“Fora Temer” agora testa amizades no Facebook!

Meu pai era de esquerda. O professor e artista plástico Archidy Picado, que dá nome à galeria do Espaço Cultural José Lins do Rego, caminhava, na melhor das hipóteses, do centro para a direita. Testemunhei longas conversas dos dois. Arte, ciência, filosofia, política, religião. Dois homens cultos a dialogar. Nunca presenciei uma briga.

Lembro deles na intolerância dos dias atuais.

O Facebook está cheio de correntes.

Vejo agora amigos a testar amizades, pedindo adesão ao “Fora Temer”. Do contrário – me pergunto – serão merecedores da amizade?

A questão não é o “Fora Temer”. Podia ser “Fora Lula”. “Fora PMDB” ou “Fora PT”. Tanto faz.

O problema é o policiamento da opinião, a patrulha à postura que cada um tem o direito de ter, a exigência do atestado ideológico.

O problema é o condicionamento da amizade a uma escolha política. Como se partidos e políticos valessem mais do que amigos.

Dilma e Temer formaram uma chapa. Governaram por quatro anos. Foram reeleitos. Um duvidoso movimento tirou Dilma do poder. O vice assumiu. Não gosto da palavra “golpe” tanto quanto lamento que Dilma não tenha podido terminar o mandato.

Mas não me chamem para correntes!

Fora Temer? Fora Lula?

No Facebook? Como teste de amizade?

Estou fora!