Lenine se sente traído pela esquerda! É um direito dele!

Uma garota me disse que passou a amar Chico Buarque quando descobriu que ele defende Lula, Dilma e o PT. Não parou mais de ouvi-lo.

Está perdidamente apaixonada! Ama Lula, Dilma, o PT e, agora, Chico e suas músicas!

Eu respondi que amo Chico Buarque desde 1966, quando, aos sete anos, vi A Banda no festival de MPB. Acompanho toda a carreira, tenho todos os discos.

Amo incondicionalmente a sua música. Convergindo ou divergindo dele. Temos poucos artistas tão importantes quanto Chico.

É uma das belezas do Brasil!

Falo isso por causa de Lenine.

Gente que gostava dele, agora o crucifica. Ou diz que devia ficar calado e apenas cantar. Vi muitas manifestações nas redes sociais.

Quanto autoritarismo!

Quanta intransigência!

Quanta patrulha ideológica!

Chico Buarque pode cantar e falar! Lenine só pode cantar! No mais, fica calado!

É isso mesmo?!

Ora, pensei que os dois podiam cantar e falar! Melhor assim, não?

No caso de Lenine, o problema é uma entrevista que ele deu.

Disse que não se sente traído pela direita porque não esperava nada da direita. E que se sente traído pela esquerda porque esperava muito mais da esquerda.

Muita gente se sente traída pela esquerda. Muita gente séria, lúcida, honesta, que tinha outras expectativas com a chegada do PT ao poder e que se decepcionou com uma série de coisas que aconteceram. A fala do artista é sobre isso. É serena, é equilibrada. Merece respeito.

Mas vamos além: e se você discorda de Lenine? Vai pretender que ele não tenha o direito de dizer o que disse? O cara só pode falar o que nos agrada?

Agora, voltando ao começo, à garota que passou a amar Chico Buarque quando descobriu que ele defende Lula, Dilma e o PT, vou confessar:

Não gosto da música de Lenine. Nunca gostei. Vi ao vivo e também não gostei. Não tenho seus discos em meu acervo.

E vou seguir assim. Mesmo que concorde com as opiniões dele!

Um top 10 de João Bosco, que faz show com Toquinho em JP

Dois grandes nomes da MPB num show de voz e violão.

Toquinho e João Bosco se apresentam neste sábado (21), às 21 horas, no teatro A Pedra do Reino, do Centro de Convenções.

Ontem, fiz um top 10 de Toquinho.

Hoje, faço de João Bosco.

Nem precisa dizer que são escolhas difíceis porque os dois têm repertórios extensos e de alta qualidade.

Agnus Sei

O Mestre Sala dos Mares

Bodas de Prata

Caça à Raposa

O Rancho da Goiabada

Tiro de Misericórdia

Linha de Passe

O Bêbado e a Equilibrista

Corsário

Nação

Assassinada a cantora de “Chorando Se Foi”. Sucesso foi meteórico!

Loalwa Braz. Para muita gente, o nome não diz nada. Mas a música Chorando Se Foi diz, com toda certeza!

Loalwa Braz era a cantora do grupo Kaoma, intérprete de Chorando Se Foi, hit em escala planetária que vendeu milhões de discos no final da década de 1980.

A morte da cantora, nesta quinta-feira (19), ocorreu em circunstâncias que colocam a notícia nas editorias policiais. Loalwa, de 63 anos, tinha uma pousada em Saquarema. Ela foi levada por homens que invadiram o estabelecimento. Depois, o corpo foi encontrado carbonizado, dentro de um carro incendiado.

Loalwa Braz e o grupo Kaoma projetaram internacionalmente a lambada brasileira. Dentro do Brasil, o fenômeno teve outros ídolos, mas durou pouco. Menos do que esperava a indústria do disco.

O sucesso de Loalwa foi ainda mais meteórico. Ela vendeu algo em torno de 30 milhões de discos no mundo inteiro, mas será lembrada apenas por uma música.

Elis Regina morreu há 35 anos. Onde você estava?

Era começo da tarde. 13 horas, talvez. Eu ia para o jornal. Parei numa banca de revistas, e uma notícia no rádio chamou minha atenção. Falava da morte de uma cantora de 36 anos.

No primeiro instante, não entendi de quem se tratava. Mas fiquei ligado.

Veio, então, o choque: Elis Regina já chegou morta ao hospital!

Eu me perguntei: Elis? Não é possível!

A mistura fatal: Cinzano com cocaína. (Mas ela não era “careta”?)

19 de janeiro de 1982. Há exatos 35 anos.

Onde você estava no dia em que perdemos Elis?

Começo com essa foto. Precária, mas importante para quem viu. Foi tirada pelo cineasta Bertrand Lira em dezembro de 1979, na última vez em que Elis cantou em João Pessoa. O show foi no Cine Municipal.

Prossigo com essa seleção de discos de Elis. Que tal para apresentar a cantora aos garotos e garotas que ainda não a ouviram?

