Elvis com orquestra sinfônica é fake, mas irresistível!

O artista morreu. Os caras da gravadora pegam a voz dele + instrumentos originais e colocam em cima novos instrumentos. Totalmente fake.

De vez em quando, a indústria fonográfica faz isso. Dá certo, comercialmente. Costumo não gostar.

O nome da vez é Elvis Presley. O projeto parece sugerir que Elvis não morreu. Já tem dois CDs. O êxito do primeiro provocou o segundo. Confesso que gostei muito do resultado.

Como seria ouvir Elvis Presley do jeito que ele era, em rocks e baladas, acrescido de uma orquestra sinfônica? E com a sonoridade dos discos de hoje, como se o cantor estivesse vivo e em atividade?

A resposta veio no segundo semestre do ano passado, quando a Sony Music lançou o CD If I Can Dream. Gravado em Abbey Road, o disco traz o Rei do Rock acompanhado pela Royal Philharmonie Orchestra.

elvis-if-i-can

Os arranjos não são do tipo “fulano de tal with strings”, geralmente abomináveis. São muito mais inteligentes. Ao mesmo tempo, conservam o que há de cafona em Elvis. Assim não seria ele.

Rock, balada, gospel, soul music, country – Elvis como ele era, com o vozeirão que conseguia ser simultaneamente antigo e moderno. Dos excessos de um Lanza ao feeling de um bluesman.

Duvido que um fã resista àquela abertura com Burning Love, mesmo que abomine o dueto (fake, claro) com Michael Bublé em Fever.

O sucesso de If I Can Dream levou a Sony a produzir The Wonder of You. O CD, que acabou de ser lançado, repete a fórmula do disco do ano passado.

Começa com um grande rock (A Big Hunk O’Love), tem um gospel (Amazing Grace), um monte de baladas e, novamente, um dueto fake (Helene Fischer em Just Pretend).

Os duetos (Bublé no primeiro, Fischer no segundo) acentuam o caráter fake do projeto, mas – podem acreditar – não o tornam menos irresistível. Elvis não morreu!

elvis-com-orquestra