A Paixão de Cristo na telona. Um top 5 para a Semana Santa

Sempre gostei de ver a Paixão de Cristo no cinema, tradição que foi quebrada há muito tempo. Grandes cineastas filmaram a vida de Jesus. Escolhi cinco filmes que podem ser revistos em casa durante a Semana Santa.

O REI DOS REIS – Direção de Nicholas Ray. Jesus é Jeffrey Hunter. Tem um sermão da montanha filmado magistralmente. O narrador é Orson Welles. De 1961.

O EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS – Direção de Pier Paolo Pasolini. Jesus é um ator amador. Versão neorrealista de vida de Cristo filmada por um homossexual, marxista e ateu. De 1964.

A MAIOR HISTÓRIA DE TODOS OS TEMPOS – Direção de George Stevens. Jesus é Max Von Sydow, um dos atores de Bergman. A Aleluia de Handel dá rara beleza à sequência da ressurreição de Lázaro. De 1965.

JESUS CRISTO SUPERSTAR – Direção de Norman Jewison. Jesus é Ted Neeley. A Paixão de Cristo transformada num musical polêmico. A cena do Getsêmani é a mais bela do filme. De 1973.

A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO – De Martin Scorsese. Jesus é Willem Dafoe. Os dilemas da fé num filme que não agradou aos católicos. De 1988.

“Caçadora”, de Lucy Alves, é pra animar baladas, diz crítico

Lucy Alves lançou “Caçadora” na sexta-feira (07) passada. Alguns se decepcionaram, outros aplaudiram. Eu não gostei. Achei artificial, fabricado. Muitíssimo inferior ao grande talento de Lucy. Mas tomara que ela se dê bem nessa tentativa de conquistar espaço!

No JC, o crítico José Teles disse o seguinte:

Caçadora, como todas as músicas deste segmento popularesco de ocasião, já chega com data de validade. A ex-forrozeira, de voz segura, afinada, é agora concorrente de Anitta no pop descartável. São as exigências e apelos do mercado. A gravadora quis (no caso, a Warner Music), Lucy Alves aceitou. Mais uma caçadora de hits, num universo em que ele é obrigatório e volátil”.

Teles também escreveu que “Caçadora é pra animar baladas, local onde a música é o que menos importa”.

No G1, Mauro Ferreira deu duas estrelas de cotação e comentou:

Caçadora mostra que a cantora, compositora e atriz paraibana pode logo se transformar em mais uma vítima da natureza predatória da indústria da música pop”.

A noite em que Cristovam Tadeu imitou Cauby para Cauby!

Há muitos anos, nem sei quantos, fui ver Cauby Peixoto no Teatro Paulo Pontes.

No meio do show, Cauby pede que alguém da plateia suba ao palco para dividir A Volta do Boêmio com ele.

Da plateia, surge Cristovam Tadeu, fã do artista.

Começa o dueto.

“Boemia, aqui me tens de regresso”, Cauby é quem abre.

Quando passa o microfone para Cristovam, a primeira surpresa: ele entra com a voz de Chico Buarque, improvável intérprete daquela música.

Cauby retoma. Canta mais um pouco e devolve o microfone a Cristovam.

Mais uma surpresa: a voz agora é de Miltinho!

Cauby e os músicos do seu trio trocam sorrisos, não escondem que estão curtindo!

O dueto prossegue: Cauby faz uma estrofe. Cristovam, outra. Desta vez, como se fosse Nelson Gonçalves!

A platéia explode! Os músicos vibram! Cauby vai à loucura!

Chegamos ao desfecho: Cauby canta outra estrofe. Cristovam, então, imita Cauby!

Cauby para Cauby! Já pensaram?

E mistura A Volta do Boêmio com Conceição!

Cauby tira um lenço do bolso e entrega a Cristovam. Os dois terminam cantando juntos! Diante de um público ainda surpreso e totalmente recompensado com o que acabara de ver!

Mais tarde, na madrugada, Cristovam Tadeu jantava sozinho no Gambrinus quando ouviu o vozeirão vindo de uma outra mesa:

CRISTOVAM! PARABÉNS, PROFESSOR!

Era Cauby Peixoto!

Para Caetano, Jomard profetizou o que aconteceu no Mangue Beat

Em 2009, entrevistei Caetano Veloso sobre Jomard Muniz de Britto. A entrevista foi registrada para o filme JMB, o Famigerado.

Teve um momento da conversa em que eu perguntei:

“Para Caetano, afinal, quem é Jomard Muniz de Britto?”

E Caetano assim respondeu:

“Cara, Jomard é muita coisa, muita coisa!

Ele é uma dessas pessoas em constante movimento e uma figura que, pra mim, cataliza no Recife uma série de movimentos da alma entre muitas pessoas. Eu acho que ele profetizou o que veio a acontecer no Mangue Beat com a própria atitude dele. E ele sempre teve uma maneira de ser que era profundamente pernambucana e ao mesmo tempo parecia ter a necessidade e a capacidade de intuir uma maneira de superar as coisas que em Pernambuco pudessem ser travas.