Conheço gente de vinte e poucos anos que ouve Elis Regina e se emociona.

Será pela qualidade do seu canto?

Será pelo encontro da grande voz com o grande repertório?

Será pela evocação de uma época e de uma luta por dias melhores?

Ou misturamos tudo para perguntarmos se não é pela imensa beleza da sua arte?

Elis Regina resistiu à passagem do tempo. Sua vida foi contada no palco, num musical que provoca a ilusão de que estamos diante dela. Chegou à tela do cinema, num filme que não é excepcional, mas é necessário. Está nas livrarias, numa biografia escrita pelo jornalista Júlio Maria.

Nada será como antes. Diz a canção do Clube da Esquina. Diz o título do livro.

Acho que tudo foi bem diferente dos sonhos de uma geração.

A música de Elis evoca um tempo e faz pensar na distância entre sonho e realidade. Por isso, soa anda mais bela. Porque vem carregada de melancolia.

O “façam a festa por mim” da canção de Ivan Lins e Vítor Martins é dilacerante, ouvido hoje! Não há festa a fazer!

O pedaço do seu cancioneiro dedicado às dores coletivas lembra noites escuras à espera de dias claros. Permanece como retrato de um tempo.

O pedaço que fala das dores individuais não tem tempo.

Elis era singular na mistura das duas dores. Como era singular na mistura de técnica com emoção.

No país de Ângela, Elizeth, Maysa, Gal, num país de grandes vozes femininas, Elis Regina, entre 1965 e 1981, edificou um legado que a gente tenta traduzir assim:

É mais do que uma intérprete excepcional. É uma intérprete excepcional, perfeccionista, posta a serviço da construção de um repertório de altíssima qualidade. A nos mostrar, ontem e hoje, que é possível!

Um top 10 de Toquinho, que faz show com João Bosco em JP

Toquinho e João Bosco fazem show neste sábado (21) em João Pessoa. Será às 21 horas no teatro A Pedra do Reino, do Centro de Convenções.

Você vai ver o show? Que tal um top 10 de Toquinho para entrar no clima?

Eu fiz o meu.

Regra Três

Tarde em Itapuã

O Filho que Eu Quero Ter

Que Maravilha

O Bem Amado

Samba de Orly

Para Viver um Grande Amor

Carta ao Tom 74

Choro Chorado pra Paulinho Nogueira

Aquarela

Depois faço um top 10 de João Bosco.

Fora Temer é tão legítimo quanto Fora Lula!

Escrevi sobre o Fora Temer usado como teste de amizade no Facebook. Algumas pessoas não entenderam. Pediram que eu explicasse melhor. Vou tentar.

Não é preciso defender a saída de Temer para achar legítimo o Fora Temer.

Não é preciso ser contra a volta de Lula para achar legítimo o Fora Lula.

Ambos são legítimos e exatamente iguais como manifestações às quais o cidadão tem direito.

Quem quer a volta de Lula, grita Fora Temer! Quem não quer, grita Fora Lula!

Os dois brados são muito interessantes como manifestações genuinamente democráticas!

É tão simples!

Quem é Fora Temer, é Fora Temer! Quem é Fora Lula é Fora Lula! E há quem não é nenhum dos dois!

O que condenei no meu texto foi o uso do Fora Temer como teste de amizade no Facebook. Como condenaria se o teste fosse feito com um Fora Lula.

Amigos, afeições, deveriam valer mais!

É muito difícil de entender?

Escola Piollin mexeu com a cena cultural há 40 anos!

O ano era 1977. Eu e Everaldo Pontes fomos à casa do representante da EMI, em busca do novo LP de Gonzaguinha, quando ouvi do jovem ator que ele e Luiz Carlos Vasconcelos estavam ocupando – sim, ocupando! – uma área abandonada por trás da Igreja de São Francisco e que, ali, fundariam uma escola de teatro.

Foi assim que nasceu a Escola Piollin. Hoje, o Centro Cultural Piollin, há muito instalado ao lado da Bica, comemora seus 40 anos.

Posso dar o testemunho porque sou contemporâneo do nascimento e da consolidação do projeto: a Piollin mexeu (e também incomodou!) profundamente com a cena cultural paraibana quatro décadas atrás. E como mexeu!

Havia o trabalho formador de atores, havia o pequeno teatro, o circo, havia a circulação de público e de gente que representava as mais diversas áreas da nossa produção cultural. Não era pouco!

Vimos os irmãos Lira (Soia, Nanego) crianças, já atuando. E Marcélia Cartaxo. E Eliezer Rolim. Todos, e tantos outros, participando de um grande encontro anual de teatro feito para garotos e garotas.

Resultado de um desses encontros, o espetáculo Os Pirralhos tinha uma força e uma beleza comovedoras. Vejam a foto. A garota em cena é Soia Lira.

