História Social do Jazz, de Hobsbawm, é para ler e reler sempre!

“A Era das Revoluções” estava na estante do meu pai no início da minha adolescência. Edição da Paz e Terra. Foi como eu soube da existência de Eric Hobsbawm. Judeu, marxista, historiador extraordinário debruçado sobre a compreensão do seu tempo. Do século em que nasceu (era de 1917) e viu findar. O resumo de tudo pode ser “Era dos Extremos”, lançado quando o século XX estava terminando.

Minha admiração por Hobsbawm vem principalmente de um livro que li mais de uma vez e sempre consulto: “História Social do Jazz”, editado no Brasil pela Paz e Terra. Imprescindível para os que querem entender a mais rica manifestação da música popular do século XX. Ouvir o jazz depois da leitura de Hobsbawn é outra coisa. As audições ganham uma nova dimensão, a despeito da inveja que sentimos por não termos visto, como ele, os grandes nomes do jazz ao vivo, no palco, improvisando. E aí é preciso concordar com todos os que defendem a tese de que jazz é mesmo para ver ao vivo.

Quando publicou o livro pela primeira vez, no início da década de 1960, Hobsbawm usou um pseudônimo: Francis Newton. A ideia – diz ele – era manter as suas obras como historiador separadas da sua produção enquanto jornalista. Mais tarde, mudou de ideia. Na edição de 1989, é seu nome que aparece na capa, embora o pseudônimo tenha sido conservado em letras menores. “História Social do Jazz” é do tempo em que se podia “ouvir ao vivo Bechet e Basie, Ella Fitzgerald, ou a uma das últimas apresentações de Billie Holiday, ou a gloriosa Mahalia Jackson”. O livro traz a lembrança dos dias em que Louis Armstrong e Duke Ellington ainda viviam.

Segundo o autor, o livro não é apenas sobre o jazz como um fenômeno em si mesmo, “hobby e paixão de uma grande legião de entusiastas, mas também sobre o jazz como parte da vida moderna. Se é comovente, é porque homens e mulheres são comoventes: você e eu. Se é um pouco louco e descontrolado, é porque a sociedade em que vivemos também é assim”. Para Hobsbawm, não é objetivo do jazz produzir obras que sejam classificadas sob um rótulo especial de excelência crítica. “Apenas fruir da música e fazer com que outros também fruam enquanto ela é executada” – está escrito por Eric Hobsbawm no capítulo que trata do tema da realização musical.

Os negros americanos criaram o jazz a partir do contato deles com os instrumentos europeus. Desenvolveram um excepcional senso de improvisação e fizeram da sua criação o ponto alto da música popular que ouvimos no século XX. Ponto alto também da arte que os Estados Unidos produziram. Revelou verdadeiros gênios da invenção musical e serviu de afirmação para quem estava fadado a viver à margem na América que separava (e ainda separa!) os homens pela cor da pele. A fascinante trajetória do jazz não se atém somente aos aspectos da manifestação musical. É esta a investigação que Hobsbawm faz. Sem que abra mão do amor pelo objeto do seu estudo.

Abertura de La La Land é menos magistral do que estão dizendo!

Há alguns poucos anos, nos bastidores de uma emissora de televisão, um cara da área artística me disse que usaria um elemento novíssimo na gravação de uma chamada institucional. Novíssimo e já muito em voga. Quis saber que novidade era essa, e ele respondeu: o plano sequência. Fiquei tão sem jeito que respondi com o silêncio.

Lembrei disso ouvindo entusiastas de La La Land num papo divertido e interminável. Perguntei o que há de tão magistral na sequência de abertura.

A resposta mais frequente: o uso do plano sequência enquanto as pessoas cantam e dançam na rua, entre os carros!

A um deles, perguntei se conhecia Festim Diabólico, de Hitchcock, e ele disse que não. Mas conhece A Marca da Maldade, de Welles? Também não! E o Passageiro, Profissão: Repórter, de Antonioni? Não! E O Jogador, de Altman? Não!

OK! Descobrira plano sequência na abertura de Gravidade!

De outro, ouvi que o que há de absolutamente genial no início de La La Land é que o espectador acompanha um pouco da história da mocinha e depois volta para acompanhar a do rapaz. Depois, claro, daquele número musical “falso jazz” (o “falso jazz”é meu!) no meio da rua.