É curioso isto, eu acho. Porque, muitas vezes, grandes pernambucanos, ou grandes pessoas que a gente conhece em Pernambuco, são justamente grandes por serem grandemente restritivas.

Lembro de uma história engraçada de Ariano Suassuna que contam na Bahia. Ele foi a Salvador, quando a Escola de Teatro montou O Auto da Compadecida, e, depois, disse que não tinha vontade de voltar a um lugar onde as pessoas estão num bar, um baiano se levanta para ir ao banheiro e os outros baianos falam bem daquela pessoa que se levantou. Então, para o baiano, que é assim, o pernambucano aparece como restritivo.

E, curiosamente, o temperamento do Jomard parece ser o oposto, porque é agregador, embora eu não diga que ele seja uma pessoa que procure ser diplomática, não é isso, é o próprio espírito assim mais absorvente, mais líquido”. 

(A foto, lá em cima, não é do filme JMB, o Famigerado. Mas também é de 2009. Eu e Jomard numa conversa com Caetano no Marco Zero, Recife. Quem fez a foto foi Kubi Pinheiro)

Jomard Muniz de Britto faz 80 anos em permanente transgressão

Hoje (08), Jomard Muniz de Britto faz 80 anos.

No Recife, será lançada a biografia Jomard Muniz de Britto, Professor em Transe, de Fabiana Moraes e Aristides Oliveira.

Às quatro da tarde, haverá exibição do filme JMB, o Famigerado, de Luci Alcântara, e às seis, sessão de autógrafos com os autores e o biografado. Tudo no cinema da Fundação Joaquim Nabuco, no Derby.

Hoje cedo, uma jovem de vinte e poucos anos me perguntou: quem é Jomard?

E eu resumi assim:

Jomard foi assistente de direção de Glauber Rocha.

Jomard trabalhou com Paulo Freire.

Jomard foi preso no golpe de 64.

Jomard esteve à frente do grupo nordestino (Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte) que aderiu ao Tropicalismo.

Jomard foi afastado de suas atividades de professor na UFPB e na UFPE no endurecimento do regime militar.

Jomard voltou anistiado, professor que fazia a ponte entre o Recife e João Pessoa.

Jomard é escritor, poeta, cineasta.

Jomard é um professor em transe, diz muito bem o título do livro.

Jomard é um intelectual brilhante.

Jomard é um homem em permanente transgressão.

Salve Jomard Muniz de Britto!

Lucy Alves – uma pena! – se rende ao pop mais banal em “Caçadora”

Já escrevi várias vezes sobre Lucy Alves. Nunca duvidei do seu talento.

Ela começou a brilhar muito cedo no Clã Brasil. Quando revelou-se nacionalmente, para nós só confirmou o que já enxergávamos aqui.

Depois, veio Lucy, a atriz, com marcante atuação em Velho Chico.

Torço pelo seu êxito, pela conquista de novos espaços em sua carreira.

Mas não posso deixar de registrar que fui surpreendido, muito negativamente, pelo seu novo trabalho.

É a música Caçadora, primeiro produto do contrato de Lucy com a Warner, lançada nesta sexta-feira (07) nas plataformas digitais.

Vejam o clipe.

A rigor, não tenho nada contra esse pop banal que ela aparece fazendo em Caçadora. Só acho que não combina com Lucy Alves. Com seu talento, tocando e cantando música nordestina.

Lucy é muito melhor do que isso aí! Concordam?

A Lucy de Caçadora é artificial, excessivamente produzida para o sucesso, não tem a espontaneidade e a simplicidade de antes, da grande artista que conhecemos.

Essa “nova” Lucy é muito ruim!

Uma pena vê-la assim, rendida ao pop de baixíssima qualidade!

Como diz a letra: “pronta pra caçada”.

Já havia jornalistas e jornalismo antes da Internet!

Hoje é o dia do jornalista.

Francamente, não dou importância alguma à data, mas vou aproveitar para contar uma historinha.

No começo da semana, fui entrevistado (junto com a repórter Gi Ismael) por uma estudante de jornalismo. Conversa em torno do tema editoria de cultura.

A garota me perguntou sobre como fazíamos jornalismo cultural antes da Internet.

Não sei se era o caso da minha entrevistadora, mas já ouvi essa pergunta outras vezes e tenho sempre a impressão de que, nela, há uma certa incredulidade. Como quem indaga: e era possível fazer sem as ferramentas que hoje nos dão tanta velocidade e acesso tão fácil à informação?

Na resposta, recorro comumente a um didatismo que, de tão óbvio, pode parecer irritante.

