Vídeos mostram beleza do “Quinteto da Paraíba Convida”. Assista

Sou um entusiasta do projeto Quinteto da Paraíba Convida.

O primeiro convidado foi Xangai, no ano passado. O segundo, Carlos Malta, dias atrás.

Os concertos de 2017 já estão todos marcados.

Numa conversa com Xisto Medeiros, depois de ver Carlos Malta e o Quinteto executando Pixinguinha, disse ao músico o que penso do projeto: é música de altíssima qualidade que pode ser mostrada em qualquer lugar do mundo.

É isso mesmo! Sem nenhum favor! E sem qualquer exagero!

Xangai é um cantor popular, totalmente intuitivo, guiado por sua bela voz e um grande talento.

Carlos Malta é um instrumentista refinado, que exibe virtuosismo na execução e maestria nos arranjos que escreve.

Manifestações distintas da música brasileira. No seu projeto, o Quinteto da Paraíba dialogou com os dois artistas e ofereceu à plateia da Sala de Concertos José Siqueira o que esses dois vídeos divulgados por Xisto Medeiros registram.

Quem viu ao vivo, sabe. Quem não viu, assista.

E tente não perder os próximos concertos!

Um muro a separar homens. E um pedaço do Muro de Berlim no bolso

O pianista e professor Gerardo Parente, grande figura que viveu e morreu na Paraíba, passava por Berlim quando soube que o muro estava sendo derrubado. Correu para lá, pegou um diminuto fragmento e colocou no bolso.

Quando voltou para João Pessoa, me ligou, empolgado, para contar a história.

Gerardo amava a liberdade tanto quanto amava a música. E mantinha a crença de que o homem não podia ser separado por um muro.

Ingênuo, não?

Utópico, não?

Mas admirável! Na conversa cheia de emoção ou na execução de uma melodia de Villa-Lobos.

Lembrei de Gerardo Parente quando vi o presidente Trump anunciando a construção do muro na fronteira dos Estados Unidos com o México.

Selecionei duas fotos para ilustrar essa brevíssima conversa.

A primeira, da construção do Muro de Berlim. A segunda, da sua derrubada.

 

Qual o melhor disco de Tom Jobim? Fico com “Matita Perê”. Ouça.

Volto a Antônio Carlos Jobim, que, se estivesse vivo, faria 90 anos nesta quarta-feira (25).

Jobim compôs muito, e suas músicas têm dezenas, centenas, creio que milhares de gravações pelo mundo.

Mas sua discografia é pequena, se pensarmos somente nos discos solo e autorais. Pouco mais de 10 títulos, de The Composer of Desafinado Plays a Antônio Brasileiro.

A grande maioria, gravou nos Estados Unidos. Quando Tom morreu, 22 anos atrás, alguém disse que as gravadoras brasileiras não o gravavam, mas depois lançavam o disco por aqui ou – pior – distribuíam o repertório em coletâneas infames.

Tenho toda a discografia de Jobim, e nada me desagrada. Se sairmos dos títulos solo e autorais, aí a lista é extensa: gravações ao vivo, trabalhos com outros artistas, edições póstumas, tributos.

Quando me perguntam qual o disco da minha preferência, não tenho dúvida: Matita Perê, de 1973. É nele que está Águas de Março. É nele que Tom registrou a suíte A Casa Assassinada, escrita a partir de Chora Coração, tema composto em parceria com Vinícius de Moraes. Alternando canções com música instrumental, Jobim vai do popular ao erudito. É disco seminal!

Aí está a capa.

E aí está Matita Perê, o álbum completo.

Vamos ouvir?

90 anos de Tom Jobim. Celebremos o Maestro Soberano!

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim é o nome de batismo.

Antônio Carlos Jobim é o nome artístico que gostava de usar.

Tom Jobim é como muitos o chamam.

Antônio Brasileiro é como aparece na capa do seu último disco.

Maestro Soberano é como Chico Buarque o rebatizou.

Se vivo estivesse, o maior compositor popular do Brasil faria 90 anos nesta quarta-feira (25).