Você já imaginou o quanto isso tem de inovador? Iniciar a narrativa acompanhando o dia de um personagem e depois voltar um pouquinho no tempo para acompanhar o dia de outro? 

Foi o que ouvi! Sério!

Lembrei do Grande Golpe, de Kubrick. É todo assim. Ou do Jackie Brown, de Tarantino. Tem um trecho assim. Ou (exemplo de uma década atrás) da despedida de Lumet em Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto. Retoma magistralmente o elemento narrativo que Kubrick usou nos anos 1950. Não conhecia nenhum deles, me confessou o entusiasta de La La Land!

Mais um me disse que teve vontade de sair pulando dentro da sala escura quando viu todos em círculo dançando e cantando em volta de alguém. Pois é!

Tal como o Cristo de Superstar troca de roupa, de hippie para Jesus, cercado pelo elenco, na abertura do filme de Jewison. Mas, aí, há de ser uma das inúmeras homenagens de La La Land ao gênero musical.

Estou preocupado! O defeito há de ser meu! Não consigo entender esse fenômeno chamado La La Land!

30 de janeiro é data importante para quem ama os Beatles!

O último show dos Beatles foi no dia 30 de janeiro de 1969. Já faz 48 anos!

Eles tocaram no telhado da gravadora Apple, em Londres. O conteúdo essencial da apresentação, vista por quem estava nos telhados vizinhos e ouvida por transeuntes, está no desfecho do documentário Let It Be.

Rever e reouvir os Beatles é sempre bom.

Então, segue Don’t Let Me Down, no Rooftop Concert. No teclado, Billy Preston.

 

Linduarte Noronha morreu há cinco anos

Hoje (30) faz cinco anos da morte do cineasta Linduarte Noronha, o realizador de Aruanda. Escrevi esse texto quando ele morreu.

Na noite seguinte à morte de Linduarte Noronha, sonhei com Antônio Barreto Neto. Sonhei porque fui dormir pensando neles. Os caras que me acolheram quando, adolescente, comecei a publicar artigos sobre cinema no velho Correio da Paraíba de Teotônio Neto, que funcionava na Barão do Triunfo. Barreto foi meu avalista. Jurandy Moura era o editor do jornal. Linduarte, procurei no Iphaep para pedir a lista dos melhores filmes do ano. É a primeira lembrança que tenho de um contato pessoal com ele. Fui recebido como se fizesse parte da turma. E falamos dos temas que frequentariam nossas conversas dali por diante: o cinema e os impasses brasileiros.

Em 1974, quando Antônio Barreto Neto me levou até Jurandy Moura na antiga redação do Correio da Paraíba, Linduarte Noronha já havia realizado seus três filmes e não atuava mais como crítico. Ainda muito jovem (tinha pouco mais de 40 anos), era visto com frequência nas salas exibidoras da cidade. Também participava ativamente dos eventos associados à produção cinematográfica paraibana. Era a época em que, no comando do Iphaep, começava a se dedicar à preservação do nosso patrimônio histórico, uma luta que sabia importante, fundamental, mas que o angustiava. E parecia aumentar as suas descrenças em relação ao nosso destino como Nação.

Quem primeiro me falou sobre a importância dele foi meu pai. Os dois se conheceram no Liceu Paraibano. Linduarte, professor de Geografia. Meu pai, estudante, seis anos mais jovem. Não precisei sair de casa para saber da existência de muita gente. As conversas cotidianas foram fundamentais na minha formação. Linduarte estava presente nelas. Ele e “Aruanda”. Comunista, meu pai gostava das questões que o filme abordava. Tinha uma natural identificação com as teses que o cineasta defendia. E o admirava por outras razões: a voz no rádio, os textos no jornal.

No início da década de 1980, Linduarte foi meu professor de cinema no curso de Comunicação Social, na UFPb. Paguei a disciplina, mas voltei à sua sala em outros semestres só como ouvinte. Era um privilégio ouvir suas divagações sobre filmes e cineastas. Lembro de uma manhã em que o tema da aula foi “Casablanca”, que ele revira numa madrugada qualquer na televisão. A análise do conteúdo, do roteiro exemplar, as explicações sobre a belíssima fotografia em preto e branco, as técnicas de montagem, uma minuciosa explanação a respeito da sequência final, o desempenho de Bogart e Bergman – nunca mais vi alguém falar de “Casablanca” com tamanha propriedade.

