O melhor de Milton Nascimento está em sete discos

Hoje (26) cedo, escrevi sobre Milton Nascimento, aniversariante do dia. Falei um poucos dos melhores discos dele, aqueles gravados na velha Odeon entre 1970 e 1978. Seguem as capas, só para dar vontade de ouvir mais uma vez.

Milton (1970)

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Clube da Esquina (1972)

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Milagre dos Peixes (1973)

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Milagre dos Peixes ao Vivo (1974)

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Minas (1975)

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Geraes (1976)

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Clube da Esquina 2 (1978)

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Milton Nascimento, um mistério que não se desvenda por completo

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Recife, março de 1979. Teatro do Parque lotado. Milton Nascimento entra sozinho no palco, vestido de branco, e, acompanhando-se ao violão, canta “Volver a los 17”, de Violeta Parra, que gravara com Mercedes Sosa.

Em seguida, os músicos vão ocupando seus lugares. Wagner Tiso no piano, Robertinho Silva na bateria, Novelli no baixo, Hélio Delmiro na guitarra. Mais Beto Guedes e Flávio Venturini.

O show: “Clube da Esquina 2”. Histórico, antológico, inesquecível. “Canoa, canoa desce/no leito do Rio Araguaia desce” – a voz de Milton ecoa no teatro com os falsetes que encantaram o mundo. Lembranças da primeira vez em que o vi de perto.

Milton Nascimento entrara na nossa casa pelas mãos do meu pai, em 1967. No festival que o revelou com “Travessia”. “Solto a voz nas estradas…” – a voz mágica que vinha de Minas. Como um mistério que nunca desvendaríamos por completo. O rapaz nascido no Rio, adotado por um casal de mineiros, louco pelo François Truffaut de “Jules et Jim”. E pelos mesmos Beatles que vi correndo na quadra em “A Hard Day’s Night”.

Meus melhores contatos com a música de Milton Nascimento são dos anos 1970, o período em que gravou seus discos mais importantes. Sete discos que o colocaram no topo da nossa música popular, entre 1970 e 1978.

Já estava tudo ali, naqueles trabalhos realizados ao lado dos músicos que formaram o Clube da Esquina. Gente que veio de Minas. Gente que foi se agrupando mais tarde no Rio. “Noite chegou outra vez/de novo na esquina os homens estão” – Milton e os irmãos Borges, seus parceiros. Milton e Brant – seu principal parceiro de jornada.

Primeiro, o disco com o Som Imaginário. “Para Lennon e McCartney”, “Canto Latino”, “Pai Grande”. “A Felicidade”, de Tom e Vinícius, evocando Agostinho dos Santos. Depois, “Clube da Esquina”. Brancos e pretos. Lô e Milton. “Tudo o que Você Podia Ser”, “O Trem Azul”, “Cais”, “Nada Será Como Antes”, “San Vicente”.

E aí vem “Milagre dos Peixes”. Em estúdio, com as letras censuradas e a voz de Clementina de Jesus. Ao vivo, no Teatro Municipal de São Paulo, regência de Paulo Moura. As cordas que remetem ao barroco mineiro antecedem as palavras que se repetem em “Bodas”. “E a muitos outros que a mão de Deus levou” – a dedicatória irônica na noite brasileira.

“Minas” e “Geraes” consolidam o artista extraordinário. “Fé Cega, Faca Amolada”, “Saudade dos Aviões da Panair”, “Ponta de Areia”. A voz metálica misturada ao coro infantil. “Mi” de Milton, “nas” de Nascimento. As sílabas iniciais formando “Minas”. Para abrir caminho a “Geraes”, o disco seguinte. “Voltar aos dezessete, depois de viver um século” – os versos de Violeta Parra gravados com Mercedes Sosa. Ou “quem cala sobre teu corpo/consente na tua morte”.

No próximo passo, os amigos juntos em “Clube da Esquina 2”. Elis, Chico, todos. Há muita beleza nos anos seguintes. Mas nem precisava. Bituca é o aniversariante desta quarta-feira (26).

Quatro discos trazem o essencial de Belchior

Quatro discos, gravados entre 1976 e 1979, trazem o essencial do cancioneiro de Belchior, que está fazendo 70 anos nesta quarta-feira (26).

Apenas um Rapaz Latino Americano, Velha Roupa Colorida, Como Nossos Pais, Alucinação, A Palo Seco, Coração Selvagem, Paralelas, Todo Sujo de Batom, Galos Noites e Quintais, Divina Comédia Humana, Na Hora do Almoço, Medo de Avião, Tudo Outra Vez, Comentário a Respeito de John. 

Suas canções mais importantes estão nesses discos. A sua melhor antologia.

Alucinação

PolyGram/1976.

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Coração Selvagem

Warner/1977.