Celebremos a memória de Tom e o seu legado!

Estou aqui pensando em Jobim por décadas.

Anos 1950. O Tom que o Brasil e o mundo conheceram começa quando, em 1956, nasce a parceria com Vinícius de Moraes em Orfeu da Conceição. Uma bela síntese do que fizeram está no disco Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, lançado em 1958. Em duas faixas, o violão de João Gilberto oferece o esboço da Bossa Nova. Em seguida (1959), Chega de Saudade, o LP de João arranjado por Jobim, reinventa o samba e muda para sempre a música popular brasileira.

Anos 1960. A Bossa Nova projeta internacionalmente a música brasileira. Gravado nos Estados Unidos, o primeiro disco de Jobim (The Composer of Desafinado Plays) parece um greatest hits. O LP Getz/Gilberto divulga Garota de Ipanema, de Tom e Vinícius, em escala planetária. Frank Sinatra grava um disco com Jobim, que, no Brasil, é vaiado porque seu protesto político (dividido com Chico Buarque) não é tão explícito quanto o de Geraldo Vandré.

Anos 1970. Na virada dos 60 para os 70, Tom faz discos nos quais predominam os temas instrumentais. Depois vem o seminal Matita Perê (1973). O maestro grava Águas de Março, verdadeira obra-prima do seu cancioneiro. É um popular que dialoga com o erudito, sob a batuta de Claus Ogerman. Fala em ecologia antes que a palavra fosse moda, chama de Urubu seu novo disco. Passa um ano em cartaz com Vinícius, Toquinho e Miucha, no palco do Canecão.

Anos 1980/90. Mundialmente consagrado, nem sempre reconhecido com justiça no Brasil. Forma a Banda Nova, o grupo que divide palcos e estúdios com Tom em sua última década de vida. Seus shows pelo mundo e seus derradeiros discos (Tom Jobim InéditoPassarim, Antônio Brasileiro) são uma celebração da grande música que criou. Revistos e reouvidos hoje, confirmam o seu extraordinário legado, a infinita beleza e a permanência da sua obra.

Nascido em Nova York, George Gershwin, mestre da música americana, fez do jazz uma de suas fontes. Nascido no Rio de Janeiro, Antônio Carlos Jobim se debruçou sobre o samba, grande expressão da música popular do Brasil. Sua versão do samba carioca é, a um só tempo, popularíssima e (harmônica e melodicamente) complexa. Como nas outras “praias” que visitou. Modinha, valsa, toada, baião, frevo – há uma marca de excepcional qualidade em tudo o que fez.

Mas há, sobretudo, o amor à música e uma crença singular nos destinos do Brasil!

Viva o Maestro Soberano!

Espetáculo que funde textos de Ariano volta nesta quarta

O Santo e a Porca

O Auto da Compadecida

A Farsa da Boa Preguiça

Três textos de Ariano Suassuna transformados num só espetáculo.

Ficou assim: O Santo e a Porca no Auto da Boa Preguiça.

O trabalho, que marcou, no ano passado, a conclusão do curso de teatro da Funesc, está de volta.

O espetáculo pode ser visto nesta quarta-feira (25), às 20 horas, no Teatro Paulo Pontes, do Espaço Cultural José Lins do Rego.

É uma adaptação livre dos textos de Ariano, com direção geral de Humberto Lopes.

Severino Araújo e a Tabajara. Um pouco de memória!

Um revival tipicamente carioca trouxe Severino Araújo de volta a João Pessoa no início da década de 1980. A Tabajara ressurgiu nas domingueiras do Circo Voador, em meio ao rock do Barão Vermelho, e voltou a comandar os bailes carnavalescos do Clube Cabo Branco. Foi quando vi a orquestra pela primeira vez e conheci o maestro. Àquela altura, um homem com 65 anos que regia seus músicos com um vigor e um charme absolutamente invejáveis. Fazendo lembrar o que André Previn disse certa vez: que, neste tipo de maestro, um simples gesto pode valer muito mais do que o que se aprende nas escolas que formam os regentes.