Nossa última conversa foi por telefone. Tentei marcar uma entrevista, mas ele disse que estava cansado. Não apenas o cansaço físico daquele momento. Era uma espécie de exaustão que tinha origem meio século atrás, na realização de “Aruanda”. O cineasta dava sinais de que precisava libertar-se do filme e das suas consequências. Pensei nisto enquanto editava o necrológio de Linduarte para o jornal noturno da TV. Fiquei comovido com o depoimento da filha sobre a dignidade do homem e as qualidades do pai. E enchi os olhos de lágrimas quando selecionei a cena em que ouvimos “ó mana deixa eu ir”. Com sua força e sua beleza, “Aruanda” atravessa o tempo como retrato dos nossos impasses.

La La Land é fofo, mas não vale o dó-ré-mi da Noviça Rebelde!

Fui ver La La Land e, antes de dizer qualquer coisa, peço aos amigos que estão encantados com o filme que não se aborreçam comigo.

Ao sair do cinema, me perguntei pelo último grande (grande mesmo!) musical que vi. Foi All That Jazz, de Bob Fosse. É do tempo em que o gênero experimentou alguma revitalização. Faz quase quatro décadas.

Pensei nisso porque tenho visto pessoas identificarem em La La Land um renascimento do musical. Pode até ser, mas precisaremos de tempo para que a avaliação seja feita.

Por enquanto, penso que há uma supervalorização.

La La Land é um bom filme?

Diria que é fofo!

Mas o tributo ao gênero, com incontáveis citações, me soa artificial e excessivo.

E, pelo que tenho visto, fascina mais a quem não ama o gênero.

“Não gosto de musicais, detesto esses diálogos cantados, mas adorei La La Land” – é o que as pessoas têm dito.

Pois eu adoro os musicais clássicos do cinema, não tenho nenhum problema com diálogos cantados e não vi nada de excepcional em La La Land.

Cada citação me dava saudade do original, acentuava a fragilidade do filme.

Saí do cinema pensando assim:

La La Land não vale o dó-ré-mi da Noviça Rebelde!

Ou o mambo de West Side Story!

Ou a sequência em que Gene Kelly desvenda os segredos do estúdio para Debbie Reynolds em Cantando na Chuva!

Aí me dei conta de que estava era sendo injusto com filmes intocáveis! Com clássicos absolutos de um dos grandes gêneros do cinema! E parei com a brincadeira!

Mas termino com uma torcida: que La La Land, ao menos, motive quem odeia os musicais a tentar amá-los!

Erialdo Pereira e o jornalismo das TVs Cabo Branco e Paraíba

Muito bem realizados os programas Tempo de Trinta, sobre o trigésimo aniversário das TVs Cabo Branco e Paraíba. Mas senti falta de Erialdo Pereira. A rápida imagem colocada sobre uma fala de Nonato Guedes e o nome junto dos outros editores gerais nos créditos de encerramento não são proporcionais à importância do profissional que comandou o jornalismo das duas emissoras por quase 20 anos.

Erialdo Pereira vinha do impresso e do rádio quando, aos 38 anos, assumiu o comando da equipe que colocou a TV Cabo Branco no ar.

Como faremos com esse veículo que é novo para todos nós?

Lembro que fiz a pergunta, e ele respondeu: somos guiados pela fusão do texto bem escrito do impresso com a informalidade do texto falado do rádio.

A qualidade do texto estava em nossas discussões diárias, mas não era a sua única preocupação.

Erialdo não abria mão da informação correta. Da melhor checagem, da conversa exaustiva com as fontes. Preferia não dar a notícia a dar errado. Com essa exigência, vinha uma das suas muitas lições: nunca devemos ser açodados.

Não devemos ser açodados com a informação, nem com as avaliações, a análise dos conteúdos, a definição das estratégias. O açodamento costuma ser inimigo dos bons resultados, nos dizia sempre.

Erialdo Pereira era um grande profissional que formou equipes e profissionais. Nele, havia o talento jornalístico e o gosto pela gestão do grupo que estava sob seu comando.

Ele foi o principal responsável pela definição de como seria o jornalismo das TVs Cabo Branco e Paraíba e o homem que esteve à frente da consolidação desse projeto. Não há como apagar das nossas memórias o papel que desempenhou.

