“La La Land” traz musicais de volta. Que tal rever os melhores?

Os musicais de Hollywood estão entre o que há de melhor na história do cinema.

O gênero, em seu formato clássico, morreu há 50 anos com A Noviça Rebelde. Mas foi modernizado, de Bob Fosse às óperas rock e outras coisas mais.

O sucesso de La La Land marca um retorno ao musical como fenômeno comercial e artístico. Não vi ainda. Quem já viu assegura que há muito de Hollywood, mas também de Jacques Demy.

Aproveito a “onda” para pensar nos grandes musicais. Que tal vê-los de novo? Continuam belíssimos. Dos clássicos absolutos, como Cantando na Chuva, aos modernos, como o All That Jazz de Fosse.

Considero Cantando na Chuva o mais importante de todos, filme sobre cinema, guiado pelo talento extraordinário de Gene Kelly. Mas o meu preferido é West Side Story, com as inesquecíveis melodias do maestro Leonard Bernstein levadas para a tela pelas mãos firmes de Robert Wise.   

Eis algumas sugestões. Se quiséssemos, a lista seria imensa, mas vou ficar num top 6.

Cantando na Chuva

Sinfonia de Paris

A Roda da Fortuna

Amor, Sublime Amor/West Side Story

A Noviça Rebelde

O Show Deve Continuar/All That Jazz

15 de janeiro é o dia de Martin Luther King

O reverendo Martin Luther King nasceu no dia 15 de janeiro de 1929. Se fosse vivo, estaria completando 88 anos.

Sua luta contra o racismo, sua crença na não violência e suas ideias generosas fizeram do Dr. King um dos grandes homens do século XX.

Gosto de lembrar dele nesse mundo convulsionado e intolerante.

Hoje, com o Happy Birthday que Stevie Wonder compôs e canta para ele.

Vamos ouvir?

Carlos Malta e Quinteto da Paraíba numa noite para Pixinguinha. Salve!

O programa começou com uma peça de José Siqueira, grande músico paraibano que, a despeito da trajetória e da importância, o Brasil conhece pouco. É sempre bom lembrar dele e da sua música.

Depois, o Quinteto da Paraíba recebeu Carlos Malta, o convidado da noite.

Da Suíte Sertaneja de Siqueira fomos para uma outra suíte: Pixinguinha Alma e Corpo, concebida e arranjada por Malta.

É um belíssimo retrato de um mestre tirado a partir de dez das suas músicas. Das melodias que todos conhecem, Como Carinhoso e Rosa, a temas menos populares, como as valsas Dininha e Oscarina.

Os arranjos de Malta são belíssimos. Revelam a intimidade que tem com a obra do homenageado e o amor pela música de Pixinguinha, a quem chama de mentor espiritual.

O programa é um passeio irresistível que respeita as matrizes com suaves ousadias.

Tem Pixinguinha, do jeito que ele era, com suas refinadas melodias e toda a sua riqueza harmônica. E tem diálogos com o erudito e com o jazz que redimensionam esses nossos clássicos populares.

Redimensionam e atualizam. No fundo, confirmam a permanência. A melodia de Carinhoso tem 100 anos. O jovem Pixinguinha, brasileiríssimo e universalíssimo, foi criticado por flertar com o jazz.

A sua música passa pelo tempo. Carlos Malta, como outros mais, faz a sua parte nessa passagem. Com técnica, virtuosismo, emoção, promove o encontro do mestre com os músicos do Quinteto da Paraíba. O “casamento” é um deleite para quem o testemunha.

O grupo, no ano passado, iniciou o projeto Quinteto da Paraíba Convida ao dividir o palco com Xangai. Acertou na escolha. Agora, traz Carlos Malta e seus instrumentos (saxofones, flautas). Acertou de novo.

Quem não viu ontem (13), pode ver hoje (14). Às 21 horas na Sala de Concertos José Siqueira, do Espaço Cultural.

Salve Pixinguinha!!

Autor de “O Exorcista”, William Peter Blatty morre aos 89 anos

Morreu nesta quinta-feira (12) William Peter Blatty, autor de O Exorcista. O escritor, de 89 anos, tinha um tipo de câncer que atinge o sangue.

Na foto, Blatty aparece ao centro, no set de filmagem, ao lado de Jason Miller e Ellen Burstyn.

Sou contemporâneo do livro. Li antes de ver o filme. As primeiras edições lançadas no Brasil tinham essa capa.

