La La Land é fofo, mas não vale o dó-ré-mi da Noviça Rebelde!

Fui ver La La Land e, antes de dizer qualquer coisa, peço aos amigos que estão encantados com o filme que não se aborreçam comigo.

Ao sair do cinema, me perguntei pelo último grande (grande mesmo!) musical que vi. Foi All That Jazz, de Bob Fosse. É do tempo em que o gênero experimentou alguma revitalização. Faz quase quatro décadas.

Pensei nisso porque tenho visto pessoas identificarem em La La Land um renascimento do musical. Pode até ser, mas precisaremos de tempo para que a avaliação seja feita.

Por enquanto, penso que há uma supervalorização.

La La Land é um bom filme?

Diria que é fofo!

Mas o tributo ao gênero, com incontáveis citações, me soa artificial e excessivo.

E, pelo que tenho visto, fascina mais a quem não ama o gênero.

“Não gosto de musicais, detesto esses diálogos cantados, mas adorei La La Land” – é o que as pessoas têm dito.

Pois eu adoro os musicais clássicos do cinema, não tenho nenhum problema com diálogos cantados e não vi nada de excepcional em La La Land.

Cada citação me dava saudade do original, acentuava a fragilidade do filme.

Saí do cinema pensando assim:

La La Land não vale o dó-ré-mi da Noviça Rebelde!

Ou o mambo de West Side Story!

Ou a sequência em que Gene Kelly desvenda os segredos do estúdio para Debbie Reynolds em Cantando na Chuva!

Aí me dei conta de que estava era sendo injusto com filmes intocáveis! Com clássicos absolutos de um dos grandes gêneros do cinema! E parei com a brincadeira!

Mas termino com uma torcida: que La La Land, ao menos, motive quem odeia os musicais a tentar amá-los!