TV Cabo Branco: 30 anos esta noite!

(O título vem do filme de Louis Malle.)

À meia noite deste sábado, ou zero hora deste domingo, a TV Cabo Branco completa oficialmente três décadas.

Dividido entre a chefia de redação e a edição do JPB2, estive lá por duas décadas. Sob o comando de Erialdo Pereira (por 18 anos!), fomos a primeira emissora de televisão de João Pessoa.

(Peço licença para ilustrar com essa foto aí, de uns 25 anos atrás. É tão particular! Roberta Matias, Edilane Araújo e eu na redação com máquinas de datilografia.)

Quando começamos, o Brasil do Plano Cruzado era governado por José Sarney. A Paraíba, por Milton Cabral. O prefeito de João Pessoa era Carneiro Arnaud. O de Campina Grande, Ronaldo Cunha Lima.

Os Estados Unidos eram governados por um velho ator de cinema, Ronald Reagan. A União Soviética ainda existia! O muro de Berlim, também!

Na redação, usávamos máquinas de datilografia. Computadores, só uma década mais tarde! Nem todo mundo tinha vídeo cassete em casa. Muito menos CD!

DVD? Blu-ray? Internet? Telefones móveis? Smartphone? Google? Facebook? Netflix? Serviços de streaming?

Tudo coisa do futuro!

Fizemos jornalismo num tempo de grandes transformações.

No Brasil, vimos a elaboração da nova Constituição, o fim da censura prévia, a retomada das diretas para presidente, o avanço da cidadania num país afinal redemocratizado.

Vimos a estabilidade da moeda e a chegada de um operário na presidência.

Fizemos jornalismo nesse cenário de adequação ao novo. O novo das conquistas tecnológicas e o novo nos campos político e ideológico. Mas também mantivemos valores e conceitos que, no nosso ofício, ainda não perderam a validade.

O cânone que nos guiou continua guiando as redações e seus profissionais. Ou ao menos parte deles. O compromisso com a verdade, com a informação correta. A checagem obsessiva para evitar o erro imperdoável. O espaço para as vozes divergentes. Tudo isso.

Às vésperas do ano 2000, discutíamos jornalismo comunitário em busca de mais diálogo com a nossa audiência. Nas nossas imersões, fazíamos projeções para os próximos 10 ou 15 anos. Estávamos quase sempre errados. Os telejornais mudaram menos do que imaginávamos. Ainda estão excessivamente presos a um modo clássico de fazer telejornal.

Mas houve o furacão das redes sociais! Esse, 30 anos atrás, só cabia em filme de ficção científica!

Os garotos e garotas da geração Y, que hoje chegam às redações e amanhã vão comandá-las, têm pela frente um desafio que não se sabe ao menos qual é. Numa profissão cujo futuro está sendo redesenhado.

Fica, então, para os próximos 30 anos da TV Cabo Branco!

Parabéns aos que fizeram e aos que fazem a emissora!

(Fecho com essa foto de 2015. Edilane Araújo, Roberta Matias, eu e Nelma Figueiredo.)

RETRO2016/Paralamas de volta ao formato de power trio

Em setembro, Os Paralamas do Sucesso, de volta ao formato de power trio, tocaram no teatro A Pedra do Reino.

O show está na minha retrospectiva do ano.

Paralamas trio

Os Paralamas voltam ao começo para rever o conjunto da obra. O set list é um retrospecto. Momentos autorais importantes somados a influências e a alguma coisa de amigos e contemporâneos.

A fórmula funciona muitíssimo bem.

É bonito de ver. Bom para contemplar. Ainda mais num teatro, longe do desconforto das casas de show.

O conterrâneo Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone formam um grupo longevo. Produzem um som conciso e vigoroso.

Aqui, cada música é um pequeno retrato. Lembra um momento. Óculos na abertura não é uma escolha gratuita. Parece um convite para que o público junte cada retrato e se veja diante de um grande painel.

Nesse painel, há dores individuais em canções que são autorretratos. E dores coletivas em letras fortes que ainda guardam alguma atualidade.

Quando os Paralamas tocam em João Pessoa, Herbert está em casa. Lembra logo da maternidade do Grupamento de Engenharia, onde nasceu. “Na Epitácio”, referindo-se à avenida do jeito que nós, pessoenses, falamos. Tios e primos na plateia. Dessa vez, não foi diferente.

Os Paralamas atravessaram o tempo e as adversidades. Estão envelhecendo juntos. Voltam ao formato do início, apenas um trio, mas com o olhar de quem percorreu uma extensa trajetória. É sempre uma alegria revê-los ao vivo.