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Todos os Sentidos

Warner/1978.

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Belchior (Medo de Avião)

Warner/1979.

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Gol contra a Itália é a melhor lembrança de Carlos Alberto

Morreu Carlos Alberto Torres, o capitão do tri.

Até quem tem o defeito de não gostar de futebol (como eu) se emociona com as imagens de Carlos Alberto em campo.

Tive a alegria de ver a copa de 70 ao vivo e tenho cada jogo do Brasil guardado na memória.

Nesse dia em que perdemos o capitão, a grande imagem para homenageá-lo é o quarto (e último) gol do jogo contra a Itália.

Belchior faz 70 anos, e ninguém tem notícia dele

Belchior faz 70 anos nesta quarta-feira (26).

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Soube da existência dele no início da década de 1970 quando ouvi Mucuripe, composta em parceria com Fagner. Havia a versão de Fagner, no disquinho de bolso do Pasquim, e a de Elis Regina.

Tinha um verso encantador:

Calça nova de riscado/Paletó de linho branco/Que até o mês passado/Lá no campo ainda era flor

Depois veio A Palo Seco, no disco de Fagner:

Se você me perguntar por onde andei/No tempo em que você sonhava

Um pouco mais tarde, o grande impacto: Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida, abrindo Falso Brilhante, o disco de Elis:

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos/Ainda somos os mesmos/E vivemos como nossos pais

Ou:

O que há algum tempo era jovem, novo/Hoje é antigo/E precisamos todos rejuvenescer

Quando o LP Alucinação deu dimensão nacional a Belchior, já tínhamos sentido o impacto do seu talento.

Não tinha grandes dotes como cantor e era melódica e harmonicamente muito limitado. O negócio dele eram as letras. Escreveu algumas absolutamente antológicas. O seu lugar na história da MPB está essencialmente associado à força da sua poesia.

Parece paradoxal, mas a marca de originalidade das suas letras está na habilidade com que lidou com referências e citações. Belchior sempre demonstrou ter plena consciência disso.

O melhor do seu cancioneiro se resume a quatro discos, gravados entre 1976 e 1979. Um na Philips, três na Warner. Neles, estão as suas canções mais importantes. As que ficaram arquivadas na memória afetiva do seu público.

Durante quase 25 anos, a partir do início dos anos 1980, Belchior pouco se renovou, mas fez bem a manutenção da carreira, cantando grandes sucessos para uma plateia fiel.

Na segunda metade da década passada, saiu de cena. Abandonou a carreira, afastou-se da família e dos amigos, sumiu dos palcos e dos estúdios. Uma história misteriosa, estranha e triste.

Belchior chega aos 70 anos nesta quarta-feira, e ninguém sabe ao certo onde ele está.   

Outras telenovelas para a lista das melhores

A telenovela brasileira está fazendo 65 anos. No post anterior, listei as minhas preferidas.

Os leitores sentiram falta de algumas. Listas são sempre incompletas e insatisfatórias.

Vou ampliar a minha.

Beto Rockfeller

De Cassiano Gabus Mendes e Bráulio Pedroso. TV Tupi. 1968/1969.

Irmãos Coragem

De Janete Clair. TV Globo. 1970/1971.

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O Bem Amado

De Dias Gomes. TV Globo. 1973.

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Mulheres de Areia

De Ivani Ribeiro. TV Tupi. 1973/1974.

Pecado Capital

De Janete Clair. TV Globo. 1975/1976.

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Saramandaia

De Dias Gomes. TV Globo. 1976.

Guerra dos Sexos

De Sílvio de Abreu. TV Globo. 1983/1984.

O Rei do Gado

De Benedito Ruy Barbosa. TV Globo. 1996/1997.

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Telenovela brasileira faz 65 anos. Quais as melhores?

A telenovela brasileira está fazendo 65 anos.

Houve um tempo em que era um produto menor, pouco respeitado. Não é mais. O gênero já deu todas as demonstrações de seus méritos.

Não há mais problema. Todos – incluindo os mais cultos – podem confessar que são noveleiros.

Minha primeira novela foi Redenção. Na infância. Francisco Cuoco era Dr. Fernando. Quem lembra?

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Uma vez, quase 40 anos mais tarde, cruzei com o ator no corredor da TV Cabo Branco. Não resisti e falei:

Dr. Fernando!

Ele olhou, sorriu, apertou minha mão. E, para justificar o cumprimento, eu disse:

Redenção foi minha primeira novela!

A Veja traz listas das melhores novelas de todos os tempos. Resolvi fazer a minha. Não coloquei Velho Chico, que tanto me impressionou, por dois motivos: não vi toda e ainda é muito recente. Distanciamento é bom para essas avaliações.

Segue a minha lista:

Redenção

De Raimundo Lopes. TV Excelsior. 1966/1968.