No domingo de carnaval de 1982, a Prefeitura aproveitou a presença da Tabajara em João Pessoa e contratou a orquestra para uma apresentação no Parque Solon de Lucena. Fiquei em cima do palco, perto dos músicos. O baterista Plínio Araújo e os percussionistas iniciaram a batida do frevo, e os metais começaram a executar vários prefixos que remetiam ao gênero nascido em Pernambuco. Aos poucos, o ritmo mudou para samba, e, aí, ouvimos a introdução do “Meu Sublime Torrão”, de Genival Macedo, nosso hino popular. Era a abertura irresistível de mais uma grande performance da big band e, para quem a via pela primeira vez, a confirmação de uma lenda.

Filho de mestre de banda, Severino (como seus irmãos Zé Bodega, Manoel, Jaime e Plínio) cresceu entre o choro e o jazz. Seu ídolo era Benny Goodman, com quem tentava parecer quando empunhava o clarinete durante os bailes da Tabajara. Quando trocou João Pessoa pelo Rio de Janeiro, na década de 1940, já era um gigante diante da orquestra, cujo comando assumira aos 21 anos, mas o talento de arranjador só viria a se consolidar um pouco mais tarde, depois que teve aulas com Koellreutter. Os arranjos de Severino Araújo não estão apenas nos discos da Tabajara. Também nas antológicas gravações que Jamelão fez do repertório de Lupicínio Rodrigues.

Severino está nas antologias do choro com “Espinha de Bacalhau”, peça de dificílima execução, verdadeiro teste para os músicos. E nas do frevo com “Relembrando o Norte”, que é muito mais para ouvir do que para dançar. Foi vendo o maestro e sua orquestra que Sivuca, menino em Itabaiana, sonhou com o futuro e tirou do naipe de saxofones timbres que incorporaria à sua sanfona. Se pularmos no tempo para muitas décadas na frente, veremos que uma orquestra como a de Spok não existiria sem as influências da Tabajara. É a ela que devemos atribuir os parâmetros para a incorporação do jazz ao frevo promovida pelo jovem maestro pernambucano.

Em 1996, num baile da Tabajara no Clube Cabo Branco, levei o amigo Francelino para conhecer Severino Araújo. Na apresentação, disse que ele era exímio professor de Português, amante da música e grande colecionador de discos. Francelino comentou com o maestro que tinha mais de 10 mil CDs em seu acervo. Severino não se impressionou com o número e respondeu: “Pois eu só tenho 300 CDs de jazz (os músicos da sua geração pronunciavam “jáiz” e não “djéz”) e isto me basta”. Fiquei pensando que era uma boa quantidade para quem quisesse ter uma discoteca básica de jazz. Naquela noite, a Tabajara abriu o baile tocando “Body and Soul”.

Chico Buarque também fez rock! Vamos (ver) ouvir?

No post anterior, falei do Frevo de Orfeu, de Tom Jobim. Quis falar porque muita gente não conhece.

O frevo de Tom me remeteu ao rock de Chico Buarque. Esse, muita gente conhece. Mas lembrei que, em 1972, ao compor Baioque, uma mistura de baião com rock (como explica o título), Chico produziu algo inusitado porque estava atuando numa área que não era a sua.

A música entrou no (delicioso) filme Quando o Carnaval Chegar, de Cacá Diegues.

O registro que escolhi é do próprio Chico no evento Phono 73. O MPB4 acompanha o autor, que cai no rock!

Reparem que ele, perfeccionista com o uso das palavras, rima “sol” com “roll”,  com o “ól” aberto!

Vale a pena ver (ou rever)!

Tom Jobim também fez frevo! Vamos ouvir?

Nesta quarta-feira (25), se estivesse vivo, Antônio Carlos Jobim, o maior compositor popular do Brasil, faria 90 anos.

Merece todas as lembranças. Falarei dele algumas vezes aqui na coluna.

Vou começar por algo que muita gente talvez não saiba: Tom Jobim também compôs frevo. Sim! O Frevo de Orfeu. Orfeu da Conceição, o musical, marcou, em 1956, o início da parceria de Tom com Vinícius de Moraes.