(A foto é de Maurício Valladares)

Capa célebre dos Beatles é recriada com os mortos de 2016

Muita coisa marcou o ano de 2016, que, afinal, termina neste sábado. Uma delas, certamente, foi o número de celebridades que morreram.

O artista Chris Barker resolveu fazer uma homenagem aos mortos do ano usando um ícone da cultura pop do século XX: a capa do LP Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o mais importante disco dos Beatles.

Está aí, para as devidas comparações, a capa do Pepper.

E está aí a arte de Chris Barker. Notem que a palavra Beatles foi substituída por Brexit e que o escudo da nossa Chapecoense está na homenagem.

A capa original do disco dos Beatles foi criada por Peter Blake a partir de um esboço feito por Paul McCartney.

Lembro, para finalizar, que, em junho de 2017, serão comemorados os 50 anos do Sgt. Pepper.

O jornalismo profissional tem futuro?

Estou lendo, com atenção e grande interesse, a série de artigos de Hélio Gurovitz no G1 sobre verdade, jornalismo e democracia.

Os textos tratam de temas cruciais do mundo em que vivemos. E abordam, especificamente, questões que dizem respeito ao exercício profissional dos jornalistas.

Faço o registro aqui apenas como sugestão de leitura. Para jornalistas e não jornalistas.

Termino com a transcrição de dois trechos do texto desta quinta-feira (29).

O primeiro:

Entre as liberdades civis, uma sempre foi essencial ao funcionamento das democracias genuínas: a liberdade de expressão.

O segundo:

Qual o futuro do jornalismo profissional? Qual a perspectiva das democracias liberais nesse futuro? Com o terremoto digital em pleno andamento, ambas as questões permanecem em aberto. 

Gil não criticou Moro. Justiça manda tirar do ar links com falsa entrevista

Claro que Gilberto Gil não chamou o juiz Sérgio Moro de terrorista!

Não combina com a sua serenidade, com o seu bom senso, com o homem íntegro que ele é!

Nós só vimos nas redes sociais porque, infelizmente, a mentira está se sobrepondo à verdade.

Vimos muitas vezes.

E teve o cara que chamou o grande artista brasileiro de “macaco filho da puta”.

Gil recorreu à Justiça e obteve uma liminar.

O Facebook e os sites Pensa Brasil e Folha Digital terão que retirar do ar os links com a falsa entrevista de Gil criticando o juiz Moro e defendendo Lula de acusações da Lava Jato.

Gil, simplesmente, não deu a entrevista!

A liminar obriga ainda o Facebook a fornecer informações sobre o autor do comentário racista em publicação que replicava a notícia inverídica.

A vitória de Gil é muito importante!

É a vitória da verdade na era da pós verdade!

Cássia Eller morreu há 15 anos

Nesta quinta-feira (29), faz 15 anos da morte de Cássia Eller. Um enfarte a levou aos 39 anos, no auge da carreira.

Grande voz! Grande intérprete! Cantava tudo! De Ângela Maria aos Beatles! De Ataulfo Alves a Cazuza!

Ela chamou minha atenção nessa noite aí. Numa edição do Prêmio Sharp, grávida de Chicão, cantando Lábios de Mel, do repertório de Ângela Maria.

Debbie Reynolds, mãe de Carrie Fisher, morre 1 dia após a filha

Os pais não foram feitos para enterrar os filhos!

Muita gente já disse isso. Foi o que me ocorreu quando vi, na noite desta quarta-feira (28), a notícia da morte da atriz Debbie Reynolds. Ela se foi apenas 1 dia depois da morte da filha, a também atriz Carrie Fisher, a Princesa Leia de Star Wars.

Debbie Reynolds tinha 84 anos e foi vítima de um AVC.

Aí estão as duas. Debbie e Carrie. Mãe e filha.

Neste momento, por causa da circunstância da morte, o nome de Debbie Reynolds está associado ao de Carrie Fisher. Uma mãe que não resistiu à morte da filha.

Mas, antes mesmo de Carrie nascer, em 1956, Debbie já era uma atriz consagrada. Tinha luz própria. Não entrou para a história do cinema como a mãe de Carrie Fisher.

Na memória afetiva dos que amam o cinema, o nome de Debbie Reynolds está guardado, sobretudo, como o da atriz que fez Cantando na Chuva, um dos maiores filmes do mundo.

Cantando na Chuva tem muitas cenas inesquecíveis. Uma delas é essa em que Gene Kelly, cantando You Were Meant for Me, desvenda os segredos do estúdio para Debbie.