Respondo assim: nós ouvíamos discos, víamos filmes, shows, peças de teatro, íamos a exposições de artes plásticas, líamos livros. Já havia tudo isso. Anunciávamos o que ia acontecer e depois escrevíamos sobre o que consumimos. As redações (referia-me ao impresso, onde comecei) tinham máquinas de datilografia, telefones, agências de notícias, telex, mais tarde fax, etc.

Eu comecei há 42 anos. Vou fazer 58. Estou, portanto, quase de saída.

(Nessa foto aí, em abril de 1975, 16 anos incompletos, apareço entrevistando Alceu Valença, que ainda não tinha 30. Foi nos bastidores do show Vou Danado Pra Catende.)

Não quero ser saudosista, mas venho de um tempo em que havia muito mais inteligência nas redações. E maior compartilhamento.

Havia garotas e garotos (eu era um deles) ávidos mais por conhecimento do que por informação. E grandes professores, que eram nossos colegas que já passavam dos 30, 40 0u 50.

As conversas eram menos banais, as discussões (permanentes) eram sobre conteúdo, as informações precisavam ser verdadeiras.

O furacão digital mudou tudo. Jornalista misturado com não jornalista. Notícia misturada com não notícia. Pós-verdade.

Coisas velhas vistas como se fossem novas. Jovens profissionais que não sabem discernir entre jornalismo e redes sociais.

Penso nessas coisas no dia do jornalista. O que vamos comemorar?

O documento que, recentemente, a Folha divulgou, atualizando seus compromissos editoriais numa era de mudança de hábitos dos leitores, pode ficar como tema para reflexão no dia de hoje. O veículo destaca a relevância do jornalismo profissional para manter nítida a distinção entre notícia e falsidade.

As redes sociais mentem, e os críticos da grande imprensa (inclusive dentro dos cursos de jornalismo) difundem a mentira guiados pela rasteirice ideológica.

Não sei quantos leram o documento da Folha nas nossas redações. Eu li. Li com o que me resta da crença de que os avanços tecnológicos devem ser nossos aliados.

E de que nem tudo está perdido!

Ou está?

Roberto Carlos tenta repetir sucesso de “Esse Cara Sou Eu”

Roberto Carlos rompeu com a tradição do disco de final de ano na década de 1990. A fórmula estava desgastada.

Foi Bom. O artista fez o que nunca havia feito: o acústico da MTV, o ao vivo com Caetano Veloso dedicado a Tom Jobim, o disco gravado em Abbey Road, além de registros ao vivo no Brasil, em Israel, nos Estados Unidos.

O público cobra, e o Rei promete um disco de inéditas. Não acho que tenha obrigação de fazer. Não precisa. Já fez tudo o que o transformou num dos grandes artistas da nossa música popular.

Enquanto os fãs esperam pelo CD de inéditas, Roberto Carlos faz música para novelas e adere ao EP, formato pouco adotado no mercado fonográfico brasileiro.

O EP que lançou em 2012, com Esse Cara Sou Eu, foi um sucesso absoluto. Vendeu tanto quanto seus velhos LPs.

Agora em abril, está de volta com mais um EP. Sereia, que puxa o repertório de quatro faixas, está na trilha da nova trama das nove da Globo.

Tem soluções melódicas e harmônicas que lembram outras canções que Roberto fez, nos últimos 20 anos, sem a parceria de Erasmo Carlos.

Vamos ver se repete o êxito de Esse Cara Sou Eu.

O Rei merece a majestade! Ouçam/vejam “Cavalgada”

Trabalhei com o jornalista Chico Maria na TV Cabo Branco. Notável entrevistador da televisão paraibana e grande figura humana.

Como sabia do meu amor pela música, ele às vezes chegava junto de mim e cantarolava alguma coisa. Orlando Silva sempre estava no repertório.

Um dia, escolheu Cavalgada.

No trecho “estrelas mudam de lugar”, parou e fez o comentário:

O Rei merece a majestade!

Essa historinha de Chico Maria é um caminho oblíquo para chegar em Eduardo Lages.

Pois é! O maestro de Roberto Carlos faz show nesta sexta-feira em João Pessoa, no teatro A Pedra do Reino. Ao piano, divide o palco com Joanna e Rosemary.

Vamos ver Lages num momento intimista. Um piano, duas vozes, o maestro e suas histórias.

Eduardo Lages trabalha com Roberto Carlos há quase 40 anos. Arranjador inspirado, na verdade divide o palco com o Rei, comandando com muito charme uma grande banda.

Como nessa versão de Cavalgada, em que brilha trazendo elementos do rock progressivo para a balada de Roberto e Erasmo.

A Globo acertou, mas muita gente não quer reconhecer!

Indefensável o comportamento de José Mayer!

Admirável e corajosa a postura da figurinista!

Importante o protesto das mulheres dentro da Globo!

Correta a decisão da emissora de afastar o ator!

Estranho o silêncio de muita gente em relação à Globo!