O sucesso impediu que muita gente reconhecesse os méritos do livro e do filme. Hoje, passadas algumas décadas, podemos avaliar sem os preconceitos da época. De todo modo, tenho a impressão de que o filme tem mais qualidade como cinema do que o livro como obra literária. Mas não desprezaria nenhum dos dois.

O Exorcista, o filme de William Friedkin, chegou ao Brasil no final de 1974, depois de alguns problemas com os censores. O tempo já o transformou num clássico do gênero.

Hoje, creio que não assusta nem mais as crianças. Diferente da época em que muita gente perdeu o sono com a história da garotinha possuída pelo demônio.

 

Música que festeja TVs Cabo Branco e Paraíba lembra sambas de Gil

Um dos pontos positivos do primeiro dos três especiais que marcam os 30 anos das TVs Cabo Branco e Paraíba foi a música cantada por Chico Limeira no encerramento do programa.

Tocar Televisão é o nome da canção. Vejam. Em seguida, comento.

Tocar Televisão foi composta por Chico Limeira e Thyego Lopes. Thyego é o diretor da série Tempo de Trinta.

É um samba que remete às transformações a que o gênero foi submetido a partir dos anos 1960. No centro dessa transformação, há Jorge Ben e Gilberto Gil. Mas, no caso de Tocar Televisão, a matriz é Gil. Chamou minha atenção quando ouvi.

O ponto de partida dos sambas de Gil pode ser Serenata de Teleco Teco, música gravada bem antes da fama, lá na Salvador dos início da década de 1960. Esse velho samba de Gil, que muita gente não conhece, já contém os elementos que iluminariam o seu caminho como compositor de grandes sambas. Caminho que desemboca lá na frente nos sambas de Djavan e João Bosco.

Tudo isso está resumido num samba que Gil compôs por volta do ano 2000: Máquina de Ritmo. Ouçam na versão de 2012.

Máquina de Ritmo é matriz de Tocar Televisão. A influência de Gil faz crescer a música de Chico Limeira e Thyego Lopes. Ela tem um elemento de metalinguagem logo no começo. Comenta a encomenda. Os autores falam, na própria música, da música que estão compondo. E depois entram na homenagem às emissoras aniversariantes. Com uma letra inteligente, que não cede ao elogio fácil.

Perguntei a Chico Limeira por Gil. Em Tocar Televisão, no que diz respeito a ele, me disse que não há nada intencional. Mas, na conversa, me deu uma pista: Thyego é louco por Gil!

Perguntei a Thyego Lopes e ouvi que, sim, há muito dos sambas de Gil. Quando mencionei Máquina de Ritmo, ele confirmou a fonte de inspiração.

O samba de Gil fala de um monte de coisas. Do futuro. Das influências. Das fontes. Das matrizes. Das trocas. Das novas tecnologias. Do diálogo inevitável da música com elas. Tocar Televisão, mesmo que não seja um samba sobre o samba, pode, então, ser reconhecido como filho de Máquina de Ritmo.

O samba cantado por Chico Limeira, jovem compositor que tem a idade das TVs Cabo Branco e Paraíba, enriquece a comemoração.

Quinteto da Paraíba e Carlos Malta festejam Pixinguinha em JP

No ano passado, o Quinteto da Paraíba recebeu Xangai para dois concertos em João Pessoa. Foi a abertura da série Quinteto da Paraíba Convida.

O projeto prossegue hoje (13) e amanhã (14) às 21 horas, na Sala de Concertos José Siqueira, no Espaço Cultural, em João Pessoa. Dessa vez, o grupo paraibano recebe o músico Carlos Malta.

Na abertura, o quinteto executará a Suíte Sertaneja, de José Siqueira, escrita originalmente para violoncelo e piano e arranjada para o grupo por Adail Fernandes.

Vamos, então, ouvir o grande (e nem sempre lembrado) Siqueira na sala que tem o seu nome!

Depois, Carlos Malta sobe ao palco, e o concerto segue com Pixinguinha.

No programa, uma suíte chamada Pixinguinha Alma e Corpo, criada por Malta a partir de 10 músicas do mestre:

Naquele Tempo

Dininha

Lamentos

Oscarina

Proezas de Solon

Rosa

A Vida é um Buraco

1 x 0

Segura Ele

Carinhoso 

“Ficou elegante assim, com estilos variando entre choro, valsa, tango, polca”, me disse Malta.

Perguntei por Pixinguinha. E ele respondeu: “mentor espiritual”.

Carlos Malta vai tocar saxofones tenor e soprano, flauta baixo, picolo e flauta soprano.

Serão duas noites de grande música ao vivo.

Morreu Irene Stefânia, uma das musas do cinema brasileiro

Não posso deixar de registrar uma morte que foi mal noticiada.