Não. Para Debbie, não!

Para nós, os espectadores.

A morte de Debbie Reynolds entristece os cinéfilos nesse ano que não termina.

RETRO2016/Mais discos que “Ouvi e Gostei” no ano que termina

Ouvi e Gostei é um espaço que ocupo no site da Cabo Branco FM, comentando discos. Alguns títulos que se destacaram estão aqui, somando-se a outros que já incluí na minha retrospectiva de 2016.

DONATO ELÉTRICO/João Donato

João Donato nasceu no Acre, mas, musicalmente, se fez no Rio de Janeiro, no mesmo ambiente que viu nascer a Bossa Nova. Pianista, compositor, arranjador, Donato morou nos Estados Unidos, onde gravou “A Bad Donato”, disco de timbres elétricos muito influenciado pela fusão criada por Miles Davis. Agora, mais de 40 anos depois, retorna ao elétrico num CD em que divide o estúdio com jovens músicos da cena paulistana. Com repertório totalmente inédito, o trabalho soa jovem e moderno como João Donato costuma ser. Mesmo agora, aos 81 anos. 

PERPETUAL GATEWAYS/Ed Motta

O novo disco de Ed Motta foi gravado nos Estados Unidos e lançado primeiro na Europa e no Japão. É, de fato, trabalho voltado mais para o mercado internacional do que para o brasileiro. Tem dez faixas. Cinco fazem uma ponte com a soul music. As outras cinco, com o jazz. O artista, cantando em inglês, está totalmente à vontade com o virtuosismo dos grandes músicos que o acompanham. Não tem nada a ver com o Motta pop de anos atrás. O que há agora é um cantor refinadíssimo que aprendeu muito com os discos que ouviu. 

XANGAI/Xangai

Xangai está na estrada desde a década de 1970, sempre muito associado a Elomar. Seu novo CD é o primeiro que faz apenas com voz e violão. O resultado é muito bom, apesar das suas limitações como instrumentista. O disco tem autores do passado, como Ataulfo Alves e Zé Dantas, e contemporâneos, como Renato Teixeira e Geraldo Azevedo. Os nossos Jessier Quirino e Ivanildo Vila Nova também estão presentes. Xangai tem uma bela voz e um jeito de cantar que passa por Jackson do Pandeiro e Gilberto Gil. O CD coincide com sua participação na novela “Velho Chico”.

FREVO SANFONADO/Spok Frevo Orquestra

A orquestra do maestro e saxofonista pernambucano Spok renovou o frevo ao incorporar a improvisação jazzística. A renovação do gênero deu projeção à big band, que é convidada a participar de grandes festivais internacionais de jazz. Seu novo trabalho é todo dedicado ao frevo sanfonado, um formato criado pelo nosso Sivuca. A sanfona se junta à orquestra tradicional de frevo num repertório de altíssima qualidade. São peças cheias do virtuosismo que é característico dos grandes sanfoneiros do Nordeste. Spok dialoga muito bem com eles.

RETRO2016/Discos que “Ouvi e Gostei” no ano que termina

Ouvi e Gostei é um espaço que ocupo no site da Cabo Branco FM, comentando discos. Alguns títulos que se destacaram estão aqui, somando-se a outros que já incluí na minha retrospectiva de 2016.

INVITATION TO ILLUMINATION/Carlos Santana e John McLaughlin

Santana apareceu fundindo o rock com os ritmos latinos. McLaughlin surgiu tocando com Miles Davis na fusão do rock com o jazz. Em 1973, já consolidados, os dois guitarristas se encontraram para gravar um disco que homenageava John Coltrane, mestre do jazz. Em 2011, passadas quase quatro décadas, eles se reencontraram no Festival de Montreux. A íntegra do concerto está no CD duplo (também em DVD e BD) que chega agora ao mercado brasileiro. Verdadeira aula de música, show de virtuosismo, a performance de Santana/McLaughlin é puro deleite para quem os admira.

FALLEN ANGELS/Bob Dylan

Bob Dylan volta ao repertório de Frank Sinatra. No ano passado, foi em “Shadows in the Night”. Agora, aos 75 anos, em “Fallen Angels”. Dylan perdeu a condição vocal há mais de duas décadas, mas isto não o impede de gravar canções imortalizadas por The Voice. Ele faz ao seu modo, como quem busca as fontes, as matrizes do grande american songbook. O ouvinte não deve procurar Sinatra nas gravações. Ao contrário, deve ouvir essas canções pensando que elas soam como Bob Dylan. O repertório mistura músicas muito conhecidas com outras dignas de lados B.

