente afrodescendente, o que era impensável em 1963. Agora, no centenário do seu nascimento, têm Donald Trump na presidência, algo fora de qualquer previsão um ano atrás.

Na minha memória afetiva, JFK está guardado como evocação de uma época de muitos conflitos e grandes esperanças.

Dudu Braga, Roberto Carlos, ativismo, cidadania

Paizão!

É assim que ele chama o pai.

Ele é Dudu Braga.

O pai é Roberto Carlos.

Nesta quinta-feira (25), recebemos Dudu para uma entrevista na CBN João Pessoa.

Aos 58 anos, sou um homem desencantado com minha profissão. Poucas coisas nela ainda me alegram. Entrevistar (com o âncora Bruno Filho) Dudu Braga me proporcionou momentos de grande alegria.

Ele veio a João Pessoa fazer palestras.

Dudu conta a história do garoto que nasceu com um glaucoma congênito e enxergou normalmente até os 23 anos, quando, por causa de um descolamento de retina, perdeu a visão. É a sua história.

Dudu faz um ativismo sem a chatice do politicamente correto. Ele conversa abertamente sobre os temas relacionados à perda da visão. Usa a palavra cego. Tira os óculos escuros e mostra os olhos enquanto fala com você. Sabe que as pessoas vão usar o verbo ver com ele e não se importa nem um pouco.

Não quero dizer que Dudu Braga é um exemplo de superação porque não gosto da expressão. Acho tão lugar-comum!

Vou dizer de outro jeito:

Dudu Braga é um grande exemplo de cidadania!

Cidadania que se sobrepõe ao debate ideológico, aos limites dos partidos políticos.

Cidadania! Assim! Com exclamação!

O cara viaja, conversa com as pessoas, conta sua história, atua junto a entidades. Age com uma simplicidade que conquista de cara, em poucos minutos. O que há nele é o humano acima de tudo. A sensibilidade. A emoção. Também a consciência dos papéis sociais que cada um tem.

E ainda há a conversa sobre música. A música do pai e a relação do seu cancioneiro com regiões profundas do ser do Brasil. A música da sua banda (Dudu é baterista) RC na Veia. A música que ele ouve. Que nós ouvimos. Da contenção da Bossa Nova ao rock do Led Zeppelin, ao soul de James Brown.

Muita música! Muitas histórias!

Especial mesmo essa tarde com Dudu Braga!

Alceu Valença traz a João Pessoa show com grandes sucessos

Alceu Valença traz seu novo show a João Pessoa no dia 29 de setembro.

Anjo de Fogo será apresentado no teatro A Pedra do Reino.

Anjo de Fogo é um show retrospectivo. O set list reúne grandes momentos da carreira de Alceu Valença.

Parte do repertório está no CD/DVD Vivo! Revivo!, que resgata a obra setentista do artista. Mas traz também sucessos das décadas de 1980 e 1990.

A banda que acompanha Alceu em Anjo de Fogo é formada por Paulo Rafael (guitarra), Tovinho (teclados), Nando Barreto (baixo) e Cássio Cunha (bateria).

“Star Wars” continua detestável aos 40 anos!

Hoje, peço licença aos leitores para admitir que não gosto de algo que muitos consideram intocável, quase sagrado.

Como é (quase) sagrado, tratarei como pecado.

Vou, então, confessar um dos meus pecados:

Detesto Star Wars!

Star Wars

Sou contemporâneo de George Lucas antes de Star Wars. Primeiro, THX 1138, belo e estranhíssimo filme de ficção científica.

Depois, American Graffiti. Sim! A serena poesia daquela noite de verão na Califórnia!

Aí veio Star Wars. O primeiro episódio, que depois virou quarto. E que nós, no Brasil, chamávamos mesmo de Guerra nas Estrelas. Uma Nova Esperança, só muito mais tarde!

Nesta quinta-feira (25), faz 40 anos da estreia nos Estados Unidos. Por aqui, passou em março do ano seguinte.

Vi na primeira sessão do primeiro dia, num Cine Municipal lotado.

Antônio Barreto Neto, nosso melhor crítico de cinema, escreveu no dia seguinte:

Ele (o filme) não ambiciona mais do que ressuscitar no espectador a ingênua sensação de torcer pelo triunfo do herói e pela derrota do vilão, como nas antigas matinês de domingo nos cineminhas de bairro da infância.