Morreu Irene Stefânia. A atriz tinha 72 anos e estava hospitalizada desde dezembro, depois de sofrer um acidente vascular cerebral.

Quem viu o cinema brasileiro dos anos 1960 e 1970 sabe. Irene foi uma das musas da geração de Leila Diniz. Fome de Amor, Os Paqueras. Lembram? Ela está lá.

Filmes bons, filmes ruins. Não importa. O cinema possível no Brasil daquele tempo.

Fiquemos com a beleza e a juventude dela.

Teatro de Shakespeare, um tesouro da humanidade em sua casa!

Uma vez, há muitos anos, o professor Tarcísio Burity me convidou para ir à sua casa ouvir música erudita. No meio da audição, ele me mostrou uma caixa semelhante a essa:

Peguei na caixa e pensei:

Puxa, estou diante de um verdadeiro tesouro da humanidade! A obra completa de Mozart!

Sem essa obra, a humanidade seria menos humana, diria Otto Maria Carpeaux.

De Mozart para William Shakespeare.

Não vou escrever sobre Shakespeare. Não acrescentaria coisa alguma a tudo o que já foi dito sobre ele e sua obra.

Mas quero fazer dois ou três registros.

Meu primeiro contato com Shakespeare foi no final da infância, quando vi o Romeu e Julieta de Zeffirelli.

Gosto até hoje. O filme me levou a ler o texto. O livrinho de capa preta das Edições de Ouro trazia ainda Tito Andrônico, um completo lado B do autor, que li na adolescência.

Quem, então, me conduziu a Shakespeare foi o cinema.

O Hamlet de Laurence Olivier.

O Júlio César de Mankiewicz, com o Marco Antônio de Marlon Brando.

Filmes sugerindo leituras. Como deve ter ocorrido com muita gente.

Entre meus livros, edições avulsas. Uma peça aqui, outra ali. Nunca o conjunto.

Agora, me vejo diante desse box editado no Brasil pela Nova Aguilar para marcar os quatro séculos da morte de Shakespeare. O seu Teatro Completo em três volumes. Tradução de Barbara Heliodora, que sabia tudo do autor.

Quando incorporei o box aos meus livros, lembrei do professor Burity e sua coleção de Mozart.

E pensei:

O Teatro Completo de Shakespeare! Puxa! Estou diante de um tesouro da humanidade!

Nove músicas resumem rock brasileiro dos 80. Falta a Blitz!

Em 101 Canções que Marcaram o Brasil, de Nelson Motta, nove músicas resumem o rock brasileiro dos anos 1980. Quase dez por cento do total do livro.

É muito? Pode até ser, mas ainda faltou, pelo menos, Você Não Soube me Amar, da Blitz, que foi o primeiro grande sucesso do rock que os brasileiros produziram naquela década.

Confiram as escolhas:

Pro Dia Nascer Feliz – Barão Vermelho

Inútil – Ultraje a Rigor

Fullgás – Marina 

Me Chama – Lobão

Será – Legião Urbana

Alagados – Paralamas do Sucesso

Comida – Titãs

Brasil – Cazuza

Lanterna dos Afogados – Paralamas do Sucesso

Essas escolhas são pessoais e muito subjetivas. Nunca satisfazem. Mas a lista é boa.

Claro que podia ter a Blitz no lugar de duas músicas dos Paralamas. E a banda de Herbert Vianna poderia estar representada por Óculos e não por Alagados e Lanterna dos Afogados.

Mas, aí, a lista não seria de Nelson Motta! Seria minha!

Roque Santeiro – O Rock, uma música de Gilberto Gil, resume e homenageia o rock brasileiro da década de 1980.

Vamos ouvir?

Participante do The Voice Kids denuncia ofensas racistas

Domingo passado (08), Franciele Fernanda, uma garota de 14 anos, participou do The Voice Kids, programa da Rede Globo, cantando Maria Maria, de Milton Nascimento.

O número emocionou muita gente pela força da interpretação da menina.

Milton Nascimento usou as redes sociais para elogiar a performance: “você emocionou a todos nós”, disse o autor da canção.

Ao mesmo tempo, Franciele foi alvo de ofensas racistas: “essa neguinha não canta porra nenhuma”, alguém postou, comentando o desempenho dela no programa.

Nesta terça-feira (10), com a mãe ao lado, Franciele Fernanda foi à polícia prestar queixa contra quem a ofendeu.

Franciele fez o que deve ser feito. Racismo é crime! É uma prática abominável! E uma das muitas faces da intolerância que vemos crescer a cada dia!