75th BIRTHDAY CELEBRATION/Joan Baez

Nos anos 1960, Joan Baez foi musa do folk e da canção de protesto, namorada de Bob Dylan, cantou para Martin Luther King na marcha sobre Washington e esteve em Woodstock. Não é pouca coisa. Agora, está com 75 anos. Seu aniversário foi celebrado em janeiro com um concerto memorável no Beacon Theatre, em Nova York. O show se transformou num álbum duplo em que Baez divide o palco com Paul Simon, David Crosby, Judy Collins e Emylou Harris. No set list, “The Boxer”, “Gracias a la Vida”, “Swing Low, Sweet Chariot” e “Forever Young”. Primoroso!

GEORGE FEST/Dhani Harrison e convidados

Quem cuida da memória do beatle George Harrison é seu filho, Dhani. Shows, relançamento de discos – é tudo com ele, músico como o pai. Aqui, temos um longo concerto com o repertório básico de George, canções dos tempos dos Beatles e outras da carreira solo. No elenco, veteranos e jovens artistas se misturam em versões geralmente muito parecidas com os originais. A fidelidade ao universo musical de Harrison é, portanto, uma das marcas desse tributo gravado nos Estados Unidos. O próprio Dhani participa em alguns números, cantando e tocando. Dois CDs e um DVD.

LIVE IN SAN DIEGO/Eric Clapton

Nos últimos meses, desde que Eric Clapton anunciou que sofre de neuropatia periférica, três discos seus chegaram ao mercado: um trabalho inédito de estúdio, uma coletânea tripla do festival de guitarristas que promove há mais de uma década e, agora, um duplo ao vivo gravado em San Diego. O show traz o Clapton que conhecemos no palco: exímio guitarrista, executando e cantando repertório autoral e clássicos do blues. O artista tem o amigo J.J. Cale como convidado. Cale, que participa em várias faixas, é autor de “After Midnight” e “Cocaine”, dois grandes êxitos de Clapton.

QUEEN ON AIR/Queen

Já imaginaram uma emissora de rádio que recebia em seu estúdio, para performances ao vivo, grupos como os Beatles, o Who, o Led Zeppelin, o Queen? Era o que ocorria na BBC de Londres, nas décadas de 1960 e 1970. Muitas dessas apresentações viraram discos. O mais recente é o do Queen. O material completo está em seis CDs. No Brasil, a Universal lançou uma edição com dois discos. São gravações feitas entre 1973 e 1977, quando, para muitos, a banda liderada por Freddie Mercury estava em seu melhor momento. Irresistível para os fãs do quarteto.

Alceu Valença revive “Vivo!”. Meninos, eu vi em 1975!

Primeiro, as imagens.

O show que aparece no disco Vivo!, que Alceu Valença lançou em 1976, passou por João Pessoa um ano antes.

Esse garoto cabeludo da foto, segurando um gravador jurássico, sou eu aos 16 anos, entrevistando Alceu no Teatro Santa Roza!

Essa é a capa de Vivo!, o disco de 1976 lançado pela Som Livre.

E essa é a capa de Vivo! Revivo!, lançado há pouco.

Depois das imagens, vamos ao texto.

Vou Danado Pra Catende! 

O show era extraordinário!

No palco, Alceu Valença acompanhado por Zé Ramalho e sua viola, Lula Cortes e seu tricórdio e a banda pernambucana Ave Sangria, que já fora Tamarineira Village.

Podemos resumir assim: a tradição musical nordestina revisitada com sotaque roqueiro.

Alceu oferecia uma nova leitura do que os tropicalistas haviam feito um pouco antes. E Chico Science faria muito depois.

Depois do festival Abertura, lançara o primeiro disco solo, Molhado de Suor. Em seguida, Vivo! traria parte do repertório do show Vou Danado Pra Catende. Espelho Cristalino completaria depois essa primeira fase do artista.

Quatro décadas se passaram, e Alceu Valença comemorou reencontrando o Vivo!. O show, gravado em 2015 no Teatro Santa Isabel, no Recife, está disponível em CD e DVD. Vivo! Revivo! traz todo o repertório do LP de 1976, além de faixas de Molhado de Suor e Espelho Cristalino.

Não tem as limitações técnicas do original, mas também não tem a mesma garra. É o Alceu de ontem interpretado pelo Alceu de hoje. De todo modo, é muito bom de ouvir!