Vindos do jornalismo impresso, do radiofônico, da universidade, alguns de outras emissoras de televisão – os jornalistas que integraram as equipes das duas emissoras devem muito a Erialdo. Ao seu nível de exigência, sua sabedoria, suas críticas, seus afagos, sua ética, seu bom senso, sua luta cotidiana pela credibilidade. Além do raro equilíbrio que mantinha, posicionado entre os dois pólos que representava, a equipe e a empresa.

Com ele, ouvimos todas as vozes, dialogamos com a comunidade, valorizamos o conhecimento, investimos na memória, apostamos nas novas tecnologias. Fizemos jornalismo pensando na notícia e na prestação de serviço, comemorando os êxitos e administrando os obstáculos.

A TV Cabo Branco entrou no ar em caráter experimental em outubro de 1986, no momento em que o Brasil elegia o congresso constituinte. Quando Erialdo deixou a equipe, em abril de 2004, o governo Lula tinha pouco mais de um ano. Crescemos nesse cenário, testemunhando grandes transformações.

Suas lições, para mim, passaram por cidadania, legalidade, conquistas, avanços, pelos anseios de liberdade de quem se fez profissionalmente num país sob governos de exceção. Erialdo e suas conversas, que iam da Rádio Nacional ao Jornal do Brasil, dos encontros com Vladimir Carvalho ao quarto de pensão dividido com Manfredo Caldas ou aos textos escritos para Eliakim Araújo ler. Dentro de tudo, o jornalismo, o papel da imprensa nas democracias, os nossos limites – conversas que incorporavam conhecimento ao difícil exercício cotidiano.

A redação de Erialdo contrastava com o excesso de objetividade das redações de hoje. Era muito mais rica em discussões, menos pragmática. Mais humana, menos fria. A permitir mais compartilhamento.

Às vezes, me pergunto como ele estaria nesse cenário em que todos estão recolhidos aos seus mundos virtuais, diante de pequenas telas.

O jornalismo que fazemos agora, com seus erros e acertos, é o jornalismo atingido por um furacão a ser administrado pelos garotos e garotas que estão de chegada. Os “filhos” de Erialdo logo estarão de saída. Talvez nem sejam lembrados na televisão do futuro cantada por Seu Pereira no encerramento do Tempo de Trinta.

Emmanuelle Riva morre aos 89 anos

A atriz francesa Emmanuelle Riva morreu nesta sexta-feira (27) aos 89 anos. Ela tinha câncer e, segundo as agências de notícias, lidava de forma muito discreta com a doença, tanto que continuava filmando, atuando no teatro e estudando novos convites.

Emanuelle Riva foi musa de Alain Resnais em Hiroshima, Meu Amor. Na época (o filme é de 1959), tinha pouco mais de 30 anos.

Aí está: Emmanuelle, tal como a vimos no extraordinário filme de Resnais.

Mais de 50 anos separam a Emmanuelle de Hiroshima da Emmanuelle de Amor (o filme é de 2012).

Com mais de 80 anos, Emmanuelle brilhou, ao lado de Jean-Louis Trintignant, no sensível filme de Michael Haneke.

Emmanuelle Riva ia fazer 90 anos em fevereiro.

Resposta a uma provocação: músicas de axé que gosto de ouvir

Não sou fã de Axé, mas tenho grande respeito pelo fenômeno e o observo sem qualquer preconceito.

Por causa dessa frase (num post de ontem), um leitor amigo ligou e disse achar um absurdo que eu defenda o axé.

Conversamos sobre música de carnaval (a de minha predileção é o frevo pernambucano), indústria do disco, grandes festas populares. Um papo longo e cordial. Não o convenci.

No final, ouvi um desafio. O amigo sugeriu que eu postasse aqui na coluna músicas de axé que eu gosto de ouvir.

Escolhi seis. Servem para entrar no clima antes de ver o documentário Axé: Canto do Povo de um Lugar, lançado nesta quinta-feira (26).

Seguem:

Meia Lua Inteira/Carlinhos Brown

Dandalunda/Margareth Menezes

É D’ Oxum/Gerônimo

O Canto da Cidade/Daniela Mercury

Chupa Toda/Ivete Sangalo e Gilberto Gil

Nossa Gente/Olodum

 

Será que ainda há críticos de cinema como Roger Ebert?

Roger Ebert foi um dos maiores críticos de cinema do mundo. Tão bom que recebeu o Prêmio Pulitzer por sua atuação. Gosto de relê-lo em dois livros lançados no Brasil pela Ediouro: “A Magia do Cinema” e “Grandes Filmes”. No original, “The Great Movies” (2002) e “The Great Movies II” (2005).