Vamos ouvir o Frevo de Orfeu cantado por Chico Buarque, com orquestra regida por Jacques Morelenbaum, num tributo a Jobim em Copacabana.

Gal Costa, mais cool, também gravou o Frevo de Tom.

Toquinho, João Bosco, belezas e impasses do Brasil

Dois homens de 70 anos, seus violões, suas vozes, suas canções, muitas histórias. Um palco imenso e uma plateia de quase três mil pessoas recompensadas com o que viram.

Tento resumir assim o show que Toquinho e João Bosco fizeram neste sábado (21) no teatro A Pedra do Reino, em João Pessoa.

Alguém já disse que a música popular que os brasileiros produziram fala muito profundamente do nosso destino como Nação. Há de ser verdade. Um show como esse sugere que sim.

O que vimos foram dois recitais distintos que se encontram no desfecho.

Toquinho, mais informal, até mesmo no violão, que domina como poucos na sua praia. João Bosco, mais solene, perfeccionista no trato da voz e do instrumento.

Sobre eles, pairam muitas coisas. No show de ontem, destacaram a figura de Vinícius de Moraes, guiados, certamente, pela longa parceria de Toquinho com o poeta. Mas também Tom Jobim, homenageado em Chega de Saudade e, antes, num dos grandes momentos do show: aquele em que João Bosco narrou sua chegada ao Rio e ilustrou a história com Fotografia. Se vivo estivesse, Tom faria 90 anos nesta quarta-feira (25).

O cancioneiro popular é uma das belezas do Brasil. Uma das riquezas. Fotografa e comenta o Brasil. Resiste ao próprio Brasil em seus permanentes impasses.

Um show como esse, para além da alegria de quem o vê ao vivo, tem significados que nos acompanham depois que saímos do teatro.

Gosto da permanência de uma canção como O Bêbado e a Equilibrista, que começa com a Smile de Chaplin. Como brado pela anistia, evoca uma época. Emociona os contemporâneos, a plateia canta acompanhada pelo violão do autor. Vista (ouvida) assim de longe, carrega melancolia e dor.

Gosto muito do diálogo entre passado e presente. Entre velhos e novos. A generosidade dos que já chegaram a acolher os que estão chegando. Vinícius, novamente, no centro de tudo. Um homem que, como disse Chico Buarque, não viveria no mundo pragmático de hoje.

No palco, Toquinho e João Bosco tocam, cantam, contam histórias preciosas. Na plateia, contemplamos. Seus violões, suas vozes, suas músicas.

Belezas e riquezas de um lugar que, apesar de tudo, não pode deixar de ser uma promessa de vida em nossos corações.

Show de Toquinho e João Bosco é reunião de grandes sucessos

Uma reunião de grandes sucessos. É assim o set list do show que Toquinho e João Bosco fazem neste sábado (21), às 21 horas, no teatro A Pedra do Reino, em João Pessoa.

Segundo o roteiro fornecido pela produção, João Bosco abre o show e, sozinho no palco, interpreta uma série de músicas do repertório dele.

Em seguida, chama Toquinho, e, juntos, os dois fazem Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Depois, é a vez de Toquinho ficar só e apresentar o seu repertório.

No final, João Bosco retorna, e os dois fazem os números de encerramento.

Você vai ao show?

Então, confira o set list que a produção enviou:

 

JOÃO BOSCO

O Ronco da Cuíca

Kid Cavaquinho

Corsário

O Mestre-Sala dos Mares

Jade

As Escadas da Penha

Incompatibilidade de Gênios

Papel Machê

O Bêbado e a Equilibrista

 

JOÃO BOSCO E TOQUINHO

Chega de Saudade

 

TOQUINHO

À Bênção, Bahia/Testamento/Como Dizia o Poeta

Samba de Orly

Que Maravilha

Bachianinha N0 1/Jesus, Alegria dos Homens

Berimbau/Asa Branca

A Casa/O Pato/A Bicicleta/O Caderno

Aquarela

 

TOQUINHO E JOÃO BOSCO 

Tarde em Itapuã

Saudosa Maloca