RETRO2016/Paulinho da Viola revisto ao vivo

Uma bela lembrança de 2016: Paulinho da Viola revisto ao vivo. Ele voltou a João Pessoa para cantar no teatro A Pedra do Reino.

Paulinho da Viola, o artista e o cidadão, reúne muitas elegâncias.

Gosto da contenção, do comedimento, da serenidade. Desse jeito cool de fazer e tocar samba.

Gosto da tolerância que há no seu diálogo. O portelense que exalta a Mangueira num samba lindo que Elizeth gravou. Sei Lá, Mangueira (letra de Hermínio Bello de Carvalho) está no set list do show com um longo relato sobre sua gênese. É uma história dos anos 1960 que fica como lição. Ainda vale muito no Brasil intolerante de hoje

O tempo passou, mas Paulinho permanece como esse belo exemplo de dignidade. Sua presença no palco resume o que estou dizendo.

Sua música nasceu num momento de grandes mudanças. E traz os reflexos das transformações. Paulinho se manteve fiel às matrizes do samba (e do choro) e soube modernizá-lo ao seu modo. Como o marinheiro que, durante o nevoeiro, leva o barco devagar.

Penso em tudo isso agora que o vejo de novo. No palco, num show impecável. Ou numa conversa breve no backstage do teatro A Pedra do Reino.

Já vemos tudo de longe. Seus sambas, sua presença na música popular brasileira, seu lugar na geração que despontou ali na era dos festivais.

Vê-lo ao vivo é estar diante de um dos nossos grandes. O cara que escreveu Sinal Fechado. Ou Dança da Solidão. Ou Foi um Rio que Passou em Minha Vida. Ou Coração Leviano. Todas no set list.

Paulinho da Viola se fez guardião do samba e do choro com excepcional trabalho autoral. Esse show traz a síntese do que ele é.