O Hino Nacional é longo e difícil de cantar, dizia o maestro Moacir Santos

Começo a Semana da Pátria escrevendo sobre o Hino Nacional.

O maestro Moacir Santos o considerava muito longo e difícil de ser cantado. Em suas complexas conversas sobre música, chegava a defender que o Brasil tivesse um outro hino. Como ele morava há muitos anos nos Estados Unidos, penso que tinha como parâmetro o “Star Spangled Banner”, que é breve.

O hino brasileiro é tão longo que costumamos cantar somente a primeira parte. Mas isso não o torna menos belo. Nem mexe com a relação afetiva que temos com ele. Os hinos nacionais estão associados a um conjunto de emoções que é construído ao longo dos anos.

Muitos dos que cresceram sob a ditadura militar e eram contra o regime de exceção tiveram dificuldades com os chamados símbolos da Pátria. O compositor Sérgio Ricardo tratou do tema ao cantar o Hino à Bandeira num show em plena ditadura. Emocionava a plateia. Sugeria que havia algo maior do que o momento histórico em que vivíamos.

Conheço pessoas que se reconciliaram com o Hino Nacional nos estertores da ditadura militar. O marco foi o filme “Memórias do Cárcere”, de Nelson Pereira dos Santos, em que se ouve a fantasia que o compositor Gottschalk escreveu sobre o Hino Nacional Brasileiro.

Louis Moreau Gottschalk era um americano que viveu no Brasil do Império. Sua fantasia foi usada também na cobertura do funeral do presidente Tancredo Neves. Bem como a versão cantada por Fafá de Belém.

Não faz um mês que Paulinho da Viola encantou a todos com uma versão minimalista do Hino Nacional, na cerimônia de abertura dos jogos olímpicos. O mestre do samba só não foi tão minimalista quanto João Gilberto, que, de vez em quando, surpreendia a plateia ao incluir o hino no set list do seu show.