O palhaço criado por Luiz Carlos a dialogar com a comunidade do Roger. Everaldo Pontes iniciando uma trajetória que o conduziria dos palcos para o cinema. O cineclube exibindo Nelson Pereira dos Santos. O show do Grupo Água, do Chile, numa noite mágica e inesquecível. Tadeu Mathias, Ivan Santos e Firmino a arrebatar o público. Elba Ramalho, começando, com Ave de Prata.

Logo, a ocupação da área foi questionada. Patrimônio e Governo entraram em cena e encontraram em Luiz Carlos Vasconcelos o homem que comandou a luta pela preservação da escola de teatro. Não era uma causa fácil, porque havia uma ocupação, mas prevaleceu o entendimento de que era importante manter a Piollin.

A questão foi parar no gabinete de Eduardo Portella. O intelectual, ministro da Educação do general Figueiredo, se fez aliado.

O desfecho veio com a transferência da Piollin para um velho casarão ao lado da Bica. Cobri, como repórter, a solenidade em que o governador Tarcísio Burity assinou a cessão. Luiz Carlos estava cheio de sonhos e responsabilidades.

Na nova Piollin, surgiu Vau da Sarapalha. Nunca vi nada igual!

Com a transferência, o projeto cresceu, mas tenho sempre a impressão de que perdeu algo de sua mística.

De todo modo, o Centro Cultural Piollin está aí, comemorando a marca dos 40 anos.

A luta continua!

Os Rolling Stones, com carreira longa, dão vários lados B!

A stoneana Milita Maciel leu meu lado B dos Beatles e sugeriu um dos Rolling Stones.

Um, não! Vários! Por década! Afinal, a carreira é longa, e a discografia, extensa!

Não quero abusar da paciência dos não stoneanos. Fiz um. Vai de 1967 a 1981.

Complicated (Between the Buttons)

Something Happened To Me Yesterday (Between the Buttons)

The Lantern (Their Satanic Majesties Request)

Parachute Woman (Beggars Banquet)

Prodigal Son (Beggars Banquet)

Monkey Man (Let It Bleed)

Sway (Sticky Fingers)

Moonlight Mile (Sticky Fingers)

Hip Shake (Exile on Main Street)

Black Angel (Exile on Main Street)

Hide Your Love (Goat’s Head Soup)

If You Really Want To Be My Friend (It’s Only Rock’n’ Roll)

Hey Negrita (Black and Blue)

Melody (Black and Blue)

Down in the Hole (Emotional Rescue)

No Use in Crying (Tattoo You)

“Fora Temer” agora testa amizades no Facebook!

Meu pai era de esquerda. O professor e artista plástico Archidy Picado, que dá nome à galeria do Espaço Cultural José Lins do Rego, caminhava, na melhor das hipóteses, do centro para a direita. Testemunhei longas conversas dos dois. Arte, ciência, filosofia, política, religião. Dois homens cultos a dialogar. Nunca presenciei uma briga.

Lembro deles na intolerância dos dias atuais.

O Facebook está cheio de correntes.

Vejo agora amigos a testar amizades, pedindo adesão ao “Fora Temer”. Do contrário – me pergunto – serão merecedores da amizade?

A questão não é o “Fora Temer”. Podia ser “Fora Lula”. “Fora PMDB” ou “Fora PT”. Tanto faz.

O problema é o policiamento da opinião, a patrulha à postura que cada um tem o direito de ter, a exigência do atestado ideológico.

O problema é o condicionamento da amizade a uma escolha política. Como se partidos e políticos valessem mais do que amigos.

Dilma e Temer formaram uma chapa. Governaram por quatro anos. Foram reeleitos. Um duvidoso movimento tirou Dilma do poder. O vice assumiu. Não gosto da palavra “golpe” tanto quanto lamento que Dilma não tenha podido terminar o mandato.

Mas não me chamem para correntes!

Fora Temer? Fora Lula?

No Facebook? Como teste de amizade?

Estou fora!

Um repertório lado B dos Beatles, atendendo a uma sugestão

Um leitor sugeriu que eu postasse um repertório lado B dos Beatles.

Atendo à sugestão nesta terça-feira (16) para coincidir com os 60 anos do Cavern Club, o clube de Liverpool onde o grupo tocou no início da carreira.

Pegunto o motivo, e o leitor explica: queria ver se é possível um repertório tão lado B que alguém ouça e não identifique que são os Beatles. Claro que não vale para fãs do quarteto.

Vamos ver:

Chains (Please Please me)

Thank You Girl (compacto)

I’ll Get You (compacto)

Slow Down (compacto)

Matchbox (compacto)

Bad Boy (compacto)

It’s Only Love (Help!)

Wait (Rubber Soul)

Love You To (Revolver)

Good Morning Good Morning (Sgt. Pepper)

Flying (Magical Mystery Tour)

The Inner Light (compacto) 

Why Don’t We Do It in the Road? (The White Album)

Honey Pie (The White Album)

Only a Northen Song (Yellow Submarine)

Old Brown Shoe (compacto)

You Know My Name (compacto)