Meninos, eu vi Joan Baez de perto, e ela apertou minhas mãos!

Hoje (09) é aniversário de Joan Baez. 76 anos. Aproveito a data para contar como foi a noite inesquecível em que vi a musa da canção de protesto ao vivo.

“Cantei essa música em Woodstock, cantei para Martin Luther King, cantei ao redor do mundo. Agora, canto para vocês”. Foi o que Joan Baez disse antes de fazer “Swing Low, Sweet Chariot” para a plateia que lotou o Teatro Riomar, no Recife.

A fala traz a cantora e sua história para junto de nós numa noite mágica e inesquecível. Não mais a capela, como em Woodstock, agora com voz e violão, o spiritual pode resumir o que é ver Baez de perto. Grandeza e absoluta simplicidade. A sua dimensão projetada ali num concerto que dura pouco mais de uma hora. A voz de soprano, já com registros menos agudos, mas igualmente bela. O violão com suas cordas de aço e uma sonoridade muito familiar. A mesma que ouvimos através das décadas do nosso tempo. E continuamos a ouvir. Depois de todos esses anos.

Vi Joan Baez a três dias da data em que o golpe de 64 completa meio século. A coincidência tem uma força simbólica. Aos 73 anos, ela é parte dos sonhos e das ideias generosas de uma geração. A impossibilidade de realizá-los torna ainda mais bonito o seu recital. É uma evocação. Nostálgica, sim. Melancólica, por que não?

Baez, sua voz, seu violão, dois músicos, 21 canções. Dos spirituals ao Vandré de “Caminhando” ou ao nosso “Cálice”, que os censores impediram Chico e Gil de cantar em 1973. De Dylan a Lennon. Do folk de lá ao folk de cá, em “Muié Rendeira”. Mais a latinidade de “Gracias a la Vida”, que remete a Violeta Parra, Mercedes Sosa e Elis.

Fiz com Joan Baez o que nunca havia feito em tantos anos de amor à música e de muitos shows ao vivo. Na reta final do programa, corri para a beira do palco e me pus a fotografá-la com o celular. Olhei nos olhos dela, contemplei as expressões do seu rosto e os movimentos da sua boca em “Imagine” e “Blowin’ in the Wind”. Também no spiritual “Amazing Grace”, feito a capela com as vozes de uma plateia emocionada.

Fui recompensado. Depois de abraçar um rapaz ao meu lado e de ouvir um “quero também” no meu Inglês precário, ela estendeu as duas mãos e apertou as minhas com força. Quando as soltou, olhou para mim, sorriu e repetiu o gesto. Entre um aperto e outro, a foto sem qualidade tenta eternizar o momento.

Mãos quentes e firmes. As dela. As minhas estavam geladas.

“I don’t believe it!”, foi tudo o que consegui dizer.