RETRO2016/Mais discos que “Ouvi e Gostei” no ano que termina

Ouvi e Gostei é um espaço que ocupo no site da Cabo Branco FM, comentando discos. Alguns títulos que se destacaram estão aqui, somando-se a outros que já incluí na minha retrospectiva de 2016.

DONATO ELÉTRICO/João Donato

João Donato nasceu no Acre, mas, musicalmente, se fez no Rio de Janeiro, no mesmo ambiente que viu nascer a Bossa Nova. Pianista, compositor, arranjador, Donato morou nos Estados Unidos, onde gravou “A Bad Donato”, disco de timbres elétricos muito influenciado pela fusão criada por Miles Davis. Agora, mais de 40 anos depois, retorna ao elétrico num CD em que divide o estúdio com jovens músicos da cena paulistana. Com repertório totalmente inédito, o trabalho soa jovem e moderno como João Donato costuma ser. Mesmo agora, aos 81 anos. 

PERPETUAL GATEWAYS/Ed Motta

O novo disco de Ed Motta foi gravado nos Estados Unidos e lançado primeiro na Europa e no Japão. É, de fato, trabalho voltado mais para o mercado internacional do que para o brasileiro. Tem dez faixas. Cinco fazem uma ponte com a soul music. As outras cinco, com o jazz. O artista, cantando em inglês, está totalmente à vontade com o virtuosismo dos grandes músicos que o acompanham. Não tem nada a ver com o Motta pop de anos atrás. O que há agora é um cantor refinadíssimo que aprendeu muito com os discos que ouviu. 

XANGAI/Xangai

Xangai está na estrada desde a década de 1970, sempre muito associado a Elomar. Seu novo CD é o primeiro que faz apenas com voz e violão. O resultado é muito bom, apesar das suas limitações como instrumentista. O disco tem autores do passado, como Ataulfo Alves e Zé Dantas, e contemporâneos, como Renato Teixeira e Geraldo Azevedo. Os nossos Jessier Quirino e Ivanildo Vila Nova também estão presentes. Xangai tem uma bela voz e um jeito de cantar que passa por Jackson do Pandeiro e Gilberto Gil. O CD coincide com sua participação na novela “Velho Chico”.

FREVO SANFONADO/Spok Frevo Orquestra

A orquestra do maestro e saxofonista pernambucano Spok renovou o frevo ao incorporar a improvisação jazzística. A renovação do gênero deu projeção à big band, que é convidada a participar de grandes festivais internacionais de jazz. Seu novo trabalho é todo dedicado ao frevo sanfonado, um formato criado pelo nosso Sivuca. A sanfona se junta à orquestra tradicional de frevo num repertório de altíssima qualidade. São peças cheias do virtuosismo que é característico dos grandes sanfoneiros do Nordeste. Spok dialoga muito bem com eles.