O que (quase) todo artista quer mesmo é fazer sucesso!

Sei de muita gente que abomina o artista quando este faz sucesso, quando se torna realmente popular. Abomina ao ponto de nunca mais ouvi-lo.

Não acho natural. O natural é que a gente torça pelo êxito do outro. O natural é que todos almejem o êxito.

O que (quase) todo artista quer mesmo é fazer sucesso, é ser reconhecido. Não há nada de ilegítimo nisso.

Mas há caminhos e caminhos para o sucesso.

O artista não é uma coisa. Ele tem seu universo criativo, o mundo onde cresceu e atua. É bom que consiga manter alguma fidelidade à origem.

Os grandes artistas fizeram assim. O Brasil é pródigo.

De Gonzaga a Caymmi. De Tom a Chico. De Caetano a Milton.

As trajetórias são admiráveis. Têm uma integridade. Têm um esforço pela manutenção de princípios estéticos. Têm as necessárias ousadias. E uma independência criativa no diálogo com o mercado e suas estratégias.

Ainda conservo a crença no sucesso mais espontâneo do que fabricado. Permite que o artista seja ele mesmo, que não seja um mero objeto nas mãos do marketing, do produtor, dos caras da gravadora.

Vejam que carreira admirável a de Marisa Monte. Tem (no começo) um produtor e seu dedo? Tem, sim! Nelson Motta! Mas tem um caminho que a fez grande e original. E permitiu uma admirável independência. Marisa soube se consolidar. Faz sucesso, é reconhecida, grava pouco. Parece sempre que grava o que quer. Degusta o êxito, some, reaparece.

O Brasil é um país de grandes vozes femininas. Dalva, Ângela, Maysa, Elizeth, Elis, Gal, Bethânia, Clara! Marisa já é de outro tempo. Como Cássia Eller, de trajetória curta e tão marcante.

Ao sucesso!

Sim! Ao sucesso!

Mas o sucesso que não destrua o artista! Nem venha a transformá-lo no que ele não é! Muito menos em refém de predadores!