Capa do novo CD dos Beatles é uma agressão à história do grupo

Hoje (09) é o lançamento mundial do disco “The Beatles Live at The Hollywood Bowl”. O original, de 1977, nunca havia sido editado em CD. Oficialmente, é a primeira vez. E vem com faixas bônus.

O conteúdo reúne canções gravadas em dois shows dos Beatles no Hollywood Bowl. Um em 1964. O outro, em 1965.

O vinil de 1977 não tinha boa qualidade sonora. Os esforços do produtor George Martin não foram suficientes. Para o ouvinte, ficava a sensação de que a gritaria do público comprometia o desempenho do grupo. Mas a importância histórica era indiscutível.

Agora, 39 anos depois, o disco reaparece para esse lançamento em CD (também em vinil). Ouvi ontem pela primeira vez e posso dizer que os recursos tecnológicos atuais operaram um verdadeiro milagre. O ganho na qualidade do som é sensível.

Só há um problema. Como o lançamento está sendo comercialmente associado à estreia do documentário “Eight Days a Week”, sobre o fenômeno da Beatlemania, a capa original do disco foi trocada por uma que reproduz o cartaz do filme.

Ora, pode até ser mais bonita. Mas atenta contra a história e a memória do quarteto. Não faz nenhum sentido trocar a capa original de um disco dos Beatles por um cartaz de um novo filme. Por melhor que venha a ser o documentário dirigido por Ron Howard.

A música dos Beatles está aí há meio século. A sua permanência não depende de uma associação comercial como esta.

A capa original, de 1977:

Hollywood Bowl 77

A nova capa, de 2016:

Hollywood Bowl 2016