Sou de uma geração que cresceu lendo crítica de cinema antes ou depois de assistir a um filme. Começávamos por um grande nome daqui, Antônio Barreto Neto. Gostávamos de confrontar as opiniões de Ely Azeredo e José Carlos Avellar nas páginas do Jornal do Brasil. Um parecia o oposto do outro. Azeredo, mais conservador. Avellar, mais avançado. Também líamos Sérgio Augusto. Depois, Inácio Araújo. Todos, certamente devedores de Antônio Moniz Vianna, cujos textos Ruy Castro compilou em “Um Filme Por Dia”. Os de fora chegaram pelos livros. A grande Pauline Kael (seu nome é sinônimo de crítica de cinema nos Estados Unidos) e François Truffaut, que trocou as páginas do Cahiers du Cinema pelas lentes da Nouvelle Vague.

Também professor de cinema, Roger Ebert começou a atuar em 1967 e só deixou de escrever poucos dias antes de morrer, devastado por um câncer que deformou seu rosto e comprometeu seus movimentos. Quando lemos Ebert, o que temos é um parâmetro de excelência da crítica de filmes. Texto impecavelmente bem escrito. De conteúdo rico, nem um pouco superficial, mas de fácil leitura. E de perfeito equilíbrio entre os aspectos subjetivos do olhar do autor e a objetividade dos fundamentos teóricos a que ele recorre. Ebert fundia a emoção do espectador (ele próprio ou seus leitores) sentado na sala escura, assistindo a um filme, ao academicismo do professor que reunia seus alunos para rever um clássico restaurado e analisá-lo quadro a quadro.

“A Magia do Cinema” compila ensaios de Roger Ebert sobre 100 filmes. Não necessariamente os 100 maiores de todos os tempos na visão do crítico. Ele observa que “qualquer lista deste tipo redundaria numa tentativa insensata de sistematizar obras que têm o seu próprio valor intrínseco”. Mas, abrindo mão da modéstia, reconhece que, quem pretender fazer um circuito entre os marcos do primeiro século do cinema, poderá muito bem começar pelo seu livro. Mais 100 títulos estão nos ensaios de “Grandes Filmes”. Em dois volumes, 200 filmes analisados por Ebert com fotos de cena selecionadas por Mary Corliss. Um breve (e não tão breve assim) curso de cinema para quem não teve o privilégio de ser aluno do crítico do Chicago Sun-Times.

Ebert começou a atuar numa época em que o crítico de cinema escrevia diariamente no jornal sobre um filme a que acabara de assistir. Os ensaios escritos muito mais tarde para os dois volumes de “The Great Movies” são uma tentativa de romper com este modelo. De voltar ao passado no lugar de ficar preso ao presente. No fundo, ele não queria estar comprometido somente com os dias atuais. Os textos não contêm mais os equívocos de uma leitura feita sob a pressão do horário de fechamento do jornal. São distanciados, serenos, amadurecidos pela passagem do tempo. Enriquecidos pela dimensão que os filmes conquistaram à medida que envelheceram. Os bons fizeram de nós seres humanos melhores. Roger Ebert tinha certeza.

No auge do Axé, Olodum e Simon tocaram para 750 mil em NY. Veja

O documentário Axé: Canto do Povo de um Lugar está em cartaz a partir desta quinta-feira (26).

Quem já viu assegura que é um retrato muio honesto da Axé Music, esse fenômeno musical e comercial que transformou o carnaval da Bahia há três décadas.

Quero ver. Não sou fã de Axé, mas tenho grande respeito pelo fenômeno e o observo sem qualquer preconceito.

Aproveitando a estreia do filme, vou relembrar aqui o dia em que Paul Simon recebeu o Olodum e o incorporou à sua banda num show em Nova York. O concerto, em 1991, foi assistido por 750 mil pessoas no Central Park.

Depois do sucesso de Graceland, o disco que gravou com músicos da África do Sul, Paul Simon fez um disco com músicos brasileiros, e, nele, está o Olodum.

É desse trabalho (The Rhythm of the Saints) a faixa The Obvious Child, em que Simon é acompanhado pela percussão inconfundível do Olodum.

The Obvious Child é o número de abertura do show de Simon no Central Park.