RETRO2016/Chacrinha e Cássia Eller, os musicais

Chacrinha, o Musical e Cássia Eller, o Musical. Dois espetáculos que passaram por João Pessoa em 2016 e estão na minha retrospectiva.

CHACRINHA

Chacrinha, o Musical não é apenas um espetáculo biográfico. O que ele tem de mais atraente é a recriação dos programas do Chacrinha, como se estes estivessem sendo assistidos ao vivo.

No Brasil de hoje, tomado pela chatice do politicamente correto, só quem foi contemporâneo sabe como era inacreditavelmente louco o delírio tropicalista do velho Abelardo Barbosa.

Ótimo entretenimento, o espetáculo ganha força no segundo ato, quando, da plateia, somos conduzidos à ilusão de que os programas do Chacrinha estão ocorrendo ali, ao vivo.

Os personagens (cantores, jurados, executivos como Boni) são todos mostrados em tom de caricatura.

Chacrinha, não. No palco, temos uma fidelíssima recriação da figura que conhecemos na vida real.

E tudo se completa porque Stepan Nercessian não interpreta o velho guerreiro! Ele “recebe” o Chacrinha!

CÁSSIA ELLER

Cássia Eller, o Musical tem uma estrutura simples. Uma eficiente banda no fundo do palco e um pequeno elenco que encena, em ordem cronológica, alguns episódios da vida de Cássia Eller, grande intérprete da cena musical dos anos 1990.

As questões da sexualidade, os excessos que podem ter levado à morte prematura aos 39 anos, a opção por se manter à margem a despeito do êxito comercial – o musical trata abertamente desses temas.

Mas o principal (e o melhor mesmo!) é a música. As canções vão se incorporando à narrativa para também contar a história. E, no conjunto, oferecem um retrato dessa artista tão extraordinariamente talentosa do Brasil de apenas duas décadas atrás.

Muito mais cantora do que atriz, Tacy de Campos brilha intensamente e engrandece o espetáculo. Impressiona, convence, arrebata. E, por vezes, nos dá a sensação de que Cássia Eller está ali no palco, a poucos metros de nós, que estamos na plateia.