Disse mais:

Guerra nas Estrelas é uma súmula do velho cinema escapista de Hollywood. Um cinema assexuado e antisséptico, exuberante e descompromissado, feito com o propósito deliberado de satisfazer a uma necessidade vital do homem: a necessidade do mito. 

Nem Barreto me convenceu. Nem Roger Ebert, que adorava Star Wars.

Essa coisa de gostar ou não gostar, às vezes não carece de explicação.

Vou fechar com uma lembrança:

George Lucas disse, certa vez, que queria fazer filmes como Star Wars para ganhar muito dinheiro e poder realizar filmes como THX 1138 e American Graffiti.

Bem, ele ficou bilionário com sua franquia, que é, artística e comercialmente, um indiscutível marco do cinema.

Mas não cumpriu a promessa:

Nunca mais fez nada como THX 1138 e American Graffiti.

Terra em Transe é nosso maior filme político. Quem quer vê-lo?

Isto é o povo! Um imbecil! Um analfabeto! Um despolitizado!

A fala do personagem de Jardel Filho ecoa há 50 anos!

Para mim, o nosso maior e mais instigante filme político é o agora cinquentenário Terra em Transe.

O Brasil continua muito parecido com o Eldorado de Glauber Rocha.

Unidos em Glauber, o gênio do construtor e o mito do demolidor gestaram um filme que fala das nossas questões cruciais. Falava em 1967. Continua falando agora, meio século depois.

Esquerda, direita, populismo, messianismo, o papel dos intelectuais, o povo, a desigualdade, o autoritarismo, o nosso destino enquanto Nação. O que quisermos mais.

Terra em Transe, se tudo isso fosse pouco, ainda é absolutamente devastador como delírio estético. Não é à toa que tem a admiração de Martin Scorsese.

O problema é que, para muitos, o filme de Glauber Rocha é tosco. Hermético. Incompreensível.

Quase ninguém quer enfrentá-lo.

Mas o problema pode ser o empobrecimento intelectual das nossas plateias. A ausência de uma crítica como a que se tinha na época em que o filme foi lançado. A falta de um ambiente propício a esse tipo de cinema.

Vejam o trailer.

Em 2001, tentei reunir amigos para uma sessão caseira de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Achei que seria o máximo ver o filme de Stanley Kubrick em pleno ano de 2001. Um deles me disse assim: não passaremos da sequência dos macacos. Ninguém topou.

Que tal, então, vermos Terra em Transe agora, com o Brasil mergulhado num dos seus grandes impasses políticos?

Acho difícil que alguém queira nesses tempos de tanta superficialidade!

Jornal traz capa dos Beatles para crise política brasileira

O Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o disco mais importante dos Beatles, vai completar 50 anos.

Nesta quarta-feira (24), o jornal Estado de Minas recriou, em sua primeira página, a capa do álbum.

Trouxe para a atual crise política brasileira.

Uma delícia para os fãs do quarteto!

As redes sociais não são a vida real, diz Michael Haneke

As redes sociais não são a vida real, disse o cineasta austríaco Michael Haneke.

Com o filme Happy End, o austríaco disputa, no Festival de Cannes, a terceira Palma de Ouro de sua carreira.

Interessante a fala de Haneke, publicada em El País:

O mundo mudou muitíssimo nos últimos 20 anos. Submergiu em águas turbulentas. Não se pode descrever o mundo atual sem as rede sociais. As redes sociais não são a vida real. Sua superficialidade marca as relações atuais.

Michael Haneke ganhou a Palma de Ouro duas vezes: com A Fita Branca e com Amor.

Com Happy End, ele participa da edição de número 70 do Festival de Cannes.

Moore! Roger Moore!

Morreu o ator Roger Moore. Aos 89 anos, travou uma breve luta contra o câncer, informam as agências.

Moore se notabilizou no papel de James Bond, o agente 007.

Teve a difícil tarefa de substituir Sean Connery, o primeiro e o melhor de todos. O eterno Bond!

Cumpriu bem. Foi o segundo melhor da franquia.

Fez sete filmes. Quando deixou o papel, já tinha quase 60 anos.

Era Sir Roger Moore. Marcou uma época.

Fecho com Paul McCartney: Live and Let Die.