Antônio Maria

De Geraldo Vietri e Walter Negrão. TV Tupi. 1968/1969.

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Gabriela

De Walter George Durst. TV Globo. 1975.

O Casarão

De Lauro César Muniz. TV Globo. 1976

Escrava Isaura

De Gilberto Braga. TV Globo. 1976/1977.

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O Astro

De Janete Clair. TV Globo. 1977/1978.

Dancin’ Days

De Gilberto Braga. TV Globo. 1978/1979.

Roque Santeiro

De Dias Gomes. TV Globo. 1985/1986.

Vale Tudo

De Gilberto Braga e Aguinaldo Silva. TV Globo. 1988/1989.

Que Rei Sou Eu?

De Cassiano Gabus Mendes. TV Globo. 1989.

Pantanal

De Benedito Ruy Barbosa. TV Manchete. 1990.

Laços de Família

De Manoel Carlos. TV Globo. 2000/2001.

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Paulinho da Viola, com esse jeito cool, reúne muitas elegâncias

Paulinho da Viola passou por João Pessoa neste sábado (22) com o show comemorativo dos seus 50 anos de carreira.

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Elegância é uma palavra comumente usada quando se quer falar sobre ele. Tento evitá-la porque virou um clichê, mas também caio na tentação: Paulinho, o artista e o cidadão, reúne muitas elegâncias.

Gosto da contenção, do comedimento, da serenidade. Desse jeito cool de fazer e tocar samba.

Gosto da tolerância que há no seu diálogo. O portelense que exalta a Mangueira num samba lindo que Elizeth gravou. Sei Lá, Mangueira (letra de Hermínio Bello de Carvalho) está no set list do show com um longo relato sobre sua gênese. É uma história dos anos 1960 que fica como lição. Ainda vale muito no Brasil intolerante de hoje.

Paulinho e suas histórias. Algumas estão no show. Outras, não. Como a de Dedé Aureliano, a militante comunista para quem compôs Para um Amor no Recife, um dos seus sambas mais bonitos. Tive a honra de conhecê-la.

Acompanho Paulinho da Viola desde o início dos anos 1970. Vi inúmeras vezes ao vivo. Hoje, quem está no palco, ao violão, é o filho, João Rabello. No passado, era o pai, César Faria. Quando Nicolino Cópia, o lendário Copinha, tocava na sua banda. E Canhoto da Paraíba aparecia como convidado muito especial.

O tempo passou, mas Paulinho permanece como esse belo exemplo de dignidade. Sua presença no palco resume o que estou dizendo.

Sua música nasceu num momento de grandes mudanças. E traz os reflexos das transformações. Paulinho se manteve fiel às matrizes do samba (e do choro) e soube modernizá-lo ao seu modo. Como o marinheiro que, durante o nevoeiro, leva o barco devagar.

Penso em tudo isso agora que o vejo de novo. No palco, num show impecável. Ou numa conversa breve no backstage do teatro A Pedra do Reino.

O artista faz 74 anos em novembro. Já vemos tudo de longe. Seus sambas, sua presença na música popular brasileira, seu lugar na geração que despontou ali na era dos festivais.

Vê-lo ao vivo é estar diante de um dos nossos grandes. O cara que escreveu Sinal Fechado. Ou Dança da Solidão. Ou Foi um Rio que Passou em Minha Vida. Ou Coração Leviano. Todas no set list.

Paulinho da Viola se fez guardião do samba e do choro com excepcional trabalho autoral. Esse show traz a síntese do que ele é.

Gilberto Gil volta ao hospital para tratamento e fala ao site Coração e Vida

O compositor Gilberto Gil voltou, nesta sexta-feira (21), ao Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para tratamento de um quadro de insuficiência renal.

Neste sábado (22), foi divulgada a entrevista que ele deu ao site Coração e Vida.

Saúde, alimentação, trabalho e política estão entre os temas da conversa.

Vejam o vídeo:

Paulinho da Viola faz show em João Pessoa. Veja o repertório

Paulinho da Viola faz show neste sábado em João Pessoa. Será no teatro A Pedra do Reino, do Centro de Convenções, às 21h00.

O show é comemorativo dos 50 anos de carreira do músico.

Confiram o repertório divulgado pela produção de Paulinho:

Dama de Espadas

Nova Ilusão

Ela Sabe Quem Eu Sou

Ainda Mais

Nervos de Aço

Dança da Solidão

Num Samba Curto

Nas Ondas da Noite

Vela no Breu

Quando Bate uma Saudade

Coração Leviano

Choro Negro

Coração Imprudente

Bloco do Amor

Filosofia do Samba

Amor Ingrato

Talismã

Timoneiro

Onde a Dor Não Tem Razão

Bis: Argumento

        Foi um Rio que Passou em Minha Vida